Índice
Chegada a Berlim
Há muito tempo que tínhamos curiosidade em visitar Berlim, uma cidade cuja história recente sempre nos fascinou. Berlim é uma cidade onde o passado encontra o presente a cada esquina, e cada monumento conta uma história. Este é o relato da nossa viagem, que nos levou a explorar não só os pontos turísticos mais emblemáticos, mas também os momentos históricos que moldaram a cidade.
Chegámos a Berlim de comboio, desembarcando na monumental estação central, a Hauptbahnhof. Esta estação é um verdadeiro hub de transportes, onde se pode apanhar comboio, metro, comboio de superfície, autocarro, elétrico, táxi e muito mais. Além disso, a estação abriga várias lojas, restaurantes e balcões de agências de aluguer de carros, tornando-se num ponto de partida perfeito para qualquer aventura na cidade.
Saímos pela saída norte da estação, atravessámos a Invalidenstrasse e caminhámos cerca de 300 metros até ao Hotel Amano, o nosso refúgio durante os próximos dois dias. Após um rápido check-in e deixar as malas no quarto, voltámos à estação, prontos para começar a nossa exploração pela cidade.
O Reichstag e a Porta de Brandemburgo
Saindo pela porta sul da estação, dirigimo-nos a pé até ao Reichstag, o icónico edifício do parlamento alemão. Inaugurado em 1894, este edifício é um marco de importância histórica e política. A visita à cúpula do Reichstag é uma das experiências mais procuradas em Berlim, oferecendo uma vista panorâmica da cidade e uma sensação tangível da história política alemã e, de lá, seguimos por um belo jardim que nos levou até à Porta de Brandemburgo, um símbolo da unificação alemã.
No caminho, passámos pelo Memorial para os Sinti e Roma, que homenageia as vítimas do Nacional-Socialismo. O memorial em sua homenagem consiste numa piscina redonda, cujo design simboliza a igualdade e o luto pelas vítimas, representado por uma flor fresca colocada diariamente no centro.
Sabias que?
Os Sinti e Roma são grupos étnicos tradicionalmente nómadas, comumente conhecidos como “ciganos”, embora este termo seja muitas vezes considerado pejorativo. Os Sinti vivem principalmente na Europa Central, enquanto os Roma se encontram em várias regiões da Europa. Durante o regime nazi, milhares de Sinti e Roma foram perseguidos e mortos em campos de concentração, num genocídio que ficou conhecido como o Porajmos.
Memorial Sinti e Roma
O Memorial do Holocausto e a Pariser Platz
A poucos passos da Porta de Brandemburgo, fizemos um pequeno desvio para visitar o Memorial do Holocausto. Este poderoso memorial, dedicado aos seis milhões de judeus mortos durante o regime nazi, é composto por 2.711 blocos de betão de diferentes alturas. Caminhar por entre esses blocos evoca um sentimento de desconforto e confusão, lembrando-nos da brutalidade do Holocausto.
Voltando à Porta de Brandemburgo, atravessámo-la para chegar à Pariser Platz, uma praça histórica cercada por edifícios importantes, incluindo as embaixadas dos Estados Unidos e da França. A praça, que durante a divisão da cidade ficou deserta e em ruínas, hoje é um local vibrante, restaurado à sua antiga glória.
Unter den Linden e a Ilha dos Museus
A partir da Pariser Platz, seguimos pela Unter den Linden, a avenida mais famosa de Berlim, que se estende até à Ilha dos Museus. Ao longo da avenida, passámos pela imponente Embaixada da Rússia, pela Universidade Humboldt, onde estudaram grandes figuras como Albert Einstein, e pelo Neue Wache, o Memorial Central da Alemanha para as Vítimas da Guerra e da Tirania. Dentro do edifício neoclássico, encontra-se uma escultura de uma mãe segurando o corpo do seu filho morto, uma obra de Käthe Kollwitz que encapsula a dor e o luto da guerra.
Finalmente, chegámos à Ilha dos Museus, localizada no rio Spree e classificada como Património Mundial da UNESCO. Aqui, a riqueza cultural é imensa, com cinco museus de renome mundial. A Berliner Dom, a Catedral de Berlim, ergue-se majestosa na ilha, dominando a paisagem com a sua cúpula impressionante.
- Museu Pergamon: Famoso pelas suas colecções da antiguidade clássica, arte do Oriente Próximo e arte islâmica.
- Altes Museum: Abriga a mais importante colecção de arte da Grécia, Roma e Etrúria.
- Neues Museum: Destaca-se pelas colecções do Antigo Egipto e da Pré-História.
