Viagem à Ilha do Sal – Sol, Praia e Aventuras em Cabo Verde

Praia de Santa Maria
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Índice

Introdução

Cabo Verde nunca esteve nos nossos planos. Na verdade, era daqueles destinos que nunca tínhamos considerado seriamente, não por falta de interesse, mas simplesmente porque havia sempre outros que nos chamavam mais.

Estas férias foram diferentes, iam ser partilhadas com um casal amigo com uma filha de 6 anos. Inicialmente, todos falámos no México, mas, por ser setembro, a época dos furacões nas Caraíbas levantou preocupações, especialmente do lado deles, que não queriam arriscar a levar a filha tão pequena. A isto juntava-se ainda o facto de ser a primeira vez deles a voar e o México representar uma viagem longa, o que aumentava a incerteza sobre como a filha reagiria a tantas horas no ar.

Começámos então a procurar um destino alternativo com praia, bom tempo, resorts com tudo incluído, sem grandes fusos horários nem horas infinitas de voo. E assim, quase por acaso, surgiu Cabo Verde. E dentro das várias ilhas do arquipélago, a Ilha do Sal depois de várias pesquisas e comparações, pareceu-nos a melhor aposta.

O nome “Sal” vem das salinas naturais que existem na ilha, especialmente em Pedra de Lume, onde ainda se pode visitar uma antiga cratera vulcânica cheia de água salgada. Um dos locais mais curiosos da ilha, onde é possível flutuar com facilidade graças à elevada concentração de sal.

Recepção do hotel
Recepção do hotel
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Hotel onde ficámos

Ficámos hospedados no hotel Oásis Belorizonte, mesmo em frente à praia e ao famoso pontão de Santa Maria. O hotel tem um edifício principal com vários quartos, mas nós ficámos num dos bungalows espalhados pelo complexo, bem mais perto do acesso direto à praia, o que acabou por ser uma excelente escolha.

Fachada do hotel
Fachada do hotel

O Oásis Belorizonte não é um hotel de luxo, mas foi exatamente o que precisávamos para uns dias de descanso com sol, mar e boa disposição. Tinha tudo o que importa: quartos simples mas confortáveis, piscinas ideais para relaxar depois da praia, acesso direto ao areal, um buffet com comida variada e saborosa e à noite, havia sempre algum espetáculo ou animação para quem ainda tivesse energia. Para quem procura um ambiente descontraído, em regime de tudo incluído, com uma excelente localização e a preços relativamente acessíveis, este hotel cumpre plenamente o seu papel.

Bungalows do resort
Bungalows do resort
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Excursão pela ilha

O primeiro dia na ilha foi passado em modo tranquilo. Depois da longa viagem, aproveitámos a manhã para descansar nas piscinas do resort, recuperar energias e entrar no ritmo da ilha. Já à tarde, decidimos explorar um pouco as redondezas do hotel e dar uma caminhada junto à praia.

Foi neste primeiro passeio a pé que encontrámos o Dany Lopes, uma figura conhecida entre os viajantes que visitam a Ilha do Sal. Estava, como habitual, entre o hotel e o areal a promover as suas excursões.

Pick-up do Dany Lopes
Pick-up do Dany Lopes

Já tínhamos ouvido falar dele nas redes sociais, por isso nem hesitámos em ir conversar. Explicou-nos com entusiasmo o que incluía a tour, os locais que iríamos visitar e o valor. Combinámos logo para o dia seguinte.

No dia seguinte fizemos então a excursão com o Dany. Contamos todos os detalhes da experiência e os locais por onde passámos no post dedicado à tour pela Ilha do Sal que por ler aqui!

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Explorar a ilha de carro

Uma das coisas que mais queríamos fazer durante a nossa estadia era assistir à desova das tartarugas marinhas. Durante a excursão pela ilha, passámos pela zona da Kitte Beach, uma das principais praias de desova e percebemos que ficava muito perto do nosso hotel. Como sabíamos que este fenómeno só acontece à noite e preferíamos fazê-lo com mais liberdade e ao nosso ritmo, decidimos alugar um carro por um dia.

Tratámos de tudo diretamente na receção do hotel. À hora marcada, a empresa apareceu com o carro, um Suzuki Jimmy que rapidamente apelidámos de “Jimmy”. Entregaram-no ali mesmo no resort e no dia seguinte devolvemo-lo no mesmo local, simples, prático e sem complicações.

O nosso Jimmy
O nosso Jimmy

Durante a tarde, aproveitámos o “Jimmy” para regressar à povoação da Terra Boa que já tínhamos conhecido durante a excursão com o Dany. Mas desta vez, quisemos fazê-lo de forma mais próxima, com tempo e com uma pequena missão: levar algumas guloseimas que comprámos em Santa Maria para oferecer às crianças da aldeia. A receção foi bem diferente da que tínhamos presenciado com os jipes de excursão. O nosso carro despertou alguma desconfiança inicial, o que nos deixou um pouco apreensivos. Fomos ter com uma rapariga, explicámos ao que vínhamos e perguntámos se podíamos tirar uma foto de grupo com todos. Ela foi muito simpática e começou a chamar os outros até nós. Distribuímos então as coisas que levávamos e só depois nos juntámos todos para a tal foto. O momento foi simples, mas especial… e ficou-nos gravado na memória.

