A origem
Singapura é uma cidade que não se entende à primeira vista, o que talvez faça parte do seu encanto. Antes de começarmos a explorá-la, sentimos necessidade de saber mais sobre a sua história, porque Singapura não é apenas uma cidade nem apenas um país. É uma cidade-estado, uma das poucas que existem no mundo e essa condição só se compreende quando se olha para o passado.
Durante séculos foi apenas um pequeno porto de pesca no Estreito de Malaca, um ponto estratégico nas rotas comerciais que ligavam o Oriente ao Ocidente. No século XIX tornou-se colónia britânica e foi nessa altura que começou a ganhar importância como entreposto comercial. Depois da Segunda Guerra Mundial integrou a recém-formada Federação da Malásia, mas a união durou pouco. A convivência revelou-se difícil devido a fortes tensões políticas, económicas e sobretudo étnicas. Em 1965, numa decisão inesperada tomada pelo parlamento da Malásia, Singapura foi expulsa da federação. Tornou-se independente de um dia para o outro, sem recursos naturais e com uma população profundamente diversa, e muitos duvidavam da sua capacidade para sobreviver sozinha.
Perante este cenário frágil, o país tomou uma decisão que viria a definir o seu futuro. A nova República adotou o princípio de que todos pertenciam ao mesmo povo, independentemente da raça, da língua ou da religião. Este compromisso firme com a igualdade tornou-se o alicerce da sociedade singapurense e foi determinante para a estabilidade que permitiu o crescimento rápido e a prosperidade que hoje se vê.
Ao mesmo tempo que se modernizou, Singapura manteve viva a sua identidade multicultural. Chineses, malaios, indianos e comunidades árabes convivem diariamente e essa mistura sente-se na comida, nos templos, nos bairros, nas cores e nas várias línguas que ecoam pela cidade. O ultramoderno e o tradicional coexistem com naturalidade, quase como se fossem duas expressões diferentes da mesma personalidade.
Aeroporto
A sensação de estarmos a entrar numa realidade paralela começou logo no aeroporto. No Jewel Changi, o Rain Vortex cai do teto com uma elegância quase irreal, como se fosse o primeiro cartão de visita de Singapura. Nunca uma viagem tinha começado assim. Ainda antes de sairmos para a cidade, já estávamos completamente absorvidos por esta mistura de natureza e tecnologia, onde até o trânsito de passageiros parece fazer parte do cenário
Rain Vortex
Alojamento
Ficámos alojados no YMCA One Orchard, simples, prático e muito bem localizado. O voo tinha sido durante a noite e chegámos a Singapura por volta das duas da tarde, já com o cansaço típico de quem dormiu pouco no avião. Passámos algum tempo no aeroporto porque queríamos ver o Rain Vortex com calma e quando finalmente seguimos para o hotel e fizemos o check-in, a tarde já ia avançada. Decidimos que esse primeiro dia seria apenas para um breve contacto com a cidade.
YMCA One Orchard Hotel
Marina Bay
Fomos até Marina Bay ao final da tarde e foi como entrar num cenário futurista. A zona é, de certa forma, a montra da cidade, o lugar onde tudo aquilo que imaginamos sobre Singapura ganha forma diante dos nossos olhos. Os arranha-céus espelham-se na água com uma precisão quase irreal, enquanto a silhueta do Marina Bay Sands, com o seu “barco” pousado sobre três torres, domina toda a paisagem como um colosso moderno
A baía em si é completamente artificial, resultado de um enorme projeto de urbanização que fechou a área ao mar e criou o espaço perfeito para uma cidade que vive de equilíbrio entre arquitetura e natureza. Hoje, é aqui que quase tudo acontece, tem corredores para caminhadas, ciclovias, esplanadas, restaurantes, jardins suspensos e edifícios que parecem saídos de um filme de ficção científica.
