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Introdução

Fomos a Cracóvia (Kraków) com um objetivo muito claro… visitar Auschwitz. Foi essa a principal razão que nos levou até à Polónia, uma visita que contamos no nosso post sobre Auschwitz – Como Visitar o Campo de Concentração que Marca para Sempre. Mas, ainda antes de irmos, tínhamos visto o filme A Lista de Schindler e sabíamos que não podíamos deixar de visitar também a fábrica que deu origem a essa história.

Informações práticas

A Lista de Schindler

O filme de Steven Spielberg, lançado em 1993, baseia-se na história verídica de Oskar Schindler, um empresário alemão que durante a Segunda Guerra Mundial conseguiu salvar mais de mil judeus ao empregá-los na sua fábrica de utensílios de metal em Cracóvia. Filmado em grande parte nas ruas da cidade, o filme tornou-se um clássico do cinema e um dos retratos mais poderosos do Holocausto. Ver o filme antes da viagem deu-nos uma perceção ainda mais forte da importância de visitar o local onde tudo aconteceu.

A Lista de Schindler (fonte: imdb.com)
A Lista de Schindler (fonte: imdb.com)

Sabias que?

Steven Spielberg filmou partes de A Lista de Schindler na própria fábrica original, em Cracóvia. Essa escolha deu ao filme uma autenticidade única e aproximou ainda mais a ficção da realidade. Tornou-se um dos mais marcantes retratos do Holocausto e foi reconhecido com sete Óscares, incluindo Melhor Filme e Melhor Realizador. O impacto foi tão grande que após a estreia cresceu o interesse em preservar a memória do local e transformar a fábrica em museu, o que viria a acontecer anos depois.

A história da fábrica

A fábrica que viria a ser conhecida como a de Oskar Schindler tinha sido fundada originalmente por três empresários judeus-polacos e dedicava-se à produção de esmaltes e utensílios de cozinha. Com a invasão da Polónia em 1939, a política nazi confiscou o edifício e entregou-o a Schindler, membro do Partido Nazi e homem de negócios oportunista.

Fabrica de Schindler
Fabrica de Schindler

Durante a guerra, Schindler adaptou a produção e chegou a fabricar cartuchos de munição, de modo a manter a fábrica essencial para o esforço de guerra alemão. Isso permitiu-lhe continuar a empregar centenas de judeus que, de outra forma, teriam sido deportados para campos de concentração. Schindler chegou mesmo a estabelecer um subcampo de Płaszów dentro da própria fábrica, sob o argumento de que os trabalhadores não perderiam tempo a percorrer os dez quilómetros entre o campo e o trabalho, o que aumentaria a produção. Na prática, essa manobra deu-lhes proteção contra a deportação.

Secretária de Schindler
Secretária de Schindler

Mais tarde, quando os nazis começaram a encerrar fábricas em Cracóvia e a transferir os trabalhadores para Auschwitz, Schindler conseguiu intervir e transferir a sua produção e os seus operários para Brünnlitz, na atual República Checa, salvando-os da morte quase certa.

O campo de Płaszów

Para compreender a história da fábrica, é preciso também olhar para o campo de Płaszów, que muitas vezes é confundido com Auschwitz mas que era independente. Criado em 1942, também nos arredores de Cracóvia, sobre os terrenos de dois antigos cemitérios judaicos, começou como campo de trabalhos forçados e rapidamente se transformou em campo de concentração.

Campo de Plaszow
Campo de Plaszow

Era comandado por Amon Göth, um oficial SS que se tornou tristemente famoso pela brutalidade contra os prisioneiros e cuja figura aparece de forma marcante em A Lista de Schindler. Muitos dos judeus que trabalhavam na fábrica de Schindler estavam presos em Płaszów e foi graças a subornos e contactos que Schindler conseguiu mantê-los sob a sua proteção. Mais tarde, garantiu ainda que fossem transferidos para a sua nova fábrica em Brünnlitz, escapando à deportação para Auschwitz.

Hoje, ao contrário de Auschwitz, Płaszów não está preservado como museu. O local é um descampado, marcado apenas por alguns memoriais e cruzes que recordam o que ali aconteceu. Entre os poucos edifícios que restam destaca-se a chamada Grey House, que durante a guerra funcionou como sede administrativa do campo e tinha no porão uma prisão temida, com celas onde os prisioneiros eram castigados de forma brutal. Atualmente, integra o futuro Museu KL Płaszów e será transformada em espaço expositivo e de reflexão.

The grey house
The grey house

A experiência da visita

A antiga fábrica, localizada no bairro de Zabłocie, transformou-se em museu em 2010. Quem a visita não encontra uma linha de produção intacta, mas sim um espaço de exposição impressionante dedicado à ocupação nazi em Cracóvia e à vida sob o regime.

A exposição permanente mostra como a cidade mudou entre 1939 e 1945, com fotografias, documentos, recriações de espaços e testemunhos de sobreviventes. Há salas que recriam o gueto judeu, ruas de Cracóvia ocupada, escritórios nazis e até um pequeno espaço da antiga fábrica. Um dos momentos mais marcantes são as paredes com as fotografias e nomes dos trabalhadores de Schindler, os que ficaram conhecidos como a sua lista.

Fotografias dos trabalhadores
Fotografias dos trabalhadores

Mais do que uma “fábrica”, a visita é uma viagem pela História da Polónia durante a ocupação. É pesada, intensa e cheia de detalhes. O que nos impressionou foi perceber que a fábrica não era apenas o cenário de uma história individual, mas parte de um contexto muito maior: Cracóvia transformada, os guetos destruídos, os comboios a partir para Auschwitz, o medo que se respirava no dia a dia. Oskar Schindler conseguiu salvar cerca de 1.200 pessoas, um número extraordinário, mas que ao mesmo tempo nos lembra os milhões que não tiveram a mesma sorte.

Farda militar
Carrinho de bebé
Quarto de senhora
Eléctrico
Cozinha
Barbearia

Fábrica de Schindler

Sabias que?

Oskar Schindler conseguiu salvar cerca de 1.200 judeus durante a Segunda Guerra Mundial, mas após a guerra perdeu a fortuna e morreu pobre em 1974, em Frankfurt. Os sobreviventes que lhe deviam a vida garantiram que fosse enterrado em Jerusalém, no Monte Sião, tornando-se o único membro do Partido Nazi ali sepultado em sinal de gratidão eterna. Hoje, na exposição da antiga fábrica é possível ver uma recriação do seu escritório, com a secretária original onde tantas decisões de vida ou morte foram tomadas.

Conclusão

Visitar a fábrica de Schindler não é apenas visitar o cenário de um filme famoso. É compreender como era viver em Cracóvia durante a ocupação nazi e como uma única pessoa, com todos os seus defeitos e contradições, conseguiu salvar tantas vidas. É também perceber como a história da cidade se cruza com locais como o gueto de Cracóvia e o campo de Płaszów. Para quem visita Auschwitz, a fábrica é um complemento essencial: dois lugares, duas perspetivas da mesma tragédia.

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Consulte o nosso Guia da Polónia para mais informações do país

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