A nossa viagem a Istambul – Um encontro entre dois continentes

Mesquita em contra-luz
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Índice

Como fomos parar a Istambul

A nossa ida a Istambul foi no mínimo atribulada. Às 3h30 da manhã estávamos a comprar bilhetes de avião e poucas horas depois, às 13h, já estávamos a aterrar na cidade. Loucura? Um bocadinho. Mas já lá vamos…

Tudo começou quando decidimos ir à Jordânia. O plano inicial era simples, voar com a Turkish Airlines e no regresso aproveitar para fazer um stopover em Istambul. Estava tudo a alinhar-se, vimos os bilhetes a 900€, mas fomos adiando a compra, de olho na evolução da guerra em Israel. Quando finalmente nos decidimos… já estavam a 1600€. Respirei fundo. Ou melhor, tentei…

Aeroporto de Amã (Jordânia)
Aeroporto de Amã (Jordânia)

Aí começou a ginástica dos planos alternativos. Encontrámos uma solução com a TAP (Lisboa – Milão) e depois com a Wizzair (Milão – Amã). Resultado: trocámos a visita a  Istambul por uma visita às Cinque Terre. O voo de regresso da Jordânia estava marcado para o dia 24 de setembro.

Na véspera do voo, já deitados e prontos para descansar, recebo um e-mail da Wizzair: “Greve nos aeroportos italianos“. E claro, como se não bastasse, a tripulação da própria companhia também ia estar em greve. Fui ver o estado dos voos e já havia vários cancelados. O nosso ainda não, mas eu já estava em modo alerta máximo. O Tiago? Tranquilo. Deitado e a dizer “amanhã logo se vê”. Só me apetecia atirá-lo com MUITA CALMA pela janela. Tentei dormir mas sem sucesso.

Às 3 da manhã, ele acorda, pega no telemóvel e diz com a maior serenidade: “Cancelaram o voo.” E voltou a deitar-se… Eu? Disparei da cama como uma mola. Stress total. Não só tínhamos voo cancelado, como as alternativas eram poucas. E o Tiago… continuava com aquele ar zen que me enervava ainda mais.

A Wizzair oferecia duas opções: reembolso ou remarcar para o próximo voo… que era só daqui a uma semana. A sério?! Dia 1 de outubro… Nem pensar! Mas antes de aceitar o reembolso tínhamos de encontrar outra alternativa.

Voltei ao modo missão impossível. O plano era agora simplesmente voltar para casa. E entre as poucas hipóteses disponíveis, a Turkish Airlines reapareceu. Voo para Lisboa com escala de 23 horas em Istambul. Não era perfeito mas era o possível. Comprámos!

Voo para Istambul
Voo para Istambul

Durante o voo, já com tudo aparentemente resolvido e voos para Lisboa comprados, o Tiago, no seu habitual modo zen enervante vira-se para mim e diz calmamente: “Olha lá… não achas que é um bocado parvo irmos fazer um stopover em Istambul e não aproveitarmos para conhecer a cidade com mais tempo?” Fiquei a olhar para ele, incrédula, a pensar como é que depois de tanto stress ele me vinha com aquela serenidade toda sugerir uma mudança de planos?! E ainda remata com a maior das calmas: “Quando aterrarmos devíamos ir ao balcão da Turkish ver se conseguimos adiar o voo para Lisboa.” Nesse momento desisti de o tentar perceber. Mas a verdade é que em segundos, o entusiasmo tomou conta de mim. Passou-me tudo, o cansaço, a irritação, o nervoso miudinho … E fiquei em êxtase com a ideia de finalmente conhecer Istambul. Aterrámos, fomos perguntar, e sim, era possível! Pagámos o extra e, sem pensar duas vezes, ficámos com tempo para descobrir a cidade como ela merece.

E assim, sem planear, começou a nossa visita a Istambul.

Aeroporto de Istambul
Aeroporto de Istambul

Não queríamos perder tempo no aeroporto, quanto mais cedo saíssemos dali, mais conseguiríamos aproveitar da cidade. Como sabia que o metro desde o aeroporto até ao centro demorava cerca de uma hora, disse ao Tiago que podíamos ir escolhendo e reservando o hotel durante o percurso. Pois… achava eu. O que não sabia era que o metro fazia o trajeto inteiro debaixo de terra e claro, sem rede no telemóvel. Resultado? Chegámos ao centro de Istambul sem hotel, sem plano e sem a mínima ideia de para onde ir.

Tivemos de subir à rua para finalmente apanhar sinal, abrir as apps, procurar alojamento e fazer a reserva. Só aí sentimos que tínhamos, finalmente, um rumo definido na cidade.

