A Nossa Visita à Capital da Noruega – O Que Ver em Oslo

Marina de Oslo
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Visita a Oslo

Oslo é a capital da Noruega e foi a nossa última paragem nesta viagem antes de apanhar o voo de regresso a Portugal. Situada à beira do Oslofjord, estende-se ao longo de uma baía, é rodeada por colinas verdes e florestas que quase tocam na cidade. É moderna, segura e cheia de espaços abertos. Oslo combina o ritmo tranquilo de uma cidade escandinava com a proximidade constante à natureza.

Esta visita a Oslo faz parte do nosso roteiro completo pela Noruega, que começou no extremo norte do país, com a aventura até ao mítico Cabo Norte, passou pelas paisagens de sonho das Ilhas Lofoten, e continuou pelo sul do país entre fiordes, vilas e cascatas. Se ainda não leu, deixamos os links para os outros posts desta viagem:

Universidade de Oslo
Universidade de Oslo

Estivemos aqui apenas dois dias e tentámos aproveitar ao máximo. Um deles foi inteiramente dedicado à península de Bygdøy, a chamada “ilha dos museus”. É lá que se concentram alguns dos museus mais emblemáticos da Noruega, como o Museu Kon-Tiki, o Museu Fram, o Museu Marítimo, o Museu do Navio Viking e o Museu do Folclore Norueguês. Mais abaixo neste post contamos, um a um, como foram essas visitas e o que mais nos marcou em cada um deles.

Teatro Nacional de Oslo
Teatro Nacional de Oslo

Nos restantes momentos, explorámos o centro da cidade e passeámos sem pressas pelas zonas mais emblemáticas. Visitámos o Kulturhistorisk Museum, passámos pelo Teatro Nacional, pela universidade, pelo Stortinget (a sede do parlamento norueguês), pela estação central de comboios e pela moderna Ópera de Oslo, junto à água. Também caminhámos até à zona da marina, onde a cidade respira vida com cafés ao ar livre, barcos atracados e o vai e vem tranquilo de quem ali vive e trabalha.

Oslo revelou-se uma cidade simpática, organizada e acolhedora onde nos sentimos sempre bem-recebidos. Uma capital com ritmo calmo, espaço amplo e natureza por todo o lado.

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Ilha dos Museus

Norsk Folkemuseum 

Se tivéssemos de escolher apenas um museu para visitar em Oslo, a escolha seria fácil, o Norsk Folkemuseum. Foi, sem dúvida, o museu que mais nos encantou, daqueles lugares que nos deixam sem palavras e onde a visita se transforma numa verdadeira viagem pela história e cultura da Noruega. Para quem gosta de conhecer um país através das suas tradições e do quotidiano das suas gentes, este museu é absolutamente imperdível.

Fundado em 1894, o Norsk Folkemuseum é um museu ao ar livre com cerca de 160 edifícios provenientes de várias regiões da Noruega, abrangendo o período de 1500 até aos dias de hoje. Está organizado em três áreas principais.

A primeira parte inclui várias salas de exposição cobertas, onde é possível ver arte folclórica norueguesa, brinquedos históricos, trajes típicos usados em casamentos, batizados e funerais, cultura e vestuário sami, além de utensílios domésticos e agrícolas que retratam o dia a dia de diferentes épocas.

Traje típico no Norsk Folkemuseum
Traje típico no Norsk Folkemuseum

Na zona denominada “The Countryside” podemos explorar casas e edifícios autênticos do interior da Noruega, rodeados por árvores, caminhos de terra batida e até alguns animais de quinta. A sensação é a de estarmos realmente a viajar no tempo.

Turfhouses no Norsk Folkemuseum
Turfhouses no Norsk Folkemuseum

Já a área da “Gamlebyen” (cidade antiga) recria alguns subúrbios de Kristiania, o antigo nome de Oslo entre 1624 e 1925. Ali encontramos uma mercearia, um quiosque de jornais, um posto de gasolina, uma farmácia e até um prédio de habitação com várias divisões visitáveis. Este edifício foi reconstruído com elementos reais retirados da construção original antes da sua demolição, como as escadas e as ombreiras das portas e janelas.

Cidade antiga no Norsk Folkemuseum

E depois há a “stavkirke”, a igreja de madeira de Gol, uma preciosidade do século XIII que foi o primeiro edifício a ser instalado no museu. Toda esculpida em madeira, mistura símbolos cristãos com motivos da mitologia nórdica e foi cuidadosamente desmontada da sua localização original para aqui ser preservada.

