Cuba é uma ilha única no coração do Caribe. Um país onde o tempo parece ter abrandado mas a vida pulsa em cada esquina. Aqui, história, música e natureza misturam-se num cenário que dificilmente se esquece. Dos clássicos americanos que percorrem as ruas de Havana às praias de areia branca banhadas por águas turquesa, tudo em Cuba tem um charme próprio, um certo toque de nostalgia com sabor a rum e sons de salsa ao fundo.
A capital Havana é o ponto de partida perfeito. Com os seus edifícios coloniais a precisarem de restauro ou talvez não porque é esse desgaste que também conta a história, praças cheias de vida, murais da Revolução e bares onde o tempo se estende ao ritmo dos mojitos, é uma cidade onde cada rua guarda um capítulo da alma cubana.
Mas Cuba é muito mais do que Havana. É o Vale de Viñales e os campos de tabaco onde nascem os famosos charutos. É Trinidad com as suas ruas empedradas e casas coloridas. É Cienfuegos com a sua herança francesa. É Varadero, Cayo Coco e Cayo Guillermo, nomes que soam a postal e são mesmo isso, paraísos tropicais perfeitos para descansar. E depois há a música, claro, omnipresente e contagiante e uma população acolhedora que recebe quem chega com sorrisos genuínos mesmo quando os recursos são escassos.
Visitar Cuba é mergulhar num mundo à parte. Há desafios logísticos, há limitações tecnológicas mas há também uma autenticidade que poucos destinos conseguem manter. É um lugar que obriga a abrandar, a observar mais e a viver mais devagar e é nessa lentidão que muitas vezes se encontram os melhores momentos de viagem.
Para entrar em Cuba, os cidadãos portugueses necessitam de visto e de passaporte com uma validade mínima de seis meses à data da chegada ao país.
Desde julho de 2024, o visto de turismo passou a ser emitido exclusivamente em formato eletrónico. O pedido deve ser feito através do site oficial evisacuba.cu. Este visto permite uma única entrada no país, com uma estadia máxima de 90 dias, podendo ser prorrogado uma vez.
Além do visto, é obrigatório preencher o formulário digital D'Viajeros, disponível em dviajeros.mitrans.gob.cu. O formulário deve ser submetido nas 48 horas que antecedem o voo.
É também exigido um seguro de saúde válido para todo o período da estadia. As autoridades podem pedir a apresentação do comprovativo à chegada, por isso é recomendável tê-lo em formato físico ou digital à mão.
Existem restrições aduaneiras que os viajantes devem conhecer, sobretudo no que diz respeito aos produtos autorizados na bagagem. A informação detalhada está disponível em cuba.travel.
Por fim, é importante notar que quem viajou para Cuba poderá precisar de solicitar um visto específico para entrar nos Estados Unidos, já que o ESTA deixou de ser válido nesse caso. Esta regra aplica-se mesmo a viagens separadas no tempo. Antes de planear uma ida aos EUA após visitar Cuba, consulte o site oficial do ESTA para mais informações.
Atualmente, não existem voos diretos regulares entre Portugal e Cuba, mas é possível chegar ao país com relativa facilidade através de ligações com escala em cidades europeias como Madrid, Paris ou Amesterdão. As principais companhias que operam voos para Cuba incluem a Iberia, Air France, KLM e a Air Europa.
Uma das formas mais comuns de viajar para Cuba a partir de Portugal é através de pacotes turísticos com voo charter incluído, especialmente durante a época alta. Estes pacotes costumam incluir voos diretos para Varadero ou Havana, com partidas de Lisboa ou Porto, organizados por operadores como a Soltour, Jolidey ou outras agências de viagens.
O Aeroporto Internacional José Martí, em Havana, é o principal ponto de entrada no país, seguido pelo Aeroporto de Varadero (Juan Gualberto Gómez), bastante utilizado para viagens com destino às estâncias balneares da região.
Recomenda-se verificar com antecedência as opções de voo e considerar os pacotes turísticos, que muitas vezes oferecem melhores preços e incluem também alojamento e transferes.