Ao longo da Waterfront Promenade, a cidade muda de personalidade à medida que anoitece. As luzes começam a acender-se, os reflexos intensificam-se e a baía transforma-se numa espécie de anfiteatro a céu aberto. É aqui, mesmo junto à água, que milhares de pessoas se reúnem para assistir ao espetáculo noturno que se tornou um dos símbolos de Singapura.
O Spectra – A Light & Water Show acontece diariamente, geralmente às 20h e às 21h (e às sextas e sábados também às 22h). O espetáculo dura cerca de 15 minutos e combina luzes, projeções, lasers, jatos de água e música sincronizada que parece envolver toda a baía. Assistir ao espetáculo é gratuito e há vários pontos perfeitos para ver tudo sem pressas.
Ficámos a ver o espetáculo das oito da noite, já a lutar contra o jet lag de mais de sete horas. Ainda assim, foi impossível não nos deixarmos envolver por aquela mistura de ritmo urbano, música, luz e água.
Merlion
Na manhã seguinte acordámos cedo e fomos até ao Merlion Park para ver o nascer do sol. A estátua do Merlion, metade peixe e metade leão, é um dos símbolos mais fortes da cidade e não surgiu por acaso. O leão remete para a antiga lenda que deu nome a Singapura. Conta-se que, no século XIV, o príncipe Sang Nila Utama desembarcou na ilha de Temasek, o nome antigo de Singapura, e viu um animal grande, rápido e majestoso que interpretou como um leão. Impressionado com o que acreditou ser um bom presságio, decidiu fundar ali uma cidade e chamou-lhe “Singapura”, que em sânscrito significa “Cidade do Leão”. Curiosamente, não existiam leões na região. Os historiadores acreditam que tenha visto um tigre malaio, mas a força simbólica do leão prevaleceu e acabou por dar nome ao país. Já a parte inferior da estátua representa um peixe e recorda o passado da ilha como simples aldeia de pescadores.
Gardens by the Bay
Depois do Merlion seguimos para os Gardens by the Bay, onde ficámos praticamente o dia todo. Visitámos as estufas, caminhámos pelos jardins exteriores e estivemos junto às Supertrees enquanto o dia avançava. É um lugar tão marcante e tão vasto que acabámos por fazer um post a falar deles que pode ser lido aqui.
Chinatown
Durante os restantes dias que estivemos por Singapura explorámos outros bairros que revelam a diversidade cultural de Singapura. Clarke Quay surpreendeu pelo ambiente leve e cheio de cor à beira-rio. O Financial District deixou-nos impressionados pela organização e pelos arranha-céus perfeitamente alinhados. Mas foram os bairros tradicionais que nos mostraram a alma da cidade.
Em Chinatown, com lanternas penduradas no ar e aromas fortes a sair das lojas, visitámos o Sri Mariamman Temple, cheio de esculturas coloridas, e o Buddha Tooth Relic Temple, muito mais sereno e imponente. Antes de sair da zona passámos pela Old Hill Street Police Station, um dos edifícios mais fotogénicos da cidade, com as suas janelas pintadas em tons vivos.
Little India
Little India elevou tudo um pouco mais… este é um dos bairros mais antigos de Singapura e é também o coração da comunidade indiana na cidade. Aqui convivem templos hindus, casas tradicionais, lojas de tecidos, bancas de flores, aromas fortes de especiarias e um movimento constante que faz o bairro parecer sempre vivo. É um lugar onde a cultura e a espiritualidade se sentem nas ruas e onde a energia é completamente diferente do resto da cidade.
Começámos o passeio pela Buffalo Road, uma das ruas mais movimentadas do bairro e um excelente ponto de entrada para sentir este ambiente autêntico. As bancas alinhadas ao longo da rua enchiam o ar de aromas a especiarias, flores frescas e fruta tropical. Havia música, conversas e uma vida constante que parecia não abrandar nunca. Foi o primeiro momento em que percebemos verdadeiramente o espírito de Little India.
