Escolha da tour
A Baía de Halong foi uma das experiências que mais aguardávamos no Vietname. Pesquisámos durante dias até perceber que quase todos os cruzeiros ofereciam atividades muito semelhantes. O que realmente fazia a diferença era o conforto do barco, o tamanho do grupo e a qualidade dos quartos. Queríamos algo especial, com calma, privacidade e boa vista, por isso optámos por gastar um pouco mais e, através da GetYourGuide, reservar um cruzeiro um bocado melhor. O quarto do barco que escolhemos, tinha varanda, banheira com um janelão virada para a água e janelas enormes que mais pareciam um quadro atrás de quadro.
Sabias que?
Halong Bay significa “Baía do Dragão Descendente”. Segundo a lenda, dragões enviados pelos deuses desceram à terra para proteger o Vietname de invasores, cuspindo pedras preciosas que deram origem às milhares de ilhas de calcário que hoje formam a baía.
A ida à Baía de Halong logo depois de Sa Pa acabou por ser uma das melhores decisões do nosso roteiro. Depois de todo o cansaço físico e emocional das montanhas, este cruzeiro foi exatamente o que precisávamos. Durante dois dias desligámo-nos por completo do mundo. Não havia rede nos telemóveis nem internet a bordo. Foi quase terapêutico ter de abrandar, olhar em volta e simplesmente estar ali a absorver aquela atmosfera.
Chegada ao cruzeiro
O transfer não estava incluído, mas a própria empresa tratou de tudo através do WhatsApp. Pedimos pick up em Hanói e drop off em Ninh Binh para facilitar o nosso percurso. No dia da partida, como combinado, apanharam-nos no hotel numa daquelas carrinhas que no Vietname são conhecidas como transporte VIP. São mais confortáveis do que parecem à primeira vista e as duas horas de viagem até ao terminal de embarque passaram depressa.
A empresa do cruzeiro era a La Casta Cruises. À chegada fizemos o check-in e fomos recebidos com uma bebida de boas-vindas. Pouco depois embarcámos num ferry que nos levou até ao barco principal, cerca de quarenta minutos depois. Quando finalmente vimos o nosso cruzeiro aproximar-se, percebemos que não era muito grande, o que significava menos gente a bordo e um ambiente mais tranquilo.
O Quarto
O quarto era ainda mais bonito do que esperávamos e a vista era incrível, mas rapidamente percebemos que aquelas janelas enormes tinham de estar sempre com o estore fechado na zona da casa de banho. Ficámos alojados no piso inferior, quase ao nível da água e quando passavam barquinhos a vender bebidas e snacks, dava perfeitamente para verem o interior do quarto se a janela estivesse aberta. Nada que nos tenha estragado a experiência, mas o pormenor prático acabou por nos apanhar de surpresa.
Atividades
Durante os dois dias, fizemos várias atividades que, apesar de comuns à maioria dos cruzeiros, foram momentos muito especiais. Visitámos a Dark and Light Cave num pequeno barco de bambu (que de bambu não tinha nada para além do nome). Foi um passeio sereno onde o silêncio da água contrastava com a imponência das paredes de pedra. Havia a possibilidade de fazer a visita em caiaque e depois do que vimos não aconselho nada a fazê-lo. O tempo dado naõ é assim tanto e a distância ainda é alguma. Quem foi de caiaque chegou ao barco todo transpirado e com os “bofes de fora”. Participámos numa pequena aula de cozinha, tentámos a pesca de lulas quando caiu a noite e mergulhámos ao largo do barco no final da tarde, onde descobri que a água da baía é bastante salgada.
O cruzeiro também oferecia uma aula de tai chi ao nascer do sol, mas preferimos ficar a dormir. A verdade é que aquela cama e aquela vista pediam uma manhã lenta e assim o fizemos sem arrependimentos. No deck superior havia ainda uma pequena piscina, perfeita para relaxar entre paragens e a sala de refeições era luminosa e elegante, com grandes janelas viradas para o mar.
Há um detalhe importante para quem estiver a planear um cruzeiro. As bebidas, tanto às refeições como no bar, são sempre pagas à parte. Não houve surpresas no preço, mas vale a pena saber isto antes de embarcar. Há hora das refeições apenas existe água que é gratuita e durante o passeio, os tais barquinhos que se aproximam, têm álcool e snacks para vender com preços bem mais acessíveis.
Por do sol
O pôr do sol foi um dos momentos mais bonitos destes dois dias. O céu ganhou tons dourados e rosados que se refletiam na água calma. Ficámos sem palavras enquanto o barco deslizava entre as ilhas e foi ali que percebemos porque é que a Baía de Halong é considerada uma das paisagens naturais mais impressionantes da Ásia. Não é só bonita, é hipnotizante!
Sabias que?
Halong Bay é Património Mundial da UNESCO, tendo sido classificada por duas vezes, em 1994 e 2000, graças à sua beleza natural e à sua importância geológica. A paisagem é composta por mais de 1.600 ilhas e ilhotas que emergem da água de forma quase irreal. A maioria é desabitada e apresenta formas únicas, esculpidas ao longo de milhões de anos pela erosão do calcário.
Ao navegar pela baía, é impossível não começar a ver figuras nas rochas. Muitas das ilhas receberam nomes precisamente por causa dessas formas curiosas. Há quem veja galos em confronto, cães, tartarugas ou até incenso a arder. É um jogo constante entre a natureza e a imaginação, que torna cada momento na baía ainda mais especial.
Terminámos o cruzeiro no final da manhã do segundo dia com um pequeno-almoço em estilo brunch. Depois voltámos ao ferry que nos levou de volta ao terminal, onde esperámos pelo transporte que nos levaria até Tam Coc, local onde iríamos ficar nas duas noites seguintes. A viagem continuava e nós seguíamos com a sensação de termos vivido algo realmente especial, um daqueles momentos que guardamos para sempre.
