O que ver em Istambul

Mesquita Azul
separador-turquia
Índice

Ao caminharmos pelas ruas de Istambul, percebemos que esta é daquelas cidades que se sente mais do que se explica. A nossa passagem por aqui foi inesperada, uma mudança de planos forçada que acabou por se tornar numa feliz surpresa. Em apenas três dias, tentámos aproveitar ao máximo e conhecer o que esta cidade tem para oferecer. Abaixo, partilhamos os locais que visitámos e que, de uma forma ou de outra, nos ficaram na memória. 

(Se quiser saber onde se encontram, basta clicar nas coordenadas para abrir diretamente no Google Maps).

separador-turquia

Mesquitas

Hagia Sophia

A Grande Mesquita de Santa Sofia ou Cami Hagia Sophia é um dos monumentos mais icónicos de Istambul. Construída no ano 537 pelo imperador Justiniano I foi originalmente uma catedral cristã ortodoxa e manteve-se durante quase 1.000 anos (entre 537 e 1453) como a maior igreja do mundo cristão. A sua grandiosidade arquitectónica, com uma cúpula colossal de mais de 30 metros de diâmetro, inspirou gerações de construtores tanto no mundo cristão como no islâmico.

Quando os otomanos conquistaram Constantinopla em 1453, o sultão Mehmet II ordenou a conversão da catedral em mesquita. Foram então adicionados os elementos típicos da fé islâmica: minaretes (torres altas de onde se faz o chamamento à oração), o mihrab (a reentrância que indica a direção de Meca), o minbar (o púlpito onde é feito o sermão) e taparam-se com gesso os mosaicos cristãos que decoravam o interior. Durante quase 500 anos a Hagia Sophia funcionou como mesquita, tornando-se um símbolo do poder otomano.

Mesquita Hagia Sophia
Mesquita Hagia Sophia

Com a fundação da República da Turquia, em 1935, o edifício foi transformado em museu por decisão de Mustafa Kemal Atatürk, como parte de um projeto mais amplo de secularização do país. Os mosaicos bizantinos que retratam Cristo, a Virgem Maria, imperadores e santos, começaram a ser cuidadosamente restaurados e a Hagia Sophia passou a ser um espaço de convivência entre culturas e religiões, cristã e muçulmana, sendo classificada como Património Mundial da UNESCO.

Em 2020, foi novamente convertida em mesquita numa decisão política que gerou debate internacional. Desde então, parte do edifício continua acessível aos visitantes, mas a entrada passou a ser paga (25€) e limitada ao piso superior. O piso térreo está agora reservado à oração dos cidadãos turcos muçulmanos.

Tínhamos lido que a entrada era gratuita, mas essa informação já estava desatualizada. Quando lá chegámos, entre o preço elevado e as filas enormes para entrar, decidimos não entrar, ainda que com alguma pena.

Mesquita Hagia Sophia
Mesquita Hagia Sophia
Mesquita Azul

Mesmo em frente à Hagia Sophia está a Mesquita Azul ou Sultanahmet Camii, uma das obras-primas da arquitetura otomana. Mandada construir pelo sultão Ahmed I no início do século XVII, tinha como objetivo rivalizar com a grandeza da Hagia Sophia e afirmar o poder do Império Otomano.

A mesquita destaca-se pelos seus seis minaretes, um pátio amplo com uma fonte para abluções (ritual de purificação antes da oração) e uma decoração interior absolutamente deslumbrante: mais de 20 000 azulejos azuis vindos de Iznik revestem as paredes e dão nome ao edifício. O mihrab e o minbar, ambos em mármore trabalhado completam o conjunto com uma elegância impressionante.

Mesquita Azul
Mesquita Azul

Sabias que?

Quando a Mesquita Azul foi construída com seis minaretes isso causou polémica porque até então, apenas a mesquita sagrada de Meca tinha os 6 minaretes. Para resolver o problema e evitar acusações de arrogância, o sultão Ahmed I mandou construir um sétimo minarete em Meca preservando assim o seu estatuto de exclusividade.

Pátio da Mesquita Azul
Pátio da Mesquita Azul

A entrada na Mesquita Azul é gratuita mas só é permitida fora dos horários de oração, já que se trata de um local religioso em funcionamento. À entrada há um painel com os horários das cinco orações diárias e os visitantes são orientados a aguardar se chegarem em momento de oração.

Tal como acontece noutras mesquitas, há regras de vestuário que devem ser respeitadas: todos se devem descalçar à entrada, as mulheres devem cobrir a cabeça, os ombros e as pernas, e os homens devem evitar usar calções muito curtos. Felizmente, à porta da mesquita estão disponíveis lenços e saias para emprestar a quem não tiver o vestuário adequado.

