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O ínicio do dia
Durante a nossa viagem à Riviera Maya, decidimos fazer algumas excursões para conhecer melhor a riqueza histórica da região. Esta que nos levou até às ruínas de Tulum e Cobá, foi uma das que reservámos ainda em Portugal, através da agência Rimaintours.
Se ainda não leu o post onde falamos do resort onde ficámos, pode espreitar aqui.
O dia começou bem cedo na receção do hotel onde nos juntámos ao grupo para apanhar o autocarro da Rimaintours. Ainda mal tínhamos acordado e já estávamos a caminho, mas felizmente ofereceram-nos um pequeno-almoço para aguentar o inicio da viagem. Uma sandes, um sumo e uma mini banana.
Tulum
A primeira paragem do dia foi nas Ruínas de Tulum, um dos sítios arqueológicos mais icónicos do México. O que o torna tão especial não é apenas a sua história mas também a sua localização no topo de uma falésia com vista direta para o Mar do Caribe, num cenário de tirar o fôlego.
Durante o período maia, Tulum foi um porto comercial de grande importância ligando rotas que atravessavam toda a Península de Yucatán até à América Central. Por ali passavam produtos valiosos como jade (uma pedra verde muito apreciada pelos maias), obsidiana (um tipo de vidro vulcânico usado para ferramentas e armas), penas de quetzal (um pássaro de cores vibrantes considerado sagrado) e cacau que era usado como moeda e em rituais.
Sabias que?
Os maias foram uma das civilizações mais avançadas e influentes da América pré-colombiana. Habitaram uma vasta região que hoje corresponde à Guatemala, Belize, Honduras, El Salvador e sul do México incluindo, claro, a Península de Yucatán onde fica Tulum.
A sua história começou por volta de 2000 a.C. e prolongou-se até à chegada dos espanhóis no século XVI. Destacaram-se pelo conhecimento em áreas como a astronomia, a matemática e a arquitetura. Criaram um calendário solar super preciso, construíram cidades com templos e pirâmides e desenvolveram um sistema de escrita próprio, um dos mais completos das Américas. Várias das estruturas que visitámos em Tulum são testemunhos desse legado impressionante.
O nome original da cidade poderá ter sido Zamá, que em maia significa “amanhecer”, provavelmente devido à sua posição voltada para o sol nascente. Já o nome Tulum, que significa “muralha”, foi atribuído mais tarde, numa clara referência às fortificações que cercam a cidade.
As muralhas cercam três dos quatro lados da cidade, sendo o quarto lado protegido naturalmente pelo oceano. Ao contrário de outras cidades maias mais abertas, Tulum era claramente fortificada, o que lhe dá uma configuração única.
Entre as principais estruturas das ruínas destacam-se:
Construído no topo da falésia, é a estrutura mais imponente de Tulum. Servia como templo, mas também como farol para os navegadores maias, ajudando-os a orientar-se pelo mar.
Um dos edifícios mais bem preservados, com pinturas murais feitas “a fresco”, uma técnica em que os pigmentos são aplicados sobre reboco húmido. As imagens retratam figuras mitológicas e rituais maias.
Situada junto a um pequeno cenote (poço natural de água doce), esta estrutura mostra a importância da água para os maias, tanto como fonte de vida como elemento espiritual ligado a rituais.
Erguido num penhasco junto ao mar, é um templo pequeno mas robusto, estrategicamente construído para resistir aos ventos fortes e furacões que atingem a costa. Um verdadeiro guardião do litoral.
Este pequeno templo tem uma figura esculpida de cabeça para baixo, associada à fertilidade, ao nascimento e a divindades ligadas ao pôr-do-sol. Fica dentro do recinto muralhado, perto de El Castillo.
Cenote Chen Há e cenote Mariposa
A nossa paragem seguinte foi num local com dois cenotes, o Chen Há e o Mariposa.
Mas afinal, o que é um cenote?
É um poço ou caverna com água doce, resultado do colapso de rochas calcárias ao longo de milhares de anos. Existem centenas deles espalhados por toda a península de Yucatán e os maias consideravam-nos sagrados. Eram fontes de água potável, locais de rituais e sacrifícios e acreditava-se ainda que funcionavam como portais para Xibalbá, o submundo maia.
Existem diferentes tipos de cenotes:
- Abertos, que se assemelham a lagos ou piscinas naturais;
- Semiabertos, com aberturas parciais na superfície;
- Cavernosos ou subterrâneos, localizados dentro de grutas, ideais para mergulho;
- Colapsados, onde o teto ruiu por completo, criando grandes poços a céu aberto.
Já o cenote Mariposa é quase todo a céu aberto, com águas rasas e bastante luz natural. É preciso ter atenção às rochas escorregadias na entrada, mas no geral o acesso é fácil e o ambiente muito agradável. Confesso que gostei mais deste último, talvez por ser mais aberto, mais luminoso e dar uma maior sensação de liberdade.