Stavkirk no Norsk Folkemuseum
Stavkirk no Norsk Folkemuseum

Durante a visita, ainda nos cruzámos com pessoas vestidas com trajes tradicionais que preparavam pão lefse, trabalhavam o ferro ou realizavam outras tarefas do quotidiano de tempos antigos. Um verdadeiro museu vivo, com atividades para todas as idades e um respeito imenso pela autenticidade.

Padeiras no Norsk Folkemuseum
Padeiras no Norsk Folkemuseum

O Norsk Folkemuseum não é apenas uma coleção de casas antigas. É um projeto exemplar de salvaguarda da identidade norueguesa, feito com rigor, sensibilidade e uma atenção ao detalhe que nos conquistou desde o primeiro momento.

"Duenda" no Norsk Folkemuseum
"Duenda" no Norsk Folkemuseum
Fram Museum

A par do Norsk Folkemuseum, o Fram Museum foi um dos museus que mais nos impressionou em Oslo. Diferente, mas igualmente imperdível. Para quem gosta de história, aventura e explorações polares, esta é uma paragem obrigatória.

Museu Fram
Museu Fram

Inaugurado em 1936, o museu conta a apaixonante história da navegação polar norueguesa, centrada no navio Fram, construído em 1892. Este é um dos barcos de madeira mais resistentes alguma vez feitos e desempenhou um papel fundamental em três grandes expedições aos polos. Aliás, é o navio que chegou mais a norte e mais a sul na história da humanidade, um feito que garantiu à Noruega um lugar cimeiro nas explorações polares e colocou Oslo no mapa dessas conquistas.

Miniatura de expedição do Fram
Miniatura de expedição do Fram

O mais extraordinário é que podemos subir a bordo do Fram original. Entrámos no convés, explorámos os camarotes, vimos a sala de jantar, a cozinha, os beliches apertados, os mapas e até os instrumentos científicos utilizados pelos exploradores. Tudo está incrivelmente preservado e bem apresentado, como se os tripulantes tivessem saído há poucos minutos para mais uma missão.

Interior do Fram

Ao lado do navio, é projetado um filme que conta a história do Fram, e há ainda um espetáculo audiovisual que simula as auroras boreais, um momento visualmente muito bonito e envolvente mas a experiência mais inesperada (e arrepiante) veio quando vimos uma porta metálica com sinais de aviso: autocolantes a alertar para temperaturas negativas e um botão vermelho a pedir para ser carregado. E como somos muito obedientes… claro que carregámos!

De repente, entrámos num corredor que simula o frio polar. O som do vento gelado ecoava nas paredes e a temperatura caiu drasticamente. Mas o pior (ou melhor?) estava no fim. Fomos dar a uma camarata escura, onde corpos de exploradores jaziem nos beliches, com a pele queimada e enegrecida pelo frio extremo e pela gangrena. Tudo em cera hiper-realista, de tal forma bem feito que o impacto visual nos deixou desconfortáveis e ao mesmo tempo completamente fascinados com o realismo e detalhe da exposição.

Marinheiros com gangrena

O Fram Museum transportou-nos para um mundo de gelo, vento e silêncio, onde sobreviver era um desafio diário e a coragem o único motor para seguir em frente.

Museu Kon-Tiki

Mesmo ao lado do Museu Fram fica o Museu Kon-Tiki, dedicado às expedições do norueguês Thor Heyerdahl, um dos exploradores mais célebres da história contemporânea.

Em 1947, Heyerdahl atravessou o Oceano Pacífico do Peru até à Polinésia numa simples jangada de madeira chamada Kon-Tiki, numa tentativa de provar que antigas civilizações poderiam ter feito longas viagens oceânicas com tecnologia rudimentar. A expedição foi registada em filme e acabou por receber o Óscar de Melhor Documentário em 1951.

Jangada Kon-Tiki

Mais tarde, liderou outras viagens arrojadas com os barcos de junco Ra, Ra II e Tigris, sempre com uma forte mensagem de paz e sustentabilidade ambiental. Para além das aventuras marítimas, esteve também envolvido em escavações arqueológicas relevantes nas Ilhas Galápagos, na Ilha de Páscoa e em Túcume (Peru).

Jangada Kon-Tiki

O museu expõe vários objetos das suas expedições, incluindo a jangada Kon-Tiki original e o barco de papiro Ra II, que atravessou o Atlântico desde o norte de África até ao Caribe. 

“Fronteiras? Nunca vi nenhuma, mas já ouvi dizer que elas existem na mente de algumas pessoas.” — Thor Heyerdahl

Ra II
Ra II
Museu do Navio Viking

Visitar o Museu do Navio Viking (Vikingskipshuset) é como atravessar um portal para uma época em que os mares do norte eram dominados por navegadores destemidos, comerciantes engenhosos e guerreiros lendários.

Mas afinal, quem foram os vikings?

