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Porquê a Jordânia?
A Jordânia foi o nosso primeiro país na Ásia, o nosso primeiro país árabe e a nossa primeira experiência no Médio Oriente. Mas porquê a Jordânia para darmos este salto para o mundo muçulmano?
A verdade é que nunca esteve nos nossos planos. Apesar de Petra fazer parte dos meus sonhos desde 2007, quando foi eleita uma das 7 Maravilhas do Mundo, nunca considerei realmente que um dia a visitaria. Na altura, fiquei fascinada com a cidade rosa esculpida na pedra e fui ver no mapa onde ficava. Sim, nessa altura não fazia ideia de onde ficava a Jordânia. Quando percebi a proximidade com o Iraque e a Síria – zonas que, para mim, estavam associadas a guerra e terrorismo – acabei por guardar esse sonho numa gaveta, convencida de que jamais lá iria. Mas o universo tem formas curiosas de alinhar os caminhos e conspirou a nosso favor.
O Tiago andava a jogar um jogo online e falava com muitas pessoas do Médio Oriente – Qatar, Egito, Emirados Árabes Unidos, Cisjordânia… Mas havia um com quem falava mais frequentemente, e era da Jordânia. Do nada, a gaveta onde tinha guardado o meu sonho antigo abriu-se, e voltei a falar sobre o meu desejo de visitar Petra.
Só que, agora, a guerra estava mesmo ao lado, na Cisjordânia, na Faixa de Gaza, em Israel. As notícias mostravam um cenário tenso e instável. O Tiago comentou com o amigo jordano sobre a minha vontade de conhecer Petra e o receio da guerra. A resposta dele foi simples e direta: não havia razão para medo, a Jordânia era segura. O país tinha um antigo acordo de paz com Israel e, ao mesmo tempo, fazia parte da Liga Árabe, mantendo boas relações com os países muçulmanos vizinhos. Mas foi uma frase em particular que me ficou na memória: “A Jordânia é a Suíça do Médio Oriente.”
E foi com estas palavras que a minha vontade de ir a Petra cresceu ainda mais. E por que razão só falava em Petra? Porque, na verdade, desconhecia completamente o que mais havia para ver na Jordânia. Mas, assim que comecei a pesquisar sobre o país e percebi tudo o que havia para explorar, decidi: a nossa próxima viagem seria para a Jordânia. Estava eufórica, só falava nisso, cheguei mesmo a sonhar com a viagem.
Normalmente, estas viagens maiores, fazemo-las em setembro, e gosto de ter tudo comprado e reservado o mais tardar em maio. Mas, com a guerra entre Israel e o Hamas a escalar, fomos adiando a compra dos bilhetes de avião. Sempre que a situação piorava, desmotivávamos e até começámos a pensar em planos B, C e D para outros destinos. O nosso amigo jordano, no entanto, continuava a dizer-nos que na Jordânia não se passava nada. Em julho, ganhámos coragem, comprámos os bilhetes e fizemos todas as reservas. Era oficial! Íamos à Jordânia!
A felicidade, no entanto, durou pouco. Em agosto, algumas companhias aéreas começaram a cancelar voos para a Jordânia, incluindo a Wizzair, com quem íamos viajar. A cerca de um mês da partida, os voos da companhia estavam a ser cancelados semanalmente. Ficámos à espera do pior. Mas, felizmente, as coisas estabilizaram e os voos voltaram ao normal.
À nossa volta, as reações eram extremas. Ou nos chamavam de loucos ou diziam que éramos extremamente corajosos. Mas o facto de termos informações de alguém que vivia lá dava-nos uma confiança enorme.
Chegou o dia da viagem. Saímos de Lisboa para Milão, onde passámos a noite, pois o voo para Amã era na manhã seguinte, bem cedo. Quando entrei no avião para Amã, senti um frio na barriga. Foi a única vez que hesitei e me questionei se tínhamos tomado a decisão certa. Não era só por causa da guerra, mas também por ser um país muçulmano, com costumes diferentes dos nossos. Perguntava-me como seria tratada como mulher, como seria a nossa adaptação… Mas a dúvida durou apenas um minuto.
Hoje, digo com toda a certeza: a melhor decisão que tomámos foi ir.
O que é a Jordânia?
No coração do Médio Oriente, encontra-se um tesouro escondido: a Jordânia, um país conhecido pela sua história, cultura e paisagens deslumbrantes. Faz fronteira com a Síria, o Iraque, a Arábia Saudita, Israel e a Palestina, além de ser banhada pelo Mar Morto e pelo Mar Vermelho.