Carla e Tiago na Mesquita Azul
Carla e Tiago na Mesquita Azul

A mesquita é impressionante por fora, mas o interior não lhe fica nada atrás. Tal como noutras mesquitas que visitámos em Istambul, o chão está totalmente alcatifado, o espaço é amplo e sem bancos e do alto da cúpula central desce um enorme candelabro que ilumina todo o ambiente. As paredes e a cúpula estão decoradas com padrões e detalhes lindíssimos, enquanto os vitrais coloridos deixam entrar a luz do dia, criando um ambiente sereno e acolhedor mesmo para quem não tem ligação com a religião.

Interior da Mesquita Azul
Interior da Mesquita Azul
Mesquita Grande de Çamlıca

É a maior mesquita da Turquia e um verdadeiro ícone da Istambul contemporânea. Situada no lado asiático da cidade, no topo da colina Çamlıca, oferece uma vista panorâmica privilegiada sobre o Bósforo, a parte europeia da cidade e grande parte da sua envolvência. Inaugurada em 2019, pode acolher até 63 000 pessoas em simultâneo, tendo sido concebida não só como local de culto mas também como um complexo cultural e religioso.

A sua arquitetura combina elementos tradicionais otomanos com um toque contemporâneo. Tem seis minaretes, um número simbólico que remete para as grandes mesquitas imperiais e a cúpula central atinge uns impressionantes 72 metros de altura com e tem 34 metros de largura.

Grande Mesquita
Grande Mesquita

Sabias que?

A cúpula principal da Mesquita de Çamlıca tem 34 metros de diâmetro e 72 metros de altura e estes números não foram escolhidos ao acaso. O 34 é o número das matrículas de Istambul, um sistema usado em toda a Turquia desde os anos 60, muito antes da introdução dos códigos postais. Cada província tem um número atribuído por ordem alfabética e 34 ficou para Istambul. Este número tornou-se entretanto um símbolo da cidade, presente nas matrículas, em placas, marcas e até na arte urbana.

Já o 72 remete para uma expressão turca muito usada: “yetmiş iki millet” que significa literalmente “72 povos”. Esta frase, comum em canções, poesia e até no quotidiano é usada para representar toda a diversidade étnica, religiosa e cultural que coexistia no Império Otomano e que ainda se reflete em Istambul.

Pátio da Grande Mesquita
Pátio da Grande Mesquita

No interior destaca-se pela grandiosidade dos espaços, pelas decorações, vitrais coloridos e por um ambiente que consegue ser, ao mesmo tempo, imponente e sereno. O complexo da mesquita inclui ainda um museu de arte islâmica, uma biblioteca, uma sala de exposições, um auditório e até uma galeria de arte.

A entrada é gratuita e o código de vestuário segue as mesmas regras das restantes mesquitas: ombros e pernas cobertos e no caso das mulheres também a cabeça.

Interior da Grande Mesquita
Interior da Grande Mesquita

A forma mais prática e rápida de chegar é de táxi ou Uber, mas também é possível ir de transportes públicos. Nós estávamos no lado europeu e apanhámos o ferry em Eminönü com destino a Üsküdar. Mesmo em frente à saída do ferry apanhámos o autocarro 15C e saímos na paragem Büyük Çamlıca Camii. É relativamente simples e não tem muito que enganar.

Visitar esta mesquita é quase obrigatório. Na minha opinião é ainda mais bonita do que a Blue Mosque, no entanto, convém ter em conta o tempo disponível na cidade, pois a visita pode ocupar uma boa parte do dia e se tiver poucos dias talvez seja melhor guardar esta visita para outra altura.

Entrada para a Grande Mesquita
Entrada para a Grande Mesquita

Por estar num ponto alto e ter uma dimensão impressionante, à noite fica iluminada e pode ser vista de vários pontos da cidade como uma presença constante a brilhar sobre Istambul.

Grande Mesquita de Selimiye

A Grande Mesquita de Selimiye ou Büyük Selimiye Camii fica no bairro de Üsküdar, no lado asiático de Istambul e é um dos símbolos mais marcantes da zona. Foi mandada construir pelo sultão Selim III no final do século XVIII (entre 1801 e 1805), sendo uma das primeiras mesquitas otomanas a incorporar elementos neoclássicos europeus, o que explica a sua fachada distinta com janelas em série e linhas mais “ocidentais”. Está integrada num complexo (külliye) que inclui uma escola, hospital e quartel, tendo um grande valor simbólico ligado à modernização do exército otomano (os Nizam-ı Cedid, ou “Novo Exército”).