- Alte Nationalgalerie: Com uma vasta colecção de pinturas e esculturas europeias do século XIX.
- Museu Bode: Especializado em esculturas, arte bizantina, moedas e medalhas.
Alexanderplatz e a Igreja Marienkirche
Deixando a Ilha dos Museus, seguimos em direção à Alexanderplatz, uma das praças mais conhecidas de Berlim. No caminho, passámos pela simpática Igreja de Santa Maria de Berlim (Marienkirche). Originalmente uma igreja católica, Marienkirche foi convertida ao protestantismo após a Reforma, e é uma das igrejas mais antigas de Berlim, destacando-se pela sua arquitetura gótica e pela frescura histórica que preserva no seu interior.
A Alexanderplatz é um amplo espaço aberto e um importante terminal de transportes públicos, simbolizando a vida urbana de Berlim. Aqui, encontra-se a Torre de TV (Berliner Fernsehturm), uma das estruturas mais altas da Europa. Subir ao topo da torre oferece vistas deslumbrantes da cidade. A praça é também o lar da Fonte da Amizade Internacional e do Relógio Mundial, um marco que exibe as horas de várias cidades ao redor do mundo.
Torre de TV e Relógio Mundial na Alexanderplatz
Gendarmenmarkt e Friedrichstrasse
A nossa próxima paragem foi a Gendarmenmarkt, considerada por muitos a praça mais bonita de Berlim. Este espaço é dominado por três edifícios majestosos:
- Konzerthaus: A casa de concertos de Berlim e sede da Orquestra Sinfónica de Berlim.
- Catedral Francesa (Französischer Dom): A catedral mais antiga, com um museu que conta a história dos huguenotes franceses em Berlim.
- Catedral Alemã (Deutscher Dom): Semelhante à Catedral Francesa, abriga um museu que explora a história política da Alemanha.
Perto da Gendarmenmarkt, explorámos a Friedrichstrasse, uma avenida repleta de lojas, centros comerciais e restaurantes. Esta rua é um verdadeiro paraíso para os amantes das compras e um testemunho do dinamismo de Berlim.
Bernauer Strasse e o Muro de Berlim
Na Bernauer Strasse, visitámos o Berlin Wall Memorial, onde uma parte do Muro de Berlim foi preservada como lembrança do período em que a cidade foi dividida. Próximo dali, em Garten-Platz, admiramos a igreja neo-gótica de St. Sebastian, uma das mais belas igrejas católicas de Berlim.
Mais adiante, passámos pelo local onde se situava o Führerbunker, o abrigo subterrâneo onde Adolf Hitler passou os seus últimos dias e cometeu suicídio a 30 de abril de 1945. Hoje, o local é apenas uma placa informativa, refletindo o desejo de Berlim de confrontar, mas não glorificar, esse passado sombrio.
East Side Gallery e Oberbaumbrücke
Seguimos para a East Side Gallery, a maior galeria de arte a céu aberto do mundo, onde artistas de várias partes do globo transformaram um trecho do Muro de Berlim num símbolo de liberdade e expressão. Aqui, também avistámos a Oberbaumbrücke, uma ponte de tijolos vermelhos que atravessa o rio Spree, ligando os bairros de Friedrichshain e Kreuzberg.
Oberbaumbrücke - Ponte de tijolos vermelhos
Potsdamer Platz: De Terra de Ninguém a Centro Urbano
Finalizámos o nosso roteiro na Potsdamer Platz, um lugar que encapsula a transformação dramática de Berlim ao longo dos séculos. Antes da Segunda Guerra Mundial, a Potsdamer Platz era um vibrante centro de vida social, cheia de bares, restaurantes e cinemas. No entanto, foi devastada durante os bombardeamentos e, posteriormente, a construção do Muro de Berlim dividiu a praça ao meio, transformando-a numa “terra de ninguém”.
Com a queda do Muro, a Potsdamer Platz renasceu como um símbolo do novo Berlim. Hoje, é um moderno centro urbano com arranha-céus, centros comerciais, cinemas e restaurantes, representando o renascimento da cidade como uma metrópole cosmopolita.
Conclusão
Berlim é uma cidade que desafia o visitante a refletir sobre o passado enquanto se maravilha com o presente. Cada esquina, cada praça, cada monumento carrega uma história que merece ser conhecida. Mais do que um “Muro da Vergonha”, como foi apelidado durante a Guerra Fria, Berlim é hoje um símbolo de resistência, renovação e unificação. Explorá-la é mergulhar num capítulo essencial da história europeia e compreender o impacto que a cidade teve no mundo contemporâneo.
