Chegada a Tam Coc
Depois da tranquilidade da Baía de Halong seguimos viagem até Tam Coc, na região de Ninh Binh, onde iríamos passar as duas noites seguintes. Ninh Binh é uma província a sul de Hanói conhecida pelas suas paisagens naturais, enquanto Tam Coc é uma pequena vila dentro dessa região, muito procurada por quem quer explorar rios, arrozais e formações calcárias de perto.
O transfer foi tratado pela própria empresa do cruzeiro e levou-nos diretamente desde o terminal de Halong até ao hotel. A viagem demorou cerca de 3h30 mas foi uma ótima oportunidade para observar o Vietname rural a passar pela janela, com pequenas aldeias e pessoas a trabalhar nos campos.
Ficámos hospedados no Tam Coc Golden Rice Hotel, um hotel simples, mas muito acolhedor e com uma localização perfeita. Ficava praticamente ao lado do rio que atravessa a vila e o caminho até ele era lindíssimo, sempre com o rio a acompanhar-nos ao lado. Bastava sair do hotel e já estávamos mergulhados na paisagem.
Tam Coc Golden Rice Hotel
Ninh Binh é muitas vezes descrita como a “Halong Bay em terra firme” e depois de a visitar percebemos exatamente porquê. As formações calcárias elevam-se abruptamente no meio dos campos e dos rios tranquilos, criando uma paisagem quase surreal. Aqui tudo parece mais calmo e mais ligado à natureza.
Mua Cave
Ninh Binh é muitas vezes descrita como a “Halong Bay em terra firme” e depois de a visitar percebemos exatamente porquê. As formações calcárias elevam-se abruptamente no meio dos campos e dos rios tranquilos, criando uma paisagem quase surreal. Aqui tudo parece mais calmo e mais ligado à natureza.
Na primeira manhã alugámos bicicletas no hotel e saímos bem cedo para evitar o calor. O nosso destino era a Mua Cave, um dos miradouros mais famosos da região. A viagem até lá demorou cerca de 30 minutos e foi bastante fácil, sempre em terreno plano. Pelo caminho atravessámos arrozais com vistas lindíssimas, que nos fizeram parar algumas vezes só para apreciar o cenário. A entrada para a Mua Cave custou 200.000 dongs (cerca de 6,8€) para os dois, mais 10.000 dongs (0,35€) para estacionar as bicicletas.
A subida é feita por uma escadaria de pedra com cerca de 500 degraus que serpenteiam pela encosta da montanha. Não é uma subida propriamente fácil. Alguns troços são bastante inclinados e naquele dia ainda tínhamos uma ligeira morrinha que tornava os degraus escorregadios. A subida exige algum esforço e a descida acaba por não ser muito mais agradável, precisamente por causa da inclinação e da pedra molhada.
Mas ao chegar ao topo, tudo compensa. A vista abre-se sobre a região de Ninh Binh, com os arrozais a perder de vista e as formações calcárias a erguerem-se de forma abrupta no meio da paisagem. Lá em cima, mais ou menos a meio caminho do percurso, há uma bifurcação que leva a dois pontos diferentes. Fomos pelo lado esquerdo, o mais conhecido, onde fica o famoso dragão de pedra no topo, que é também o percurso mais cénico e que permite ter vistas dos dois lados. Para a frente os arrozais de Ninh Binh, compondo uma das imagens mais icónicas de Ninh Binh. Para trás, erguem-se as montanhas calcárias, altas e imponentes que dão ainda mais dimensão ao cenário.
Apanhámos a vista completamente desimpedida, embora com um ligeiro nevoeiro que acabou por dar ao lugar uma atmosfera especial, quase mística. Não era o céu limpo de postal, mas foi precisamente isso que tornou o momento mais memorável.
Um conselho importante é subir cedo!! O calor aperta rapidamente e os degraus não dão grande descanso. Ir de manhã, com o ar ainda fresco e menos gente, faz toda a diferença e permite aproveitar o topo com muito mais calma.