Büyük Selimiye Camii
Büyük Selimiye Camii

Enquanto explorávamos os arredores da mesquita vimos um mercado de rua (Pazar) a decorrer nas ruas ao lado. As ruas estavam fechadas ao trânsito e repletas de bancas de ambos os lados com frutas, legumes e outros produtos típicos. Acabámos por comprar umas frutas pequeninas que nos chamaram a atenção por se parecerem com mini maçãs. O rapaz que as vendia ao ver a nossa curiosidade, ofereceu-nos uma para provarmos e o sabor era tambem bastante semelhante ao das maçãs. 

Mercado de rua

Com alguma pesquisa, descobrimos que se chamam hünnap na Turquia e que são conhecidas por cá como azufaifas ou jujubas (nome científico: ziziphus jujuba). São originárias da Ásia, especialmente da China, onde são cultivadas há milhares de anos, mas hoje em dia já se encontram também na zona mediterrânica.

separador-turquia

Bazares

Arasta Bazaar

Mesmo nas traseiras da Mesquita Azul, encontra-se o Arasta Bazaar ou Arasta Çarşısı, um pequeno bazar que nos surpreendeu pela sua tranquilidade e charme. Longe do rebuliço do Grande Bazar, este espaço é perfeito para quem quer fazer compras com calma, sem multidões e com vendedores mais acessíveis. Os preços são, em geral, mais simpáticos, mas como em qualquer mercado turco, negociar continua a ser parte da experiência.

Entre as lojas alinhadas neste bazar histórico, é possível encontrar tapetes e kilims artesanais com padrões tradicionais, cerâmica de Iznik pintada à mão, especiarias aromáticas, chás variados, lenços de seda, toalhas turcas, peças de vestuário bordadas e até joalharia em prata com influências otomanas. Um ótimo local para levar para casa um pouco da arte e tradição turca.

Arasta Bazaar
Arasta Bazaar
Grande Bazar

O Grande Bazar de Istambul ou Kapalıçarşı é um dos mercados cobertos mais antigos e maiores do mundo, é um verdadeiro labirinto com mais de 4000 lojas distribuídas por 64 ruas cobertas e recebe em média entre 250 mil e 400 mil visitantes… por dia! Cores vibrantes, aromas intensos e sons característicos misturam-se num ambiente caótico e fascinante onde se encontra de tudo: tapetes, joias, cerâmica, têxteis, lembranças, antiguidades e especiarias.

Loja do Grande Bazar
Loja do Grande Bazar

Fundado em 1455, pouco depois da conquista de Constantinopla pelos otomanos, o Grande Bazar foi crescendo ao longo dos séculos e tornou-se o coração comercial da cidade. No seu auge era uma das principais paragens das rotas de comércio entre a Europa e a Ásia. Hoje continua a ser um símbolo da alma de Istambul onde tradições centenárias convivem com o frenesim turístico.

Grande Bazar

O mercado é coberto, o que o torna perfeito para visitar mesmo em dias de calor intenso ou chuva e há sempre algo novo a descobrir em cada corredor. Apesar de muito turístico, continua a ser frequentado por locais, sobretudo nas áreas menos centrais. Negociar é parte da experiência, por isso vale a pena tentar baixar os preços (sempre com simpatia, claro).

Explorar o Grande Bazar é mais do que fazer compras – é mergulhar na alma comercial e histórica de Istambul. Ir ao Grande Bazar é uma daquelas experiências que não pode faltar numa visita à cidade.

Lojas do Grande Bazar

Bazar Egípcio

De todos os bazares que visitámos em Istambul, o Bazar Egípcio ou Mısır Çarşısı foi, sem dúvida, o meu preferido.

Também conhecido como Bazar das Especiarias, foi construído em 1664 e é um dos mercados mais antigos da cidade. O nome “Mısır” em turco significa “Egipto” e está ligado ao facto de o bazar ter sido originalmente financiado com os impostos do comércio egípcio durante o Império Otomano.

Bazar Egípcio
Bazar Egípcio

Ao contrário do Grande Bazar, aqui a especialidade são as bancas de especiarias, chás aromáticos, frutos secos, nozes, mel, queijos e doces tradicionais. As montras são autênticos banquetes para os olhos (e para o nariz!). As lojas cheias de baclavas douradas e pequenos doces feitos de massa kadayif eram irresistíveis – adorei especialmente estes últimos. Dava vontade de provar um de cada em cada uma das loja. A tentação era grande… e a gula também.