Muito perto dali encontrámos a Casa de Tan Teng Niah, provavelmente o edifício mais fotogénico de toda a zona. As paredes multicoloridas, com tons de azul, verde, rosa, amarelo e vermelho, fazem dela um pequeno arco-íris no meio da cidade. Apesar de estar no coração de Little India, é na verdade uma antiga casa chinesa do início do século vinte, uma das últimas do género na zona. O contraste entre a arquitetura chinesa, o bairro indiano e as cores vibrantes transforma-a num daqueles lugares impossíveis de passar sem fotografar.
Depois seguimos para os templos, que são a alma espiritual do bairro. O Sri Veeramakaliamman Temple, dedicado à deusa Kali, impressiona pelos detalhes e pelas esculturas que sobem em camadas até ao céu. Poucos minutos a pé dali fica o Sri Srinivasa Perumal Temple, maior e mais imponente, com uma presença que se sente logo à entrada. Deixámos os sapatos à porta e caminhámos descalços, tal como todos os visitantes. É um gesto simples que simboliza perfeitamente o respeito pelo sagrado e pela espiritualidade que molda o quotidiano do bairro.
Arab Quarter
Mas o bairro que mais nos conquistou em Singapura foi o Arab Quarter, também conhecido como Kampong Glam. É um dos bairros mais antigos da cidade e ao mesmo tempo, um dos mais vibrantes. A sua identidade nasce do encontro entre o mundo árabe, malaio e muçulmano, mas também do ritmo cosmopolita que define Singapura.
O grande símbolo do bairro é a Masjid Sultan, uma das mesquitas mais importantes do país que se destaca pela sua cúpula dourada. O edifício atual é de 1928, mas a história da mesquita remonta ao século XIX e ao sultão Hussein Shah, que liderou a comunidade malaia da ilha. Hoje, continua a ser um dos centros espirituais mais importantes da cidade.
A partir da mesquita estendem-se algumas das ruas mais carismáticas do bairro e a Bussorah Street é provavelmente a mais bonita, com o enquadramento perfeito da cúpula ao fundo, palmeiras dos dois lados e uma energia constante de lojas e restaurantes. A qualquer hora do dia, há vida, conversas, aromas de especiarias e aquela sensação de que se está num pequeno mundo dentro da cidade.
O Arab Quarter funciona como uma espécie de pausa dentro da cidade futurista que é Singapura, que nos marcou pelo contraste entre tradição e modernidade, pela beleza visual e pela forma como nos fez sentir parte de uma Singapura mais humana, cultural e surpreendente.
Museu Nacional de Singapura
Num país tão moderno e tão organizado como Singapura, quisemos perceber de onde vem esta identidade tão distinta e como é que um território tão pequeno conseguiu transformar-se numa potência económica em tão poucas décadas. Por isso, visitámos o Museu Nacional de Singapura, o mais antigo do país e, provavelmente, o melhor lugar para compreender a história deste destino fascinante.
O museu está instalado num edifício do século XIX e conta a história do país de forma surpreendentemente clara. A exposição principal conduz-nos desde o tempo em que Singapura era apenas um pequeno entreposto comercial rodeado de selva, passando pelo período colonial britânico, pela ocupação japonesa durante a Segunda Guerra Mundial, pelo breve casamento com a Malásia e finalmente, pela independência que aconteceu quase contra a vontade do próprio país.
Museu Nacional de Singapura
A forma como o museu conta esta história é envolvente e muito acessível. Não é o típico museu “pesado”… há filmes, sons, objetos do quotidiano, mapas interativos e até reconstruções dos primeiros bairros e mercados. É fácil perceber como as diferentes comunidades (chinesa, malaia, indiana e eurasiática) foram moldando a cidade e como a aposta na educação, na tecnologia e na disciplina social explicam muito do que Singapura é hoje.
