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Conhecer Roma
Roma! O que dizer sobre a cidade que me roubou o coração? Quaisquer palavras parecem insuficientes para descrever a cidade eterna, repleta de história, cultura e beleza. Um autêntico museu a céu aberto.
Quando pesquisávamos sobre Roma, líamos sempre que o melhor era andar a pé, pois é um museu vivo ao ar livre. Como acontece em muitas cidades, explorar a pé é sempre a melhor opção, mas nada nos preparou para a grandeza de Roma. Assim que saímos da estação de comboios Termini e seguíamos caminho para o nosso alojamento, junto à Fontana di Trevi, o Tiago olhava para um lado, via um edifício imponente, perguntava-me o que era, e eu tentava rapidamente consultar o Google Maps para lhe dar uma resposta. Antes de conseguir responder, já ele tinha olhado para outro lado, avistado outro edifício grandioso, e a pergunta repetia-se com ainda mais entusiasmo. Foi assim nos primeiros 10 minutos em Roma: uma sucessão de deslumbramentos.
Chiesa di San Carlo alle Quattro Fontane
Os 4 dias que passámos em Roma deram-nos tempo suficiente para conhecer os principais marcos e absorver a atmosfera única desta cidade fascinante.
Quando planeámos a estadia, procurámos um local que fosse o mais central possível para todas as atrações. Observámos o mapa e marcámos os pontos principais que queríamos visitar. Como saímos cedo, muitas vezes antes do nascer do sol, o metro não era uma opção viável, por isso optámos por um alojamento bem localizado. Escolhemos ficar na zona da Fontana di Trevi, no Town House Fontana di Trevi, a apenas 50 metros da famosa fonte. O nosso alojamento ficava a menos de 30m a pé dos principais pontos: 30 minutos para o Vaticano ou 20 minutos para o Coliseu. Roma revelou-se uma cidade ideal para quem gosta de caminhar e perder-se nas suas ruas repletas de história e encanto.
Dia 1 – Fontana de Trevi, Vaticano e Castel Sant’Angelo
Apanhámos o Frecciarossa em Florença e, 1h30 depois, cerca das 13h, estávamos em Roma Termini. De malas às costas e com energia renovada, iniciámos o caminho até ao hotel. Estávamos numa rua cheia de gente quando nos deparámos com uma praça ainda mais movimentada. Com alguma dificuldade, cotoveladas e encontrões pelo caminho, consegui finalmente vislumbrar a grandiosa Fontana di Trevi. É surreal o tamanho e a beleza desta fonte. O objetivo era voltar lá de madrugada para a poder fotografar e apreciá-la com calma e sem confusão. (Spoiler: em 4 madrugadas, nunca a encontrámos vazia! Atrevo-me a afirmar que, a qualquer dia e a qualquer hora, a fonte tem sempre gente a admirá-la.)
Depois do check-in, era hora de começar a explorar Roma. O objetivo deste dia era ir até à zona do Vaticano para escolher o melhor local para o fotografar no dia seguinte de madrugada. Pelo caminho, fomos aproveitando para descobrir o que Roma tinha para oferecer.
A primeira paragem foi no restaurante Il Chianti, onde almoçámos. De seguida, fomos visitar o Panteão, um dos edifícios mais bem preservados da antiguidade, que servia como templo dedicado a todos os deuses romanos. É famoso pela sua cúpula com um óculo no centro por onde entra a luz natural. Quando lá estivemos, a entrada ainda era gratuita.
Interior do Panteão
Seguimos caminho até à Piazza Navona, onde está a igreja Sant’Agnese in Agone e três fontes: a Fontana del Moro, a Fontana del Nettuno e a Fontana dei Quattro Fiumi (esta representa os quatro grandes rios da época: Nilo, Danúbio, Ganges e Prata).
Deixando a Piazza para trás, continuámos até à Ponte Umberto I, com o Palácio da Justiça do outro lado. Foi desta ponte que tivemos o primeiro vislumbre do tão esperado Vaticano.
Do outro lado do rio Tibre, passámos em frente ao Castelo de Sant’Angelo e seguimos até à ponte em frente a ele, com o mesmo nome, para esperar que o sol se escondesse por detrás do Vaticano.