Lojas do Bazar Egípcio

O ambiente é menos labiríntico do que no Grande Bazar, mais arejado e para mim, mais encantador. Ideal para quem quer trazer um pedacinho da culinária turca para casa ou simplesmente perder-se entre cores, cheiros e sabores..

Doces no Bazar Egípcio
Doces no Bazar Egípcio
Bazar dos pescadores

No lado asiático de Istambul perto da zona do cais de Üsküdar encontra-se o Üsküdar Balıkçılar Çarşısı, o tradicional mercado de peixe, também conhecido como o bazar dos pescadores.

Pequeno, mas autêntico, é especializado na venda de peixe fresco e marisco, muitos deles ainda a saltar nas bancas!

É um daqueles lugares onde sentimos o verdadeiro ritmo da vida local, com vendedores a chamar os clientes, cheiros intensos e aquela energia típica de um mercado tradicional. Mesmo que não vá comprar peixe vale a pena passar por lá nem que seja para sentir o ambiente e ver a azáfama matinal.

Bazar dos pescadores
Bazar dos pescadores
separador-turquia

Outros locais icónicos

Praça Sultanahmet

Foi na Praça Sultanahmet, o coração histórico de Istambul, que demos início à nossa visita. Esta praça ocupa o antigo Hipódromo de Constantinopla, ampliado no século IV pelo imperador romano Constantino. Era aqui que se realizavam corridas de quadrigas e grandes cerimónias imperiais e ainda hoje é possível ver vestígios desse passado.

Um desses vestígios é o Obelisco de Teodósio que se encontra no local onde ficava a espinha do hipódromo (a estrutura central que separava as pistas por onde corriam os carros). Este obelisco foi originalmente erguido no Egipto pelo faraó Tutemés III há mais de 3.000 anos e mais tarde trazido para Constantinopla pelo imperador romano Teodósio I como símbolo de poder e da ligação entre grandes civilizações. Ao lado, encontramos também outras colunas antigas como a Coluna Serpentina e a Coluna de Constantino.

Obelisco de Teodósio
Obelisco de Teodósio

Com a chegada dos otomanos, o centro da cidade ganhou novos símbolos. Um dos mais marcantes é a imponente Mesquita Azul, construída no início do século XVII mesmo ao lado do antigo hipódromo. Em contraste, do outro lado da praça, está a Hagia Sophia que começou por ser uma catedral bizantina e foi depois transformada em mesquita pelos otomanos.

E no meio de tudo isto, encontramos ainda a Fonte Alemã, oferecida pelo kaiser Guilherme II ao sultão Abdul Hamid II no final do século XIX. Este presente é um símbolo da amizade otomano-germânica e destaca-se pela sua cúpula verde e pelos mosaicos dourados no seu interior.

Fonte alemã
Fonte alemã
Ponte de Gálata

A Ponte de Gálata é um dos locais mais emblemáticos de Istambul e tornou-se rapidamente numa das zonas de que mais gostei. Cheia de vida a qualquer hora do dia, foi ali que me perdi a observar durante largos minutos o vaivém quase coreografado dos ferries no Bósforo, um caos organizado que parece fazer parte do ritmo natural da cidade.

Esta ponte liga duas partes distintas de Istambul. De um lado a zona histórica de Eminönü e Sultanahmet e do outro, a parte moderna da cidade, Karaköy e Beyoğlu. Cruza o Corno de Ouro (Haliç), um estuário natural em forma de corno que é o que lhe dá o nome.

Ponte de Gálata à noite
Ponte de Gálata à noite

 Com quase 500 metros de comprimento, a ponte tem dois andares distintos, no andar superior circulam os carros, os elétricos e os peões que atravessam o Bósforo de um lado para o outro. No piso inferior, esconde-se um ambiente mais tranquilo – vários restaurantes com vista privilegiada para a água onde se servem pratos de peixe fresco e o famoso balık ekmek, a típica sandes de peixe grelhado que é um verdadeiro clássico local.

Se passar por lá vai certamente encontrar dezenas de pescadores com as suas canas esticadas ao longo do corrimão da ponte, numa imagem que é quase um postal de Istambul. E ao final do dia, com as luzes acesas, a ponte ganha um charme especial, iluminando o reflexo das águas e o bulício da cidade.