Rica em património histórico, é na Jordânia que se encontra a cidade rosa de Petra, esculpida na rocha pelos nabateus, uma civilização antiga. Também alberga as impressionantes ruínas de Jerash, um dos mais bem preservados testemunhos da passagem do Império Romano pela região.
A diversidade de paisagens é outro dos seus atrativos. Dos dourados do deserto de Wadi Rum ao azul-turquesa do Mar Vermelho, passando pelo ponto mais baixo da Terra, o Mar Morto, o país proporciona uma verdadeira montanha-russa de momentos especiais e únicos.
Além disso, a Jordânia tem uma forte importância religiosa, sendo lar de locais sagrados associados ao cristianismo, judaísmo e islamismo.
O nosso itinerário
A Jordânia pode ser pequena em tamanho, mas oferece uma enorme diversidade de experiências e paisagens, além de uma riqueza cultural imensa. A nossa viagem durou oito dias e permitiu-nos explorar tudo o que tínhamos planeado, sem grandes correrias.
- 2 noites em Wadi Musa (The Stunning View)
- 2 noites em Wadi Rum (Bubble Rum Camp)
- 1 noite no Mar Morto (Mujib Chalets)
- 1 noite em Amã (Arab Tower Hotel)
- 1 noite perto do aeroporto (Caprios Motel)
A seguir, descrevo cada local que visitámos, contando a nossa experiência. Para saber exatamente onde fica cada um deles, basta carregar nas coordenadas que estão por baixo de cada título – assim, podem abrir diretamente no Google Maps.
Castelo dos Cruzados de Kerak
Construído no século XII pelos cruzados, o Castelo de Kerak fazia parte de uma rede de fortificações destinadas a proteger rotas comerciais e militares. Teve um papel central nos confrontos entre cruzados e muçulmanos. O castelo é imponente, com vistas fantásticas, mas o seu grande destaque são os túneis subterrâneos.
Sabias que?
As Cruzadas foram expedições militares e religiosas promovidas pela Igreja Católica entre os séculos XI e XIII. O principal objetivo era conquistar e proteger territórios considerados sagrados pelos cristãos, como Jerusalém e outras áreas da Terra Santa, então sob domínio muçulmano. Além disso, pretendiam garantir o acesso seguro dos peregrinos cristãos aos locais sagrados.
Castelo de Kerak
Petra
A Cidade Rosa, uma das Sete Maravilhas do Mundo, tem uma história impressionante para contar. São séculos de história gravados em cada rocha, em cada esquina. Sobre Petra, há muito para dizer, por isso dedico-lhe um post à parte, onde explico como chegar, o que ver e como explorar a cidade, além de informações sobre os preços de entrada e a experiência do Petra by Night que pode ler aqui
Aqaba
O nosso objetivo na cidade era simples: meter os pés no Mar Vermelho. Aqaba é a única cidade costeira da Jordânia, fazendo fronteira com a Arábia Saudita a sul, com Israel a oeste e, do outro lado do mar, com o Egipto.
Embora seja um excelente destino para os amantes de mergulho e snorkel, nós queríamos apenas fazer praia, mas acabámos só por molhar os pés, pois sentimo-nos um pouco desconfortáveis em ficar de fato de banho. A praia estava cheia de locais todos eles vestidos e para evitar destoar ou ferir suscetibilidades, optámos por não usar os fatos de banho. A água era translúcida, com tons verdes e azuis, e morna. Estava perfeita, apesar do vento forte que se fazia sentir. Já na areia, a experiência foi menos agradável: achámos a praia muito suja, com bastante lixo espalhado.
Praia de Aqaba
Demos um rápido passeio pela cidade e fomos almoçar peixe, pois já no avião nos tinham dito que em Aqaba se comia bom peixe.
Devido ao conflito entre Israel e o Hamas, Israel bloqueou o sinal de GPS perto da fronteira, o que afetou também a Jordânia. Em Aqaba, assim como no percurso até ao Mar Morto pela estrada junto à fronteira, o GPS não funcionava corretamente e mostrava a nossa localização como se estivéssemos no aeroporto de Amã.
Para entrar e sair de Aqaba, é necessário passar por controlos, já que a cidade pertence à Zona Económica Especial da Autoridade da Área Especial de Aqaba (ASEZA), onde existem incentivos fiscais. Vimos carros a serem revistados, com alguns condutores a terem de abrir a bagageira para inspeção. No nosso caso, tanto na entrada como na saída, apenas nos pediram o passaporte, perguntaram de onde éramos e desejaram-nos um “Bem-vindos à Jordânia”.
