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Estadia em Wadi Musa
Falar da Jordânia é obrigatoriamente falar de Petra, o grande ex-líbris do país e uma das 7 maravilhas do mundo. E foi por aqui que decidimos começar a nossa viagem pela Jordânia.
As nossas duas primeiras noites foram em Wadi Musa, a cidade que alberga Petra. Assim que chegámos, fomos diretos ao hotel que reservámos pelo Booking.com, como sempre fazemos. Os poucos comentários que tinha eram bons, mas havia poucas fotos e informações sobre o hotel. Foi o mais barato onde ficámos na Jordânia. Por duas noites, pagámos 32€. Ficámos com um pé atrás, mas mesmo assim decidimos arriscar.
A caminho, passámos por vários hotéis com muito bom aspeto vistos da estrada, mas nós continuávamos em direção ao limite da cidade, sem saber o que íamos encontrar. Até metemos a hipótese de, se não gostássemos do que víamos, voltarmos atrás para um dos hotéis que tínhamos passado. Chegámos ao nosso destino e víamos um prédio com ar de quem ainda estava em obras, uma placa pequenina a informar sobre o estacionamento e mais nada. Parámos o carro no parque e logo apareceu um senhor à porta a ver quem ali estacionava. Olhámos um para o outro e decidimos arriscar pelo menos a primeira noite. Relembro que era a nossa primeira experiência no Médio Oriente e com estes modos de vida.
O senhor que nos atendeu, o dono, contou-nos que vivia lá e que, por causa da guerra, todas as reservas que tinha foram canceladas e que nós éramos os únicos hóspedes. Perguntámos a que horas era o pequeno-almoço e, ao ouvir a resposta, dissemos que não queríamos, pois iríamos sair cedo para estar em Petra logo à abertura, às 6h30. Com simpatia, disse-nos que podia deixar o pequeno-almoço na receção para levarmos. Aceitámos logo.
Seguimos para o quarto para descansar, pois o dia seguinte começava cedo e prometia grandes caminhadas. O quarto era simples, mas tinha tudo o que precisávamos: casa de banho, ar condicionado e era super limpo. Por fora, o aspeto não era o melhor, mas por dentro era bom.
E finalmente chegava o dia em que ia conhecer Petra e tal como prometido, na recepção estavam dois sacos com o pequeno-almoço: pão, dois ovos cozidos, queijinhos, tomate, doce, manteiga e sumo.
Chegada a Petra
Fomos de carro até ao Petra Visitor Center, numa viagem de cerca de 10 minutos. Por ser cedo, não tivemos dificuldades em estacionar perto da entrada. Apesar de termos o Jordan Pass, que inclui a entrada em Petra, tivemos de ir à bilheteira para levantar os bilhetes. Antes das cancelas de entrada, há lojas, cafés e restaurantes, casas de banho e o Petra Museum, que é gratuito e explica um pouco da história do local. Vimos também pessoas a “vender” a visita num carro tipo os de golfe mas nós optámos por ir a pé.
Percorrer o Siq
Andámos cerca de 15 minutos por um caminho de terra batida, praticamente sem nada para ver, até entrarmos no Siq – o deslumbrante desfiladeiro de 1,2 km, com paredes que chegam quase aos 200 metros de altura. Caminhar por ali rodeados por estas enormes rochas faz-nos sentir realmente pequenos enquanto seguimos caminho até ao Tesouro, após mais 15 minutos de caminhada.
Ao fazer a última curva do Siq e ver aquela tão esperada fachada rosa do Tesouro, foi uma sensação indescritível. Eu estava ali! Dezassete anos depois de a ter visto pela primeira vez na televisão e de sonhar um dia estar ali, agora estava mesmo à minha frente. Não era na TV nem um sonho. Era real e quase só para mim, pois, por ser cedo, não havia quase ninguém. Os olhos encheram-se de água com o que estava a ver.
O Tesouro
O Tesouro é a atração mais icónica de Petra, a mais fotografada. Vimos dois camelos à sua frente, usados pelos turistas para fotos. O edifício tem 25 metros de largura e 39 de altura e acredita-se que foi um mausoléu, embora haja quem diga que servia para armazenar riquezas.
Mas Petra não é só o Tesouro. Foi uma cidade comercial que conectava rotas entre o Mediterrâneo, Arábia, Egito e Índia. Foi fundada no século IV a.C. pelos nabateus, um povo árabe que dominava o comércio de incenso, mirra, especiarias e seda, tornando-a rica. No século I d.C., foi anexada pelo Império Romano, prosperando com influências arquitetónicas romanas. No século III, perdeu importância devido ao desvio das rotas comerciais e a desastres naturais, como o terramoto de 363 d.C., que danificou estruturas-chave.
Sabias que?
Os nabateus construíram a cidade esculpida nas rochas e desenvolveram um sistema de água dos mais sofisticados da antiguidade numa região desértica e árida o que permitiu que Petra prosperasse por séculos. Tinham canais e aquedutos esculpidos na rocha, cisternas para armazenar a água e construíram barragens para controlar cheias.