No regresso ao hotel ainda deu para percorrer as ruas da cidade e apreciar a vida noturna que por ali acontecia e mais uma vez passámos pela Fontana di Trevi para ver como estava a “lotação”.
Ruas de Roma
Dia 2 – Vaticano e Ponte de Sant’Angelo
O dia começou bem cedo, ainda de noite, e com alguma inocência tentámos a sorte de fotografar a Fontana di Trevi sem pessoas, mas sem sucesso. Desiludidos com a situação, fomos andando até ao Vaticano, pois era o dia de o visitar. É a menor cidade-estado do mundo, centro da Igreja Católica e residência do Papa.
Os três pontos de destaque são a Praça de São Pedro, a Basílica de São Pedro e os Museus Vaticanos. Iniciámos a nossa visita pelos Museus Vaticanos com os bilhetes comprados online na GetYourGuide. Aqui está uma vasta coleção de arte e tambem a Capela Sistina onde é proibido fotografar, famosa pelo seu teto pintado com várias cenas bíblicas por Michelangelo, sendo a mais conhecida a “Criação de Adão”.
Uma das coisas que também nos chamou a atenção durante a visita, pela curiosidade que é, foram as escadarias. Trata-se da Escadaria de Bramante, um dos ícones arquitetónicos do Vaticano. É uma estrutura em espiral, com um design engenhoso de dupla hélice, o que permite que as pessoas subam e desçam sem nunca se cruzarem.
Escadararias do Vaticano
Depois de visitar os museus, já era hora de almoço e comemos num restaurante ali da zona, a “Taverna Lino”. Com as energias repostas, era altura de subir à cúpula e deliciarmo-nos com a fabulosa vista sobre a cidade. Foram 551 degraus até lá acima, ou, pagando um pouco mais, iniciávamos a subida de elevador e restavam “apenas” 320 degraus para subir a pé. Nós optámos pela segunda opção, e mesmo assim não foi nada fácil. As escadas são em caracol e bem apertadas, mas no fim o esforço é recompensado pela vista.
Era hora de ir até à Basílica: a fila de entrada é longa e inicia-se na Praça de São Pedro, considerada uma das mais bonitas praças do mundo. A entrada na Basílica é gratuita, mas primeiro temos de passar por um rigoroso controlo de pertences, com detector de metais ao estilo dos controlos nos aeroportos. Por ser um local religioso, há regras de vestuário a serem seguidas.
Sabias que?
A Basílica de São Pedro é um dos lugares mais sagrados do Cristianismo e foi construída sobre o local onde o apóstolo Pedro, considerado o primeiro Papa, está sepultado. A sua história remonta ao século IV, quando o imperador Constantino mandou erguer a primeira igreja sobre a tumba de Pedro. A basílica atual, no entanto, foi construída entre os séculos XVI e XVII, com contribuições de alguns dos maiores artistas e arquitetos da época, como Michelangelo e Bernini, tornando-se uma obra-prima do Renascimento e do Barroco.
Já o dia ia longo e terminámos o nosso segundo dia da mesma maneira que o anterior, na Ponte de Sant’Angelo.
Dia 3 – Coliseu, Forum e Monte Palatino
O dia começou ainda de noite, com a intenção de visitar o Colosseo, mas antes passámos pelo Monumento a Vittorio Emanuele II. Inaugurado em 1911, o monumento homenageia Vittorio Emanuele II, o primeiro rei da Itália unificada.
Só depois seguimos para o Coliseu, ainda de noite, onde ficámos a esperar o nascer do dia. Comprámos os bilhetes online, na GetYourGuide, que davam acesso ao Coliseu, ao Monte Palatino e ao Fórum Romano. Decidimos começar pelo Palatino.
O Monte Palatino é a mais central das sete colinas de Roma e está intimamente ligado à fundação da cidade. Segundo a lenda, Rômulo, o fundador de Roma, construiu a sua casa aqui, e a colina era um bairro aristocrático. Descemos para o Fórum Romano, que foi o coração da vida política, social, económica e religiosa na Roma antiga. Destacamos alguns pontos, como a Via Sacra, o Arco de Tito, o Templo de Saturno e o Templo de António e Faustina. E chegou a hora de entrar no Coliseu.