Cobá
Terminadas as visitas a Tulum e aos cenotes, a fome já começava a apertar e fomos então almoçar num restaurante muito agradável à beira da lagoa de Cobá. O almoço (incluído na tour) era buffet e além de saboroso caiu mesmo bem para recuperarmos as energias.
Restaurante em Cobá
Já com a barriga cheia e prontos para continuar, seguimos viagem até às ruínas de Cobá, outra cidade importante da civilização maia, localizada a cerca de 45 km de Tulum. No seu auge, Cobá chegou a ter cerca de 50 mil habitantes e dominava uma vasta rede de estradas maias chamadas “sacbés” que a ligavam a outras cidades, incluindo a famosa Chichén Itzá. Com o declínio da civilização maia, Cobá acabou por ser abandonada e lentamente engolida pela floresta, tornando-se hoje um sítio arqueológico envolto numa atmosfera misteriosa e fascinante.
Como Cobá é enorme, à entrada existe a possibilidade de alugar bicicletas ou optar por um tuktuk (um género de bicitáxi). Nós escolhemos ir de tuktuk para maior comodidade. No final da visita, o rapaz que nos conduziu, tal como os restantes condutores, ficou à espera da “propina” (gorjeta). Curiosamente, esta foi a única vez em que falou connosco durante todo o percurso, precisamente para pedir a gorjeta. Como não o achámos particularmente simpático nem prestável, acabámos por não dar nada além do valor do aluguer do tuktuk, que foi de 150 pesos.
Começámos pela zona mais próxima da entrada onde se encontram vários edifícios menores, praças e alguns templos. Logo ali perto fica o Campo do Jogo da Bola onde os antigos maias praticavam o chamado “futebol maia” que em alguns casos podia terminar com sacrifícios humanos.
No entanto o bicitáxi fez apenas duas paragens a principal foi na grande pirâmide Nohoch Mul e a outra junto ao Observatório Astronómico. Todos os restantes pontos acabámos por ver apenas de passagem ao longo do percurso.
A pirâmide Nohoch Mul com cerca de 42 metros é uma das estruturas mais altas da Península de Yucatán. Antigamente era possível subir até ao topo e desfrutar de uma vista panorâmica sobre a selva mas atualmente já não é permitido para preservar a estrutura.
O Observatório Astronómico terá servido aos maias para acompanhar os ciclos solares e lunares fundamentais para o seu calendário e agricultura.
Durante o percurso, passámos também por várias das famosas sacbés, uma rede de estradas pavimentadas com pedras calcárias que ligavam Cobá a outras cidades importantes como Chichén Itzá, essenciais para o comércio e comunicação entre os centros maias.
Pelo caminho conseguimos ainda avistar algumas das estelas de pedra (monumentos verticais esculpidos com inscrições e relevos) que contam histórias sobre governantes e eventos importantes da cidade. Pequenas janelas para o passado maia mesmo que vistas apenas de relance enquanto o bicitáxi passava.
Cobá acabou por ser uma visita que valeu a pena, especialmente pela envolvência natural da selva que lhe dá um ambiente mais misterioso e a torna diferente de outras cidades maias que visitámos.
Aldeia Maia
A última paragem do dia foi numa comunidade maia. Bem… chamar-lhe comunidade talvez seja um exagero, porque aquilo era mais uma pequena aldeia e dizer pequena ainda é um eufemismo. Víamos apenas duas ou três casas simples, alguns terrenos de cultivo e uns quantos animais domésticos à solta.
À chegada, fomos recebidos por um senhor apresentado como o líder espiritual da comunidade. Assistimos a um ritual ao ar livre, feito por ele junto de uma espécie de altar que, segundo explicou, servia para purificar através dos deuses e dos espíritos da natureza. Durante o ritual, foi-nos explicada a simbologia e o processo envolvido.
Depois fomos convidados a entrar numa das casas, onde a sua mulher preparava tortilhas de forma tradicional, que nos foram servidas para provar. Por fim, fomos encaminhados para outra casa onde estavam expostos produtos artesanais feitos por eles, uma pequena loja destinada claramente aos visitantes.
Sinceramente a experiência até foi engraçada mas deixou-me a sensação de ser mais uma encenação pensada para turistas do que um verdadeiro vislumbre da vida numa comunidade maia. Pareceu-me mais uma recriação do que uma realidade.
Brinde final
Já a caminho do hotel é quando a festa começa no autocarro. É a altura do famoso brinde de despedida da Rimaintours com tequila. Eles levam algumas bebidas para a excursão tal como águas, coca-cola e cervejas que temos à disposição em cada paragem e depois levam algumas garrafas de tequilla para o brinde final e só digo que o que acontece no México, fica no México e que o caminho entre a recepção do hotel e do quarto não foi fácil de fazer para alguns de nós…