Informações Uteis
- Morada: 93 Stamford Road, Singapore 178897
- Horário: Todos os dias, das 10h às 19h (bilheteira fecha às 18h)
- Preço: A partir de 24$ (cerca de 16€)
- Site oficial: www.nhb.gov.sg/nationalmuseum
Gastronomia
A gastronomia sempre teve um papel essencial nas nossas viagens e em Singapura não foi diferente. Acreditamos que a comida é uma forma de conhecer a identidade de um país e aqui cada prato parece contar uma história diferente. Foi nos hawker centres que essa descoberta se tornou verdadeiramente significativa.
Os hawker centres são espaços públicos onde dezenas de bancas de comida partilham o mesmo recinto, cada uma especializada num prato ou num pequeno conjunto de receitas que fazem parte do dia a dia dos singapurenses. São lugares simples, onde se come muito bem, onde se poupa dinheiro e onde se sente o pulso real da cidade. A organização é sempre semelhante… as bancas de comida normalmente (salvo algumas excepções) vendem apenas comida e as bebidas são compradas noutra banca, muitas vezes localizada no centro ou nos cantos do recinto. Parece um detalhe pequeno, mas faz parte da dinâmica e da logística local.
Outra curiosidade é a ausência quase total de guardanapos. Quem vive na cidade já está habituado, mas para quem visita convém saber que é muito útil levar guardanapos ou lenços na mala porque dificilmente os encontrará nas mesas. É aquele tipo de pormenor prático que só se aprende com a experiência, mas que, acreditem… faz toda a diferença!
Comemos no Lau Pa Sat, no Maxwell Food Centre e no Makansutra Gluttons Bay, todos diferentes entre si, mas igualmente autênticos. O pineapple fried rice, o satay grelhado ali na hora, o naan com caril, o Hainanese chicken rice e as sopas de noodles deram-nos o primeiro grande mergulho nos sabores do Sudeste Asiático… e para beber alternámos entre Tiger Beer, a cerveja singapurense, bem gelada e sugarcane juice com lima, um sumo de cana de açucar, bem fresco e adocicado que combina na perfeição com o clima quente e húmido da cidade.
Apesar da força dos hawkers, Singapura também tem bastantes restaurantes de todos os estilos e para todos os bolsos, desde pequenos cafés de bairro até espaços mais elegantes com cozinhas internacionais. São opções mais caras, mas mostram como a gastronomia da cidade consegue ir muito além da comida de rua. Ainda assim, depois de experimentarmos os restaurantes, se existe um lugar onde sentimos a verdadeira alma culinária de Singapura, esse lugar é sem duvidas nos hawker centres.
Transportes
Mover-nos por Singapura foi sempre simples. A cidade é plana e com excelentes infraestruturas para quem anda a pé, mas quando estávamos mais cansados ou queríamos ir para locais mais distantes, usávamos o MRT, o sistema de metro da cidade, e também os autocarros. Ambos são rápidos, limpos e muito fáceis de entender, mesmo para quem visita a cidade pela primeira vez. Não precisamos de cartão de transporte porque bastou aproximar o Revolut, ou qualquer cartão contactless, dos sensores. No metro os sensores estão na entrada e na saída das estações e é preciso aproximar o cartão nas duas ocasiões. Nos autocarros os leitores ficam dentro do próprio veículo e é necessário aproximar o cartão ao entrar e novamente ao sair. O sistema calcula automaticamente o valor da viagem e tudo funciona de forma muito eficiente.
Para perceber quais linhas apanhar, onde mudar e quanto tempo demorava cada trajeto, usámos tanto o Google Maps como o Moovit. Ambas as aplicações mostraram sempre os percursos corretos, com horários, paragens e indicações claras tanto para o metro como para os autocarros. Acabou por ser uma forma cómoda de nos deslocarmos sem perder tempo e sem complicações.