Cuba é, de forma geral, um dos países mais seguros da América Latina para turistas. A taxa de criminalidade violenta é relativamente baixa e há uma forte presença policial, especialmente em zonas turísticas como Havana, Varadero, Cayo Coco ou Trinidad. Os visitantes normalmente sentem-se tranquilos a passear tanto de dia como à noite, mesmo nas grandes cidades.
No entanto, tal como em qualquer outro destino, convém manter algumas precauções básicas. Os casos mais comuns são pequenos furtos, como carteiristas em locais muito movimentados ou roubos de objetos deixados sem vigilância. É recomendável evitar ostentar bens de valor e guardar os documentos importantes num local seguro, como o cofre do hotel.
Se alugar um carro, tenha atenção redobrada à condução em estradas menos iluminadas ou com sinalização deficiente. E lembre-se que a assistência rodoviária pode ser limitada em algumas regiões.
Para viajar para Cuba, é obrigatório apresentar um seguro de viagem com cobertura médica válida para todo o período de estadia. À chegada, as autoridades podem pedir prova desse seguro, sendo comum exigirem a apólice em papel.
Embora Cuba tenha um sistema de saúde gratuito e com boa reputação local, os cuidados médicos para estrangeiros são prestados em clínicas e hospitais específicos para turistas, que funcionam com pagamento direto ou através do seguro. Nestes centros, o atendimento costuma ser eficiente, mas as infraestruturas podem variar e nem sempre há disponibilidade de medicamentos.
Não são exigidas vacinas específicas para entrada no país, mas recomenda-se manter as vacinas de rotina em dia. Se viajar para zonas rurais ou planear atividades de maior risco, é aconselhável consultar um viajante especialista em medicina do viajante com antecedência.
Em Cuba, a eletricidade apresenta algumas particularidades que requerem atenção. Embora em muitos locais se usem tomadas de 110V com frequência de 60Hz, também há alojamentos (sobretudo hotéis mais modernos) com corrente de 220V. Por isso, é essencial verificar a voltagem no local onde vai ficar alojado e confirmar se os seus dispositivos são compatíveis.
Quanto ao tipo de tomadas, em Cuba predominam as fichas do tipo A e tipo B, que não são compatíveis com as fichas portuguesas. É necessário levar um adaptador de viagem.
Por norma, aparelhos como carregadores de telemóvel, portáteis e câmaras fotográficas são bivolt (funcionam tanto a 110V como a 220V), mas confirme sempre nas especificações do equipamento.
O roaming em Cuba é, em geral, bastante limitado e dispendioso para quem leva um número português. Embora algumas operadoras portuguesas ofereçam cobertura, os custos com chamadas, SMS e dados móveis são elevados, tornando o uso do plano nacional pouco recomendável.
Uma das alternativas mais viáveis é adquirir um eSIM internacional para dados móveis antes da viagem. Uma opção bastante utilizada é o Holafly, que permite navegar com dados móveis ilimitados em Cuba, sem necessidade de trocar o cartão físico do telemóvel. A cobertura é estável nas zonas urbanas e turísticas, mas pode ser limitada em áreas mais remotas.
Outra alternativa é comprar um cartão SIM local da operadora estatal cubana ETECSA, que tem pontos de venda em aeroportos, centros das cidades e lojas oficiais. No entanto, o processo pode ser burocrático e há limites de dados disponíveis.
Cuba tem um clima tropical, com temperaturas agradáveis ao longo de todo o ano. Divide-se, essencialmente, em duas estações: a estação seca, que vai de novembro a abril e a estação húmida de maio a outubro.
Durante a estação seca o tempo é mais ameno e há pouca precipitação, o que torna esta a melhor altura para visitar o país. As temperaturas médias variam entre os 22 °C e os 28 °C, com noites agradáveis e dias geralmente ensolarados, ideal para explorar as cidades coloniais ou aproveitar as praias de areia branca.
Na estação húmida, as temperaturas sobem ligeiramente (entre os 25 °C e os 32 °C) e a humidade torna-se mais elevada. As chuvas surgem normalmente sob a forma de aguaceiros intensos mas de curta duração, muitas vezes ao fim da tarde. Esta época coincide também com a temporada de furacões no Caribe, que vai de junho a novembro, sendo mais ativa entre agosto e outubro.