Controlos para entrar e sair de Aqaba
Wadi Rum
O deserto conhecido como o “Vale da Lua” é a casa dos beduínos e um destino popular entre cineastas. Ao longo dos anos, serviu de cenário para inúmeros filmes, como Dune, Star Wars, Prometheus e Transformers, entre outros.
Sobre o Wadi Rum, falo mais detalhadamente noutro post que pode ler aqui
Mar Morto
Situado entre a Jordânia, Israel e a Cisjordânia, o Mar Morto é um destino fascinante com uma paisagem única. Visto da estrada, parece um simples lago, mas, à medida que nos aproximamos da água, começam a destacar-se as imensas “rochas” formadas por depósitos de sal. Algumas são brancas, outras apresentam tonalidades rosadas. Dá para andar sobre elas, mas com algum cuidado, pois podem ser escorregadias.
Rochas de sal no Mar Morto
Sabias que?
O Mar Morto é o ponto mais baixo da Terra, situando-se cerca de 430 metros abaixo do nível do mar. A sua elevada concentração de sal – aproximadamente 10 vezes superior à dos oceanos – impede qualquer forma de vida aquática.
Ficámos alojados nos Mujib Chalets, um conjunto de pequenas casinhas mesmo junto ao Mar Morto. O nosso quarto ficava em frente à escada que dava acesso direto à praia privativa do hotel, o que tornou a experiência ainda mais especial. Foi aí que fomos a “banhos”, aproveitando a tranquilidade do local para desfrutar desta água única.
Mujib Chalets
Já tínhamos estado em águas com elevado teor de sal em Cabo Verde, mas a experiência no Mar Morto é completamente diferente. Enquanto em Cabo Verde estivemos em antigas minas de sal, aqui a paisagem é muito mais natural e imponente, com as formações de sal a emergirem da água e as montanhas áridas ao fundo. Além disso, a capacidade de flutuação é ainda maior. Assim que entrei na água e me virei de costas, os pés automaticamente subiram.
Nunca tentem mergulhar ou molhar os olhos, pois vão arrepender-se! A água pode ser rica em minerais terapêuticos mas acreditem que apenas uns salpicos nos olhos ardem bastante! Eu estava com os pés cheios de bolhas (ainda de Petra) e receava que ardessem imenso. Mas só pensava: “Das duas, uma: ou cura as bolhas ou fico sem pés, mas nunca na vida vou perder esta oportunidade por causa de umas bolhas!” No fim, não ardeu nada e, no dia seguinte, as bolhas estavam praticamente secas.
A parte menos boa é que este lugar fascinante está a desaparecer a um ritmo alarmante. O nível da água desce mais de um metro por ano, principalmente devido ao desvio de água do rio Jordão (a sua principal fonte), ao aumento das temperaturas que intensificam a evaporação e à extração de minerais, especialmente potássio, para a produção de fertilizantes. Se nada for feito, estima-se que o Mar Morto possa desaparecer dentro de cerca de 40 anos.
Ao fim do dia, fomos presenteados com um magnífico pôr do sol.
Pôr-do-sol no Mar Morto
Bethany Beyond the Jordan
Património Mundial da UNESCO desde 2015, Betânia Além do Jordão é o local onde se acredita que João Batista batizou Jesus Cristo.
Este é um sítio de enorme importância religiosa, sendo respeitado por três grandes religiões:
- Cristianismo: um dos locais mais sagrados e importantes para os cristãos.
- Islamismo: João Batista é considerado um profeta no Islão.
- Judaísmo: o rio Jordão está ligado à travessia dos israelitas para a Terra Prometida.
Chegar lá é relativamente fácil, pois o local está bem sinalizado. Basta seguir as placas que indicam Baptism Site. O carro fica estacionado junto ao edifício principal, onde comprámos os bilhetes por 12 JOD cada e vimos uma pequena exposição com informações e fotografias sobre o local.
A visita só pode ser feita em grupo, com guia, e utilizando um mini autocarro que nos leva ao local – não é permitido ir sozinho. Não sabemos se esta regra sempre existiu ou se na altura em que visitámos estava relacionada com os conflitos em Israel. Apesar da proximidade com a fronteira sentimos que era um sítio seguro, fortemente controlado por militares, uma vez que faz parte de uma zona de controlo militar.
Ao longo do percurso fizemos várias paragens sempre acompanhados pelo guia, que deu algumas explicações. Vimos várias igrejas cristãs de diferentes denominações e piscinas/tanques de baptismo que actualmente estão um pouco afastados do rio Jordão.
O rio já não passa no local onde se acredita que Jesus foi batizado pois ao longo dos anos a água foi sendo desviada devido à construção de barragens e ao uso intensivo para consumo e agricultura, alterando significativamente o seu curso natural.