Ao descer passámos também por um campo de flores de lotus dentro do complexo da Mua Cave. É um espaço cheio de flores de lotus que se tornou muito popular para fotografias, com várias pessoas a posar entre as plantas e a aproveitar o cenário. Ainda vimos alguns trabalhadores a tratar do espaço e a limpar a zona
Campo de flores de lotus
Trang An
Uma vez que fomos à Mua Cave bem cedo, quando chegamos às bicicletas ainda na parte da manhã, achámos melhor fazer caminho também para Trang An, outro dos pontos mais impressionantes da região e que ficava a mais uns 40 minutos a pedalar. Trang An faz parte de um complexo natural classificado como Património Mundial da UNESCO e é conhecido pelos seus rios que atravessam montanhas calcárias e grutas naturais.
Trang An ganhou também fama internacional por ter servido de cenário a várias cenas do filme Kong: Skull Island, da saga King Kong lançado em 2017, aproveitando precisamente este ambiente quase selvagem criado pelas montanhas calcárias e pelos rios que serpenteiam entre elas, tendo existido durante algum tempo um pequeno cenário construído para as filmagens que acabou por ser removido para preservar esta paisagem protegida pela UNESCO.
Os passeios fazem-se em pequenos barcos conduzidos por remadores locais. Existem três rotas possíveis e escolhemos a rota número 3, que nos pareceu a mais interessante. O passeio custou cerca de 32€ para os dois.
Durante o percurso navegamos por rios estreitos, atravessamos várias grutas naturais escavadas pela água ao longo de milhares de anos e paramos em pequenos templos escondidos entre as montanhas. Uma das grutas tinha cerca de 1000 metros de comprimento, e em vários momentos tivemos mesmo de nos deitar dentro do barco para não bater com a cabeça no teto da rocha, o que tornou a experiência ainda mais impressionante.
Rio Ngô Đồng
Ao final da tarde regressámos a Tam Coc e decidimos fazer também o passeio de barco no rio Ngô Đồng, que atravessa o centro da vila. Aqui existe uma curiosidade que chama imediatamente a atenção. Os remadores conduzem o barco com os pés em vez das mãos. Esta técnica permite-lhes remar durante mais tempo e com menos esforço, algo que faz muita diferença quando passam horas seguidas a transportar visitantes.
O passeio custou 500.000 dongs (17€) para os dois e terminou já com o cair da noite. O passeio é bem mais pequeno que o de Trang An mas a beleza é igualmente de nos tirar o folêgo. O fim deste passeio de barco, ao chegar novamente à vila, teve um sabor ainda mais surpreendente com as lanternas a iluminar a vila e o reflexo das luzes na água a criar um ambiente muito especial. Não podíamos ter finalizado de melhor maneira.
Sabias que?
Tam Coc significa “três grutas” e refere-se às três grutas principais atravessadas pelo rio Ngô Đồng durante o passeio de barco: Hang Cả, Hang Hai e Hang Ba.
Despedida e balanço final
Durante a estadia também aproveitámos para experimentar alguns restaurantes locais. Jantámos no Family Restaurant e no Chef Hien, conhecido pelo seu prato de pato, e ambos foram excelentes escolhas. A comida era deliciosa e cheia de sabor e foi onde o Tiago encontrou uma das maiores pechinchas da viagem. Canecas de cerveja a 7.000 dongs (0,20€). Não é por acaso que muitos dizem que no Vietname se bebe uma das cervejas mais baratas do mundo…
O dia que nos despedimos de Tam Coc, tivemos uma slow morning com direito a uma bebida e almoço à beira do rio enquanto fazíamos tempo para a chegada do carro que nos ia levar ao aeroporto de Hanoi. Optámos por ir num táxi por ser mais comodo do que o autocarro. A reserva foi feita pelo 12Go e ficou por 30€. Para uma viagem de 2h30 achámos o preço bem acessível.
Ninh Binh acabou por ser uma das regiões que mais nos marcou em todo o Vietname. A paisagem é simplesmente deslumbrante e o ambiente muito mais tranquilo do que nas grandes cidades. Foi um lugar onde conseguimos abrandar e apreciar o país com outro ritmo.
Olhando para trás, talvez tivéssemos acrescentado facilmente mais um dia aqui para nos podermos perder com calma pelos arrozais… mas sem duvidas que Tam Coc e Ninh Binh ficaram como um dos pontos altos da nossa passagem pelo Vietname e para mim, um dos lugares mais bonitos de toda a viagem.