Apesar de o risco de furacões não ser elevado todos os anos, é recomendável verificar as previsões meteorológicas antes da viagem, especialmente se viajar nos meses de verão.
A gastronomia cubana é simples mas saborosa, refletindo uma fusão de influências espanholas, africanas e caribenhas. Os pratos típicos baseiam-se em ingredientes locais como arroz, feijão, banana, mandioca, carne de porco e frango. O peixe fresco e o marisco também estão presentes especialmente nas zonas costeiras.
Um dos pratos mais emblemáticos é o ropa vieja, feito com carne de vaca desfiada em molho de tomate servido com arroz branco e feijão. Outros pratos tradicionais incluem o lechón asado (porco assado), moros y cristianos (mistura de arroz com feijão preto) e tostones (rodelas de banana verde frita).
Nos resorts e hotéis de maior dimensão, especialmente nas zonas mais turísticas como Varadero ou Cayo Coco, há oferta de buffets internacionais, com variedade suficiente para agradar à maioria dos paladares. No entanto, fora destes circuitos, os restaurantes podem ter ofertas mais limitadas, tanto em variedade como em disponibilidade de ingredientes devido a restrições económicas e logísticas do país.
Cuba é um destino com custos variados, dependendo do tipo de viagem que se pretende fazer. Para muitos turistas portugueses, a forma mais simples e prática de visitar o país é através de um pacote de férias que inclui voo, alojamento, transferes e muitas vezes, regime de tudo incluído. Este tipo de solução é bastante comum e permite uma boa relação qualidade-preço especialmente para quem pretende apenas relaxar nas praias e fazer algumas excursões organizadas.
Fora dos resorts, os preços podem ser menos previsíveis. A dualidade monetária que existia até há alguns anos foi eliminada e atualmente a moeda oficial é o peso cubano (CUP). No entanto, muitos serviços voltados para turistas aceitam pagamentos em euros, dólares ou através de cartões de pagamento internacionais. Convém, no entanto, informar-se sempre sobre o método de pagamento aceite em cada local.
As excursões contratadas à parte nos hotéis ou com operadores locais podem ter preços elevados para o padrão cubano, especialmente quando incluem transporte privado e refeições. Ainda assim, são uma das poucas formas práticas de conhecer locais como Havana, Viñales ou Trinidad quando se está alojado numa zona balnear como Varadero ou Cayo Coco.
Em Cuba o acesso a terminais multibanco pode ser limitado e nem todos os cartões funcionam, especialmente os emitidos por entidades norte-americanas. Cartões como o Revolut costumam funcionar bem mas é prudente levar também algum dinheiro em espécie (euros), que pode ser trocado localmente por pesos cubanos.
Os transportes em Cuba variam bastante entre as zonas turísticas e o resto do país. Quem viaja em regime de tudo incluído com pacote organizado costuma ter transferes entre o aeroporto e o hotel incluídos e muitas das excursões são feitas com transporte próprio do operador, em autocarros modernos e com ar condicionado destinados exclusivamente a turistas.
Para quem pretende explorar Cuba para além dos resorts, as opções incluem autocarros intermunicipais da Viazul, uma empresa estatal com rotas entre as principais cidades turísticas como Havana, Viñales, Trinidad, Cienfuegos ou Santiago de Cuba. Estes autocarros são confortáveis, mas os horários são limitados e recomenda-se comprar os bilhetes com antecedência.
Outra possibilidade é alugar carro. No entanto, esta opção pode ser desafiante: a sinalização é escassa, os mapas e GPS nem sempre funcionam corretamente e a disponibilidade de combustível pode ser incerta. Além disso, o aluguer de carros tem preços elevados para os padrões cubanos.
Os táxis turísticos são abundantes nas principais cidades e zonas balneares. Há táxis oficiais, mas também muitos veículos particulares, incluindo os icónicos carros clássicos dos anos 50, que podem ser usados para passeios ou transferes. O preço deve ser combinado antecipadamente, pois os táxis não usam taxímetro.
Em cidades como Havana, existe ainda a opção dos chamados “coco-táxis” (mototáxis com forma arredondada e amarelos), ou bicitáxis, ideais para deslocações curtas e para uma experiência mais autêntica.
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