Local do Batismo de Jesus
Para chegar ao rio foi preciso caminhar mais um pouco a pé. Ao aproximarmo-nos a presença militar tornava-se mais evidente, lembrando-nos da proximidade da fronteira. De um lado a bandeira da Jordânia, do outro a de Israel, tão perto que quase parecia possível atravessar com um simples salto.
Rio Jordão
Monte Nebo
Tal como Betânia Além do Jordão, o Monte Nebo é um local sagrado para as mesmas três grandes religiões. No entanto, enquanto Betânia tem maior relevância para o cristianismo, o Monte Nebo destaca-se no judaísmo:
- Judaísmo: foi aqui que Moisés avistou a Terra Prometida antes da sua morte, num momento que simboliza a conclusão do Êxodo e o cumprimento da promessa de uma terra para os israelitas.
- Cristianismo: acredita-se que Moisés morreu e foi enterrado no Monte Nebo, embora o local exato nunca tenha sido revelado.
- Islamismo: Moisés é considerado um dos profetas mais importantes do Islão.
A entrada no Monte Nebo é paga mas como tínhamos o Jordan Pass não precisámos de pagar nada.
Lá no alto encontramos ruínas, uma igreja em memória de Moisés e a cruz com a serpente de bronze que simboliza a cura e a salvação. Mas o grande destaque é a vista panorâmica impressionante de onde se avistam o Mar Morto, Jerusalém, o rio Jordão e claro, a Terra Prometida, estendendo-se para lá do rio.
Monte Nebo
Jerash
Jerash, também conhecida pelo nome árabe Jarash ou pelo nome histórico Gerasa, está localizada a cerca de 50 km a norte de Amã e é considerada uma das cidades romanas mais bem preservadas fora da Itália. Ao visitar Jerash é impossível não ficar fascinado pela visão da vida urbana na Antiguidade.
A entrada para o local é paga mas está incluída no Jordan Pass. A partir do Arco de Adriano, erguido em homenagem ao imperador romano Adriano, tivemos o privilégio de entrar nestas ruínas romanas com mais de 6.500 anos. O arco simboliza a grandiosidade do Império Romano na região e dá as boas-vindas ao visitante com imponência.
Toda a cidade de Jerash é impressionante, transportando-nos no tempo e permitindo-nos imaginar como seria viver naquela época. Entre as suas principais atrações destacam-se o hipódromo, os dois teatros romanos, o Templo de Artemis e o Cardo Máximo. Os que mais nos fascinaram foram o Teatro Sul, que nos fez sentir prestes a assistir a um espetáculo da antiguidade, e o Cardo Máximo, que nos deu a sensação de entrar literalmente numa cidade antiga.
Jerash
O Teatro Sul é uma das estruturas mais impressionantes: gigantesco, super bem conservado e com capacidade para 3.000 espectadores. Este teatro era um ponto de encontro e entretenimento de Jerash, destacando-se pela notável acústica. A sensação de ouvir a voz de alguém em qualquer parte do auditório, sem microfones (claro!), continua a ser impressionante até hoje.
O Cardo Máximo, a rua principal da cidade, é ladeado por colunas de ambos os lados. O estado de preservação das colunas faz desta rua a rua colunada romana mais bem preservada do mundo.
Amã
A nossa chegada à capital do país foi um verdadeiro caos, especialmente no meio do trânsito. Credo! Em Amã, aquilo é uma selva sobre rodas, aparentemente sem regras, sem piscas e com as buzinas como linguagem oficial. Cada cruzamento era teste ao meu sistema nervoso e para chegar ao hotel, fartei-me de “arfar” agarrada ao banco como se estivesse a viver a cena de um filme de ação…
Depois de conseguirmos estacionar o carro e já recuperada do susto, Amã revelou-se uma cidade que cativa. E mais uma vez, cativa pelo caos em si. A cidade mantém essa vibe agitada, mesmo quando se anda a pé. O trânsito é caótico, as buzinas tocam por tudo e por nada, as lojas ocupam os passeios estreitando o espaço entre os produtos e as pessoas, e as luzes intensas das próprias lojas criam uma atmosfera única. Não sei explicar bem, mas eu adorei Amã exatamente por causa desse caos.
Lojas de rua em Amã
A cidade tem uma energia própria, uma vida imensa que nos cativou para andarmos a pé e embora sempre com a máquina fotográfica e o telemóvel na mão, de dia e de noite, nunca nos sentimos inseguros.
As principais atrações de Amã são:
- Mesquita do Rei Abdullah I (não visitámos)
- Mesquita Grand Husseini
- Teatro Romano, Museu do Folklore e Museu das Tradições Populares: a entrada no teatro e nos museus é paga mas também está incluída no Jordan Pass. Estes museus localizados nas laterais do anfiteatro são pequenos, mas muito interessantes.