Pescadores na Ponte de Gálata
Pescadores na Ponte de Gálata
Torre de Gálata

No bairro de Beyoğlu está a a Torre de Gálata, uma torre de pedra com 67 metros de altura que domina a paisagem da cidade. Construída em 1348 pelos genoveses, que então ocupavam esta zona de Istambul, a torre tinha originalmente uma função militar e servia como ponto de observação estratégica sobre o Corno de Ouro e o mar.

Ao longo dos séculos,a torre assumiu vários papéis: foi prisão durante o período otomano, serviu como torre de vigia dada a sua vista privilegiada sobre a cidade e chegou mesmo a funcionar como observatório.

Hoje é um dos miradouros mais procurados de Istambul pela sua vista sobre Istambul de quase 360ª. Como o nosso tempo pela cidade era pouco e a fila para entrar ainda era grande, optámos por não entrar na torre e vimo-la apenas por fora.

Torre de Gálata
Torre de Gálata
Balat

Balat é um dos bairros mais autênticos, históricos e carismáticos de Istambul. Situado no distrito de Fatih, junto ao Corno de Ouro, outrora lar da comunidade judaica sefardita, acolheu ao longo dos séculos várias comunidades, desde gregos ortodoxos a arménios e muçulmanos, tornando-se num verdadeiro mosaico cultural e religioso.

Hoje em dia, Balat ganhou popularidade entre os visitantes graças às suas encantadoras casas coloridas de madeira, algumas inclinadas pelo tempo, mas cheias de personalidade. É um bairro que respira história mas que ao mesmo tempo vibra com uma energia artística e alternativa, com cafés acolhedores e fachadas dignas de cartão-postal.

É daqueles lugares para a serem explorados a pé, perdendo-se pelas ruas estreitas e absorvendo cada detalhe, desde roupa estendida entre prédios a portas de cores vibrantes com gatos a dormitar nas soleiras. Mas apesar do charme inegável, há um lado menos encantador, a fama que Balat ganhou nos últimos anos trouxe com ela uma avalanche de gente à procura da “foto perfeita”. E o problema não é o número de pessoas, mas a forma como muitas delas se instalam em frente às casas mais fotogénicas como se o bairro fosse cenário exclusivo para a sua sessão fotográfica.

Para lá chegar, apanhámos o elétrico T5 em Eminönü e saímos na paragem Fener. Depois, foi só seguir a pé e deixar o bairro contar-nos a sua história ao virar de cada esquina.

Balat
Balat
Bósforo

O Bósforo é, sem dúvida, uma das zonas mais caóticas de Istambul e talvez por isso a minha preferida. Este estreito serpenteia entre dois continentes, separando a Europa da Ásia e ligando o mar de Mármara ao mar Negro, como se fosse uma artéria viva da cidade. Ao longo das suas margens podemos ver diversos palácios, fortalezas, mesquitas elegantes e as icónicas mansões otomanas à beira-mar, conhecidas como yalıs. Seja de ferry, a pé ou apenas a observar o vai e vem da vida local, o Bósforo tem aquela energia única que nos faz sentir que estamos junto ao coração de Istambul.

Travessia no Bósforo
Travessia no Bósforo
separador-turquia

Cultura

Dervish

Assistir à cerimónia dos dervishes rodopiantes em Istambul foi uma experiência que me marcou profundamente, não só pela beleza visual do ritual, mas pelo seu simbolismo espiritual intenso.

Este ritual místico, chamado Sema, é praticado pela ordem Mevlevi, inspirada nos ensinamentos do poeta e místico Rumi. A cerimónia começa em silêncio. Os dervishes, vestidos com capas pretas que simbolizam o túmulo do ego, entram em palco ao som suave da flauta ney, dos tambores e dos cânticos.

Dervish com a capa negra
Dervish com a capa negra

Quando a música começa retiram a capa e revelam a túnica branca e o alto chapéu de feltro.

Começam então a rodopiar sobre si mesmos com os braços estendidos: a mão direita voltada para o céu para receber a graça divina e a esquerda para o chão para transmiti-la ao mundo. O movimento constante e fluido representa a jornada espiritual em busca da verdade, o desapego do ego e a ligação entre o divino e o terreno.

Reconhecida como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, a cerimónia Sema não exige grande conhecimento para ser sentida. O rodopio hipnótico, a música envolvente e a solenidade do momento provocaram-me uma mistura de emoções difíceis de descrever — tristeza, melancolia, paz… Um daqueles momentos raros que nos tocam de forma inexplicável.

Mesmo que não se compreenda a totalidade do seu significado, é uma experiência que merece ser vivida.

Dervish a dançar

Posts

Relacionados

Rolo de kebab
Continuar a ler
Mesquita em contra-luz
Continuar a ler