Os transportes públicos em Singapura são relativamente baratos, especialmente quando comparados com outras grandes cidades. A relação entre preço, rapidez e qualidade é excelente, o que faz com que seja muito fácil explorar a cidade de uma ponta à outra. No último dia chegámos a ir de autocarro para o aeroporto e foi tão simples como qualquer outra viagem durante a estadia. Tudo isto contribuiu para a sensação de que Singapura é uma cidade onde o transporte público faz parte natural da experiência.
Regras
Ao longo dos dias reparamos em algo inevitável. As inúmeras regras. Há avisos por toda a cidade que alertam para comportamentos proibidos. Fumar fora das zonas permitidas, atravessar fora da passadeira, consumir álcool em certas áreas à noite e até mascar pastilha elástica pode resultar em multas pesadas. Estas regras fazem parte da cultura local e ajudam a explicar porque é que Singapura se mantém tão limpa e organizada.
Sabias que?
Atravessar a estrada fora da passadeira ou quando o semáforo para peões está vermelho dá multa. Esta prática é chamada de jaywalking e pode resultar numa multa imediata que geralmente começa nos 50 dólares singapurenses (cerca de 35€) e pode aumentar consoante a gravidade da situação. Em casos mais extremos, quando alguém atravessa de forma especialmente perigosa ou causa uma situação de risco, pode até haver processos legais mais sérios.
Para quem visita a cidade, isto traduz-se numa regra simples:
se vir uma passadeira, use-a! Se o sinal estiver vermelho, espere! E se não houver uma travessia próxima, caminhe alguns metros até encontrar uma… Em Singapura ninguém atravessa “à portuguesa”, digamos assim… e isso nota-se logo nos primeiros dias.
Conclusão
No final, Singapura foi a introdução perfeita ao Sudeste Asiático. Moderna, eficiente e multicultural, abriu a nossa viagem com uma harmonia rara entre tradição e futuro. Ficámos com a sensação de ter visitado várias cidades dentro da mesma cidade-estado, todas diferentes, mas extraordinariamente bem integradas. Foi o começo ideal para tudo o que viria a seguir.
Dicas práticas
A água da torneira é potável.
Singapura tem um dos sistemas de tratamento de água mais avançados do mundo, por isso é seguro encher garrafas no hotel ou nos bebedouros públicos.Levar guardanapos é sempre uma boa ideia.
Nos hawker centres as bancas não disponibilizam guardanapos e é comum ver turistas à procura deles. Ter um pequeno pacote na mochila facilita muito.O contactless funciona em praticamente todo o lado.
Transportes, lojas e restaurantes aceitam pagamentos digitais. O Revolut funciona sem problemas e torna tudo mais simples.O jaywalking é levado a sério.
Atravessar fora da passadeira ou com o semáforo vermelho pode resultar numa multa de cerca de cinquenta dólares singapurenses, o equivalente a trinta e cinco euros.Fumar só é permitido em zonas designadas.
Existem áreas específicas para fumadores e desrespeitar esta regra implica multas elevadas.A cidade é extremamente segura.
É comum ver bolsas ou telemóveis deixados nas mesas enquanto as pessoas vão buscar comida. Mesmo assim, recomenda-se bom senso.O MRT é rápido e eficiente.
As estações são fáceis de usar, limpas e bem sinalizadas. O transporte funciona com tap-in e tap-out através do cartão contactless.A limpeza das ruas é levada muito a sério.
Deitar lixo no chão, cuspir ou comer dentro do metro é proibido e implica multas elevadas. A cidade mantém-se impecavelmente limpa graças a estas regras e ao civismo dos habitantes.Pastilha elástica é praticamente inexistente.
A venda esteve proibida durante anos e hoje só é permitida para fins medicinais, por isso raramente se encontra à venda.O calor e a humidade são intensos durante todo o ano.
É aconselhável levar água, usar protetor solar e procurar sombra nas horas mais fortes do dia.