- Cidadela de Amã: situada no topo de uma colina, a entrada também está incluída no Jordan Pass. Aqui encontramos várias ruínas e há evidências de ocupação humana desde o período neolítico, o que a torna um dos locais habitados de forma contínua mais antigos do mundo. O que mais me encantou foi a vista panorâmica de 360º para toda a cidade.
O que mais gostámos foi andar sem destino pelas ruas da cidade e perder-nos no meio dos mercados tradicionais. O Tiago então ficou completamente fascinado com os mercados. A azáfama das pessoas apressadas a passar, os vendedores que falam alto para atrair clientes, os cheiros intensos das especiarias e da comida acabada de fazer, era um autêntico espetáculo para os sentidos. E depois aqueles corredores intermináveis dentro de cada mercado faziam-nos perder a noção de onde estávamos. Era como um labirinto de cores, aromas e sons, onde entrávamos e nos perdíamos sem destino.
Mercado de Amã
Ficámos com a impressão de que há mais vida nas ruas à noite do que durante o dia.
O Povo
Eu ía com as expectativas muito altas em relação à simpatia dos jordanos porque todos os blogs que li faziam referência a essa característica. E este será apenas mais um blog a dizer o mesmo: os jordanos são realmente simpáticos, com uma hospitalidade que nunca tinha visto. Fiquei encantada com a forma como nos acolheram. Estavam sempre prontos para iniciar uma conversa. Parece que têm algum fascínio por máquinas fotográficas porque várias vezes o Tiago foi abordado para perguntarem qual era a sua câmara, para ele tirar fotos ou até para eles próprios tirarem fotos com a máquina. Chegámos a estar rodeados de rapazes, que saíam da escola só para pedirem uma foto.
O Tiago passou a semana toda a ser confundido com árabe e quando dizíamos que só falávamos inglês e não árabe, alguns ficavam espantados por ele, que parecia árabe, não falar a língua deles. Ahahah.
Sempre que pedíamos informações estavam prontos para ajudar e no final perguntavam sempre de onde éramos e depediam-se com um “Welcome to Jordan”. Muitos ainda falavam sobre o Cristiano Ronaldo e ficavam muito felizes por sermos do país dele.
Sentimos que a simpatia deles não era por interesse como às vezes acontece noutros lugares. Numa das noites em que passeávamos por Amã, vimos um senhor a meter algo numa espécie de betoneira. Ficámos parados à porta da loja, tentando perceber o que era. Do nada, o senhor ofereceu-nos amêndoas torradas e explicou que estava a meter sal dentro da “betoneira” para depois colocar as amêndoas lá dentro. Perguntou de onde éramos, deu-nos as boas-vindas à Jordânia e seguiu a sua vida, sem se importar se comprávamos ou não, mesmo depois de nos ter oferecido amêndoas para provar.
Conclusão
Foi uma viagem que nos desafiou a sair da zona de conforto todos os dias e às vezes até várias vezes por dia. A religião, a forma de viver, o modo de vestir, de pensar, a comida, os cinco chamamentos diários para a oração, a condução… tantas coisas diferentes daquilo a que estamos habituados.
Quando dissemos que a nossa viagem deste ano seria para a Jordânia a reação mais comum foi: “Vocês são doidos!”, devido à proximidade com Israel e aos conflitos na região. Tínhamos um amigo jordano que nos tranquilizava dizendo que não havia perigo e que a Jordânia era um lugar seguro.
Quando finalmente entrei no avião em Milão com destino a Amã senti aquele friozinho na barriga: será que fizemos bem em ir? Mas assim que chegámos iniciámos uma nova aventura. E que aventura foi!
As saudades apertam e ficou a vontade de explorar mais países do Médio Oriente, de entender melhor o povo árabe, a cultura muçulmana e os seus costumes. Somos muitas vezes influenciados pelos filmes de Hollywood e pela comunicação social que retratam os árabes e muçulmanos como terroristas. Mas a verdade é que são como nós. Pessoas normais. E os jordanos, em especial, foram o povo mais afável que já conheci.
A Noruega continua a ser o meu país nº1 em termos de beleza natural, mas a Jordânia passou a ocupar o 1º lugar no meu coração pela experiência que vivemos, pelas zonas de conforto que ultrapassámos e pelos estigmas que quebrámos dentro de nós.
Sem dúvida, deixei um pedaço do meu coração na Jordânia. Até ao momento, foi a viagem da minha vida.
Até sempre, Jordânia!