Os vikings eram povos nórdicos oriundos da actual Noruega, Dinamarca e Suécia, que entre os séculos VIII e XI se aventuraram pelos mares em busca de novas terras, comércio, riqueza e, por vezes, conquistas. Foram exploradores, agricultores, artesãos, comerciantes e também piratas e guerreiros que deixaram a sua marca em vastas regiões da Europa.

Detalhe de barco viking
Detalhe de barco viking

Visitar o Museu do Navio Viking (Vikingskipshuset) é como atravessar um portal para uma época em que os mares do norte eram dominados por navegadores destemidos, comerciantes engenhosos e guerreiros lendários.

Mas afinal, quem foram os vikings?

Os vikings eram povos nórdicos oriundos da actual Noruega, Dinamarca e Suécia, que entre os séculos VIII e XI se aventuraram pelos mares em busca de novas terras, comércio, riqueza e, por vezes, conquistas. Foram exploradores, agricultores, artesãos, comerciantes e também piratas e guerreiros que deixaram a sua marca em vastas regiões da Europa.

Viveram durante a chamada Era Viking, entre os anos 790 e 1066 d.C., o que corresponde ao final da Idade do Ferro e ao início da Idade Média. Eram temidos pelas suas incursões-relâmpago, feitas com espadas, machados e acima de tudo com os seus icónicos navios: os drakkar, ou barcos-dragão.

Gokstad
Gokstad

A forma alongada, leve e simétrica destes navios permitia-lhes navegar com enorme agilidade, tanto em mar aberto como em rios e fiordes. Eram perfeitos para ataques surpresa e fugas rápidas. Muitos destes barcos, após anos de conquistas, terminavam os seus dias como verdadeiros túmulos navais, utilizados em rituais funerários para chefes e figuras importantes.

É isso mesmo que podemos ver neste museu, três navios vikings autênticos, encontrados no Oslofjord no final do século XIX e batizados com os nomes dos locais onde foram descobertos, Oseberg, Gokstad e Tune.

O navio de Gokstad é o mais robusto dos três, com cerca de 24 metros de comprimento e construído por volta do ano 890. Foi encontrado em 1880 num túmulo em Sandefjord, e acredita-se que tenha pertencido a um poderoso guerreiro ou chefe viking. A sua estrutura sólida e hidrodinâmica demonstra bem a mestria náutica dos vikings e a sua vocação para longas viagens pelo mar.

Tune
Tune

O Tune é o mais pequeno dos três navios e o que se encontra em pior estado de conservação. Foi descoberto em 1867 e terá sido usado também como túmulo, mas os danos sofridos ao longo dos séculos dificultam uma reconstrução completa.

Já o Oseberg é, sem dúvida, o mais impressionante, tanto pela sua riqueza decorativa como pela importância arqueológica. Com cerca de 22 metros de comprimento, foi descoberto em 1904 e serviu como túmulo para duas mulheres de elevado estatuto, possivelmente uma rainha e a sua serva ou uma sacerdotisa. No seu interior encontraram-se objetos do quotidiano, tapeçarias, trenós, um trono, animais sacrificados e elaboradas esculturas em madeira. A sua proa entalhada em espiral é um dos elementos mais icónicos da arte viking e um verdadeiro símbolo desta civilização.

Oseberg
Oseberg
Museu Marítimo Norueguês

De todos os museus que visitámos na Península de Bygdøy, o Museu Marítimo Norueguês foi aquele que menos nos cativou. Ainda assim, não deixa de ser interessante para quem aprecia temas ligados ao mar e à navegação.

Fundado em 1914, o museu apresenta exposições sobre a vida costeira da Noruega e a sua história marítima, abordando temas como a construção naval, a pesca, a arqueologia subaquática, a navegação tradicional e as transformações da vida junto ao mar ao longo dos séculos. Há também vários modelos de navios, desde embarcações vikings a navios modernos, e alguns filmes projetados sobre o quotidiano da costa norueguesa.

Museu Marítimo Norueguês

Apesar de não nos ter impressionado tanto como os outros museus vizinhos, pode ser uma boa paragem para quem quer aprofundar o papel fundamental que o mar teve — e continua a ter — na identidade e no modo de vida dos noruegueses.

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Terminada a nossa visita a Oslo, estava também a chegar ao fim a nossa viagem pela Noruega. Depois de tantos quilómetros percorridos, paisagens inesquecíveis, museus surpreendentes e experiências que nos marcaram, era hora de regressar a casa. Oslo foi o ponto final de uma aventura que passou pelo extremo norte do país e nos levou até à sua capital, uma capital que embora moderna e urbana, também sabe preservar a sua história e identidade. Voltámos com a mala cheia de memórias e a vontade de um dia voltar.

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