A conclusão? O universo decidiu lembrar-nos que não se brinca com o destino e que o plano inicial (aquele que achámos caro) talvez fosse o mais sensato. No fim de contas, a nossa tentativa de poupar 700€ acabou por nos sair bem mais cara… mas pronto, estávamos em Istambul, e isso já valia tudo.

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Transporte para o centro

A partir do Aeroporto de Istambul, apanhámos a linha M11 do metro até à estação de Gayrettepe. Esta linha é recente e moderna mas termina numa zona que ainda fica algo afastada dos principais pontos turísticos.

O nosso objetivo era chegar à zona da Hagia Sophia, já que o nosso hotel ficava mesmo ali ao lado. Em Gayrettepe, fizemos ligação com a linha M2 (sentido Yenikapı) e saímos em Vezneciler – Istanbul Üniversitesi, onde aproveitámos para almoçar.

Estação de Gayreteppe
Estação de Gayreteppe

Depois, seguimos a pé até à paragem de elétrico Laleli – Istanbul Üniversitesi, na linha T1, e aí apanhámos o elétrico em direção a Eminönü saindo na paragem Sultanahmet, mesmo junto às principais mesquitas.

É muito fácil andar de metro e elétrico em Istambul, as ligações são práticas e bem sinalizadas. No entanto, fica o aviso: em horas de ponta o cenário é caótico. Os transportes enchem por completo e é preciso alguma paciência (e jeito para se espremer entre multidões!).

Ainda no aeroporto comprámos o Istanbulkart, um cartão recarregável essencial para quem quer explorar Istambul de forma prática e económica. É aceite em praticamente todos os meios de transporte público da cidade, metro, elétrico, autocarros, funiculares, ferries e até pode ser usado para pagar a entrada em casas de banho públicas. Uma das grandes vantagens é que o mesmo cartão pode ser utilizado por mais do que uma pessoa, o que é ideal para quem viaja acompanhado, seja em casal, com amigos ou família. Basta validá-lo uma vez por cada passageiro ao entrar. O cartão é adquirido nas máquinas automáticas próprias para isso, as mesmas onde também se pode fazer o carregamento. Além de facilitar imenso a mobilidade permite ainda tarifas mais vantajosas do que os bilhetes individuais.

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Hotel

Ficámos hospedados no The Camelot Hotel, a cerca de dez minutos a pé das principais mesquitas. A localização não podia ser melhor, central, prática e tranquila… E o preço que pagámos foi ainda mais surpreendente. 

Localização do The Camelot Hotel
Localização do The Camelot Hotel

O hotel era impecável, com um ambiente acolhedor e funcionários simpáticos e sempre prestáveis. À noite, quando voltávamos pedíamos sempre um chá no bar (talvez para entrar no espírito de Istambul) e nunca nos cobraram por isso, serviam-no sempre com um sorriso e aquela hospitalidade que tão bem recordamos.

Para uma escolha feita à última hora foi um verdadeiro achado. Sinceramente, se tivesse tido mais tempo para procurar talvez não tivesse acertado tão bem.

Quarto de hotel
Quarto de hotel
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O que ver em Istambul

Ficar-mos alojados tão perto dos principais pontos turísticos permitiu-nos explorar a cidade a pé, ao nosso ritmo e sentir o pulsar de Istambul logo ao sair do hotel. Visitámos os locais mais emblemáticos da cidade, desde as mesquitas mais imponentes aos bazares mais animados — mas sobre isso, contamos tudo no post dedicado ao que ver em Istambul.

Mesquita Azul
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O que comer

Istambul também se vive à mesa… Ou melhor, vive-se em cada esquina onde o cheiro a milho assado e castanhas invade o ar. Por toda a cidade, é impossível não cruzar caminho com os típicos carrinhos vermelhos a vender maçarocas de milho e kestane kebap, as castanhas assadas à moda turca que, confesso, na minha opinião ficaram aquém das nossas portuguesas.

Venda de castanhas e milho
Venda de castanhas e milho

E o kebab? Ah, esse foi presença constante. Comido à pressa, com um olho no barco que estava quase a partir ou sentado ao lado de uma loja onde pijamas pendurados baloiçavam por cima das nossas cabeças, foi sempre memorável. Nada de máquinas automáticas a cortar carne como estamos habituados por cá. Em Istambul, o döner kebab é preparado à moda antiga: com colher de pau e faca bem afiada, e isso (acho) nota-se no sabor.