Grupo na Terra Boa
Grupo na Terra Boa

Mais tarde, já com a noite a cair, voltámos à Kitte Beach. A experiência de ver as tartarugas a nascer e a desovarem foi tão intensa e marcante que decidimos contar tudo num post à parte, dedicado exclusivamente a esse momento que pode ler aqui!

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Passeio por Santa Maria

Já sem o carro, fomos a pé desde o hotel até Santa Maria. Já tínhamos passado algumas vezes pelo pontão, já que ficava bem perto do hotel, mas foi a primeira vez que explorámos verdadeiramente as ruas da vila com calma. Passeámos tranquilamente, espreitámos o mercado e deixámo-nos levar pelo ambiente descontraído e acolhedor de Santa Maria.

Vendedora em Santa Maria
Vendedora em Santa Maria

O que mais se destaca, no entanto, é mesmo o carismático pontão de madeira. Um ponto de referência para visitantes, mas acima de tudo, um verdadeiro símbolo da vida local. Os pescadores costumam atracar ali com o peixe fresco por volta das 10 ou 11 da manhã e é nessa altura que o cenário ganha vida. O peixe é imediatamente limpo, cortado e vendido. Tudo ali mesmo! Em cima do pontão, onde as pessoas caminham. É preciso estar atento e por vezes, até dar um passo para o lado para não pisar um peixe acabado de chegar do mar. Entre facas afiadas, peixes a escamar, sacos a serem cheios e gaivotas a rondar lá em cima, o ritmo é frenético, desorganizado e fascinante! Um caos coordenado que espelha a alma de Cabo Verde.

Amanhar peixe no pontão
Amanhar peixe no pontão

O pontão serve também para o convívio, para o passeio e para a brincadeira. Miúdos que saltam para a água entre risos, adultos que conversam à sombra, turistas que tiram fotografias — tudo ali vive em harmonia. É daqueles lugares onde se pode ficar cinco minutos ou uma hora inteira sem pressa. Entre o cheiro a peixe, o riso das crianças e o vento salgado no rosto, sente-se o verdadeiro espírito da ilha: simples, genuíno e cheio de vida.

Salto do pontão
Salto do pontão
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Jantar em Santa Maria

Acabámos o dia a jantar no Odjo d’Água, um restaurante com uma localização invejável, construído mesmo em cima de uma ponta rochosa, com uma vista lindíssima sobre a baía de Santa Maria. A escolha foi feita pela localização — e cumpriu exatamente o que prometia.

Restaurante Odjo d’Água
Restaurante Odjo d’Água

Para entrada, aventurámo-nos com cracas. Esses pequenos crustáceos de aspeto rochoso, que se agarram às pedras, barcos e até ao casco de tartarugas e baleias. Visualmente não são os mais apetecíveis… e confesso que, para mim, não foram propriamente amor à primeira dentada.

Os pratos principais eram mais simples e familiares: frango de churrasco, febras, espetadas… mas o que nos surpreendeu foram os acompanhamentos — batata-doce frita e mandioca frita — que trouxeram um toque diferente ao jantar. Apesar de não ser propriamente um mergulho na gastronomia típica cabo-verdiana, foi uma refeição tranquila, fora do ambiente do resort, com direito a brisa do mar e o som das ondas como banda sonora. Só pela vista, já teria valido a pena.

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Despedida de Cabo Verde

A simpatia dos cabo-verdianos sente-se em todo o lado, mas o verdadeiro rei da ilha é sem dúvida o famoso “No stress”. Quase como um lema nacional, esta expressão é muito mais do que uma frase, é uma filosofia de vida. Representa o ritmo calmo, o sorriso fácil e a forma tranquila como enfrentam o dia a dia.

Sabias que?

Em Cabo Verde há duas palavras que definem o ritmo e a alma do país:

Morabeza é uma palavra crioula sem tradução direta mas que representa o espírito cabo-verdiano como poucas outras. Significa hospitalidade, simpatia, amabilidade. É o estar à vontade, o receber bem, o criar laços sem esforço. É sentir-se acolhido com um sorriso genuíno e calor humano, mesmo sem se conhecer ninguém.

Já o famoso No Stress é mais do que uma frase repetida: é um verdadeiro estilo de vida. Ouvimo-la constantemente, mas também a vemos por todo o lado, em murais, grafitis, t-shirts, chapéus, ímanes, pranchas, pulseiras… Está presente em tudo o que transmite o espírito leve e descontraído da ilha.

Juntas, morabeza e no stress explicam melhor do que qualquer guia o que se sente quando se visita Cabo Verde.

É a frase que mais se ouve pela ilha fora e passados uns dias, já nós próprios a tínhamos adoptado com convicção… e com o sentimento de quem já a entende de verdade.

Nas compras, o regatear faz parte do processo e também aí… no stress! Tudo se resolve com uma conversa bem-disposta, um sorriso e alguma paciência.

Pôr do Sol na Praia de Santa Maria
Pôr do Sol na Praia de Santa Maria

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