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História da cidade
Glasgow, a maior cidade da Escócia, é um lugar cheio de história, cultura e uma energia vibrante que conquista qualquer visitante. Com mais de 800 anos, esta cidade teve um papel fundamental no crescimento económico da Escócia, primeiro através do comércio de tabaco no século XVI e, mais tarde, com a Revolução Industrial, que a transformou num dos principais centros de engenharia e construção naval do mundo.
Tivemos apenas uma tarde para explorar Glasgow, numa visita rápida, mas mesmo assim conseguimos sentir a atmosfera única da cidade e descobrir alguns dos seus pontos mais emblemáticos.
Brasão da cidade
O brasão de Glasgow tem quatro símbolos curiosos: um pássaro, um sino, uma árvore e um peixe. Estes elementos estão ligados a lendas e histórias locais e fazem parte da identidade da cidade, sendo até ensinados às crianças através de uma cantilena:
There’s the tree that never grew,
There’s the bird that never flew,
There’s the fish that never swam,
There’s the bell that never rang.
(Há a árvore que nunca cresceu, há o pássaro que nunca voou, há o peixe que nunca nadou, há o sino que nunca tocou.)
Centro da cidade
Bem no coração de Glasgow, a George Square é um ponto central da cidade, rodeada por estátuas e monumentos que homenageiam figuras históricas, incluindo a Rainha Vitória, o Príncipe Alberto e James Watt, o célebre inventor escocês. Aqui também encontramos a imponente City Chambers, a câmara municipal, um edifício vitoriano que impressiona pela sua grandiosidade e mesmo em frente um memorial da I e II Guerras Mundiais.
Duque de Wellington
A poucos passos dali, encontra-se a Gallery of Modern Art, mas o que realmente chama a atenção é a estátua do Duque de Wellington à sua porta. Não pela estátua em si, mas pelo famoso cone de trânsito que quase sempre enfeita a cabeça do duque. O que começou como uma brincadeira estudantil há mais de 40 anos tornou-se um ícone da cidade – sempre que é removido, alguém o volta a colocar.
Glasgow é uma cidade culturalmente rica, e muitos dos seus museus têm entrada gratuita, como o Kelvingrove Art Gallery and Museum e o Riverside Museum. Com o tempo contado, acabámos por visitar apenas este último, um espaço fascinante dedicado à história dos transportes e da indústria.
Catedral
Outro ponto imperdível é a Catedral de Glasgow, também conhecida como Catedral de St. Mungo. Este impressionante edifício gótico pré-Reforma é a única catedral medieval escocesa que sobreviveu intacta às transformações religiosas do século XVI. Mesmo atrás, fica a Necrópole de Glasgow, um cemitério vitoriano em colina, com vistas incríveis sobre a cidade e lápides impressionantes. Em frente à catedral, encontra-se o Museu St. Mungo, dedicado à religião e à vida espiritual ao longo dos tempos.
Necropole de Glasgow
Para quem gosta de espaços verdes, Glasgow não desilude. Parques como o Glasgow Green, junto ao Rio Clyde, e o Kelvin Park, perto da universidade, são perfeitos para passeios tranquilos. Mas há também um espaço verde bem diferente e cheio de história: a Necrópole de Glasgow. Inspirada no cemitério Père Lachaise, em Paris, esta impressionante necrópole vitoriana foi concebida como um cemitério jardim e pensado para acolher diferentes crenças. O primeiro enterro foi de um judeu, em 1832, mas só no ano seguinte foi oficialmente inaugurada com o primeiro enterro cristão.
Com 15 hectares, estima-se que a necrópole tenha recebido cerca de 50 mil enterros e conta com aproximadamente 3.500 monumentos. Foi um dos poucos cemitérios a manter registos detalhados dos mortos, incluindo profissão, idade, sexo e causa da morte. Muitos dos mausoléus e esculturas foram desenhados por grandes arquitetos e escultores escoceses da época, como Alexander Thomson, Charles Rennie Mackintosh e J.T. Rochead.
Necropole de Glasgow
O acesso à Necrópole faz-se por uma ponte situada junto à catedral, conhecida como “Bridge of Sighs” (Ponte dos Suspiros), por onde passavam as procissões fúnebres. Situada numa colina, oferece vistas panorâmicas sobre Glasgow, tornando-se também num excelente ponto para fotografias ou simplesmente para apreciar o pôr-do-sol Apesar do seu propósito sombrio, há algo de poético na Necrópole – um ambiente tranquilo que atrai estudantes, casais e curiosos que a visitam não só pela história, mas também pela beleza do local.
Edificios de Glasgow
A cidade tem um aspeto único, com fachadas em tons acastanhados, prédios uniformes e ruas onde outrora famílias inteiras viviam em pequenas divisões, partilhando casas de banho entre vizinhos. Esse cenário contrasta com os edifícios modernos que foram surgindo ao longo dos anos, especialmente no centro da cidade, onde a arquitetura contemporânea convive lado a lado com construções históricas, dando a Glasgow uma identidade visual dinâmica e cheia de contrastes.
Hoje, essas ruas históricas contrastam com os murais e grafites vibrantes que enchem as fachadas dos edifícios, tornando Glasgow um verdadeiro museu a céu aberto para os amantes da arte urbana.
Paredes grafitadas em Glasgow
Buchanan Street
Buchanan Street é o coração comercial da cidade, uma longa rua pedonal repleta de lojas para todos os gostos, desde marcas internacionais até lojas tradicionais escocesas, onde se podem encontrar os famosos kilts. À noite, a rua transforma-se, com as fachadas iluminadas a darem um novo brilho à paisagem urbana.
Com a sua energia contagiante, a mistura perfeita entre o histórico e o moderno e uma população acolhedora, Glasgow é uma cidade que merece ser explorada sem pressa.