Tiago a comer kebab no mercado
Tiago a comer kebab no mercado

Mas a gastronomia turca não vive só de comida de rua. Num dos jantares mais especiais da viagem, a celebrar os nossos nove anos de casamento, escolhemos o prato que mais nos surpreendeu: o testi kebab. Servido num pote de barro selado, com direito a espetáculo de abertura em plena mesa, revelou-se uma explosão de sabores que ainda hoje lembramos com entusiasmo.

Empregado a servir o testi kebab

E depois há os doces. Ou melhor, a baklava. Crocante, rica, doce no ponto certo… Mas foi a versão com gelado turco (dondurma) que conquistou o Tiago, ao ponto de repetir e declarar sem hesitações que foi o melhor doce da viagem.

Os pequenos-almoços turcos, por sua vez, estão noutra categoria. Nada de apenas um café e pão com manteiga. O kahvaltı turco enche a mesa (e o estômago) com queijos, compotas, azeitonas, ovos, mel com kaymak e chá sem fim. Começar o dia assim é meio caminho andado para o viver bem.

Se quiseres saber o que mais provámos e descobrir os sabores que nos conquistaram, espreita o post completo sobre a gastronomia turca.

Rolo de kebab
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Novo turismo digital

É impossível caminhar pelas ruas de Istambul sem dar de caras com telemóveis apontados ao céu, vestidos esvoaçantes ao vento e poses milimetricamente ensaiadas. A cidade cheia de história e alma, também se tornou um cenário de eleição para tiktokers e instagramers. Vimos muitos a fazer as suas danças para as redes sociais em frente a monumentos, no meio das escadarias ou mesmo em plena rua, indiferentes a tudo o que os rodeava. A cidade virou palco e cada recanto serve de cenário.

Mas há uma parte dessa febre digital que nos fez pensar. Os rooftops de Istambul, que aparecem em quase todos os vídeos virais com o Bósforo ao fundo, são, em muitos casos, bem mais bonitos nas redes do que ao vivo. Visitámos alguns e embora a vista seja inegavelmente bonita, os preços disparatados por um copo ou um prato nem sempre compensam e nem sempre se consegue ficar naquelas mesas com a “melhor vista”.

Ainda assim, o mais curioso é que há dezenas de miradouros e recantos por onde espreitar Istambul e muitos deles gratuitos. Escadas, terraços discretos, cafés menos conhecidos, parques junto à água… A cidade não esconde a sua beleza, basta caminhar com atenção e olhos bem abertos.

Mesquita à noite
Mesquita à noite
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A alma de Istambul está nas ruas

Durante a nossa estadia, os turcos pareceram-nos sempre simpáticos e acolhedores. Em mercados, restaurantes ou até no meio da rua, sentimo-nos sempre bem recebidos, com gestos simples e sorrisos sinceros.

Apesar de ser uma cidade enorme e cheia de movimento, Istambul pareceu-nos segura. Andámos por várias zonas da cidade a pé, de dia e de noite e nunca sentimos receio. Cheguei a andar sozinha à noite para ir ao multibanco e senti-me perfeitamente tranquila. As ruas estavam bem iluminadas, havia sempre movimento e via-se muita polícia na rua.

Loja de rua
Loja de rua

E não eram só as pessoas a dar vida à cidade, os verdadeiros reis das ruas de Istambul acabam por ser os seus habitantes de quatro patas., os gatos e cães de rua que são uma das imagens de marca de Istambul. Estão por todo o lado, nas escadas das mesquitas, nas bancas de comida, nos bancos de jardim, a dormir ao sol ou a serem mimados por alguém. Durante a nossa visita, vimos muitos a serem acarinhados e alimentados, o que nos deixou com a sensação de que fazem parte da alma da cidade. No entanto, em 2024, o governo turco aprovou uma lei controversa que permite o abate de cães de rua, o que contrasta com essa imagem tão presente nas ruas.

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 Conclusão

Istambul é tudo isso: influenciadores e histórias reais, cafés e bancos de jardim com vistas incríveis, multidões apressadas e gatos sonolentos ao sol. Uma cidade onde cada um pode encontrar o que procura ou tropeçar em algo melhor, sem filtros nem legendas.

Homem a recolher lixo
Homem a recolher lixo

Sempre pensei que ia gostar de Istambul, mas não estava preparada para o quanto me iria apaixonar pela cidade. É história viva em cada esquina, é movimento, fé, caos e beleza… Tudo ao mesmo tempo. Istambul não se explica… sente-se.

Este stopover inesperado depois da viagem à Jordânia, foi mesmo a cereja no topo do bolo. Uma surpresa que transformou toda a viagem numa daquelas memórias que ficam guardadas para sempre.

Vendedor de milho assado
Vendedor de milho assado

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