A fila estava curta e, em pouco tempo, já estávamos dentro. O Coliseu, anteriormente conhecido como Anfiteatro Flávio, é o maior anfiteatro construído durante o Império Romano. Com cerca de 2.000 anos, foi destinado a eventos públicos, como combates de gladiadores e execuções. Muito sangue foi derramado no seu chão. Já sofreu terramotos, incêndios e até bombardeamentos durante a Segunda Guerra Mundial, o que explica a sua estrutura incompleta hoje em dia. Símbolo da engenharia e cultura da Roma antiga, é atualmente uma das 7 maravilhas do mundo.
Ao lado, na praça, encontra-se o Arco de Constantino, um importante símbolo do poder imperial, celebrando a vitória de Constantino na Batalha da Ponte Milvia e a transição do paganismo para o Cristianismo no Império Romano.
Almoçámos num restaurante por detrás do Coliseu e, depois, seguimos até à Igreja de Santa Maria in Cosmedin para testar a nossa sorte com a famosa “Bocca della Verità”. Conta a lenda que esta máscara de pedra era usada como “testemunho” em julgamentos, pois acreditava-se que morderia a mão de quem mentisse. A fila para a fotografia na “boca da verdade” é longa, mas no final não nos disse nada de extraordinário, além de ser só mais uma foto da praxe.
Atravessámos o rio Tibre pela Isola Tiberina, uma pequena ilhota, e chegámos a Trastevere, um bairro encantador, autêntico e boémio, conhecido pelos seus restaurantes, cafés e bares. Como tínhamos andado pouco durante o dia, decidimos subir até ao Monte Aventino para ver o buraco de fechadura mais famoso do mundo. Parece brincadeira, mas, depois de explicar, perceberão que não é. Na Piazza dei Cavalieri di Malta, há uma grande porta verde com um buraco de fechadura que, ao espreitar, revela um túnel de folhas verdes e a cúpula do Vaticano perfeitamente alinhada. A vista é deslumbrante, por ser tão única. No entanto, a experiência tem um senão: dá para ver a olho nu, mas as fotos tiradas com telemóvel ficam desfocadas ou com o Vaticano muito longe, e a pressão de ter uma fila de pessoas à espera para espreitar pela fechadura é grande. As boas fotos deste local são feitas com câmaras fotográficas. A desilusão na cara de quem tenta fotografar com o telemóvel é visível.
Buraco da fechadura visto, chegou a hora de nos dirigirmos ao nosso próximo destino: um miradouro na Piazza del Campidoglio, projetada por Michelangelo. Este é um dos ícones da Roma renascentista e é aqui que se encontram os Museus Capitolinos, com uma vista incrível sobre o Fórum Romano e o Coliseu.
Dia 4 – Piazza di Spagna e Piazza del Popolo
O nascer do sol foi novamente na Ponte de Sant’Angelo. A seguir, decidimos voltar para a Fontana di Trevi, pois era lá perto a nossa próxima descoberta. Era hora de conhecer a cidade da água, ou Vicus Caprarius. Descoberto por acaso nas obras do antigo cinema Trevi em 1999, Vicus Caprarius é uma área arqueológica subterrânea que inclui as estruturas de uma Domus Imperial (uma luxuosa residência da época imperial) e os restos do grande tanque de distribuição de água (Castellum Aquae) do aqueduto virgem.
Daqui, fomos até à Piazza di Spagna com a sua famosa escadaria de Espanha, onde também está a Fontana della Barcaccia. Pela Via del Corso, chegámos à Piazza del Popolo. Aqui, vemos duas igrejas gémeas, Santa Maria dei Miracoli e Santa Maria in Montesanto, e ainda o Obelisco Flamínio, um dos mais antigos. Subimos até ao miradouro do Monte Pincio para ver a vista e, pela última vez, percorremos as margens do Tibre até à Ponte de Sant’Angelo para nos despedirmos do Vaticano.
Dia 5 – Despedida de Roma
Era o dia de regresso, mas antes, ainda durante a madrugada passámos pela Piazza di Spagna para fotografar a Fontana della Barcacia sem o aglomerado de pessoas que por ali se forma durante o dia. Daqui fomos novamente para a estação de Roma Termini apanhar o comboio para o aeroporto e dizer adeus a esta fabulosa cidade.