Percurso até ao Mosteiro
No mapa que nos deram à entrada, havia vários percursos que podíamos fazer. Nós fizemos o que achámos ser o mais central até ao Mosteiro. Vimos o Teatro Romano com capacidade para cerca de 7000 pessoas. Vimos também as Tumbas Reais que são vários túmulos esculpidos na montanha. E passámos pela principal via da cidade, a Rua Colunada. Fica no coração de Petra e era aqui que aconteciam transações comerciais, cerimónias e eventos públicos.
Anfiteatro de Petra
Rua colunada
Mosteiro
Rua colunada
Fachada do Tesouro
Tumbas reais
Clique nos locais para ver a fotografia
E eis que chegámos ao que parecia ser o fim da cidade, pelo menos de caminho fácil, pois agora tínhamos que fazer ainda uma longa subida pela montanha. Segundo dizem são 800 degraus! Se eram 800 degraus ou não, não sei porque o caminho não era sempre em degraus, mas que me custou imenso subir, custou. Pelo caminho fomos vendo burros carregados de bebidas e outras coisas para as várias barraquinhas de venda que íamos encontrando pelo caminho e para os cafés e restaurante que se encontram no fim do caminho junto ao Mosteiro. Não havia outra maneira de lá chegar. Nada de carros. Apenas subir a montanha a pé ou de burro. Sim! Também vimos turistas a fazer a subida em cima dos desgraçados dos burros. Custou-me imenso ver aquilo. Depois, claro, eu chego lá acima toda transpirada e com o coração quase a sair pela boca e estas pessoas chegam lá fofas e frescas prontas para as poses do instagram. Custa-me subir? Claro que sim! Subir é o meu calcanhar de Aquiles e vou o caminho todo a reclamar comigo por me meter naquilo. Sim é verdade. Mas eu estou ali porque quero, os animais não. Também é verdade que quando chego ao topo o objetivo supera tudo o que passei na subida! É sempre assim. As vistas pelo caminho também são fabulosas, mas só as consegui apreciar na descida.
O Mosteiro
E depois de cerca de 1h30, finalmente chegámos ao Mosteiro. Para mim, ainda é mais imponente que o Tesouro por ser maior. Tem 47 metros de largura e 48 de altura. Acredita-se que também era um mausoléu ou um templo.
Por fim, fizemos o caminho todo para trás até à entrada do visitor center. Ao todo, ir e vir, demorámos cerca de 5 horas. Numa das várias lojas, acabámos por comprar os típicos lenços que eles usam na cabeça e fomos ver o museu.
Comer em Wadi Musa
Cansados e cheios de fome, decidimos ir almoçar ao centro de Wadi Musa. Escolhemos o Elan Restaurant por ter vários pratos típicos do país. Pedimos hummus, mansaf, musakhan e kunafa. No fim ainda bebemos o chá e o turkish coffe.
Durante o almoço, ouvimos o chamamento (Adhan) para a oração. No total as mesquitas fazem 5 chamadas por dia:
- Fajr (aurora) – antes do nascer do sol
- Dhuhr (meio-dia) – quando o sol está no ponto mais alto
- Asr (tarde) – no final da tarde, antes do pôr do sol
- Maghrib (pôr do sol) – logo após o sol se pôr
- Isha (noite) – já à noite, antes de dormir
No fim do almoço aproveitámos para dar um passeio pelas ruas da cidade e fomos até ao hotel descansar um pouco porque à noite iríamos voltar a Petra. Sesta feita e energias repostas, fomos novamente até à zona de Petra. Jantámos ali perto no My Moms Recipe Restaurant e comemos kebab.
Jantar no My Mom's Recipe
Se quiser saber mais sobre a gastronomia da Jordânia, pode ler o nosso artigo sobre a gastronomia do país aqui!
Petra by night
Depois fomos novamente até à bilheteira do Visitor Center para comprar os bilhetes do Petra by Night que não estão incluídos no Jordan Pass e custam 17 JOD.
Foi por causa do Petra by Night que o nosso roteiro da Jordânia começou logo por Petra. O Petra by Night só acontece às segundas, quartas e quintas-feiras e esta era a noite mais conveniente que teríamos para o ir ver.
Mas o que é o Petra by Night? Muito resumidamente é um espetáculo de música e luz. Iniciámos com a caminhada até ao Tesouro pelo Siq, mas desta vez iluminado com velas. No final do Siq as luzes aumentam gradualmente até que o Tesouro se revela completamente iluminado mostrando a sua verdadeira imponência. Durante o espectáculo temos uma apresentação de música tradicional beduína, tocada ao vivo com um rababa, um instrumento de cordas típico da região, acompanhada por uma narração sobre a história de Petra.
O ambiente é mágico. A organização do espetáculo disponibiliza bancos para nos sentarmos e chá para nos aquecermos na noite fria. O espetáculo verdadeiramente dito de música e diversas cores refletidas no Tesouro, sinceramente não me disse nada, é muito pobre e com pouca emoção, mas a experiência de percorrer o Siq entre as luzes e a penumbra e depois ver o Tesouro iluminado à luz das velas fez valer cada momento da experiência.
