
Índice
Introdução
Fomos a Cracóvia (Kraków) com um objetivo muito claro… visitar Auschwitz. Foi essa a principal razão que nos levou até à Polónia, uma visita que contamos no nosso post sobre Auschwitz – Como Visitar o Campo de Concentração que Marca para Sempre. Mas, ainda antes de irmos, tínhamos visto o filme A Lista de Schindler e sabíamos que não podíamos deixar de visitar também a fábrica que deu origem a essa história.
Informações práticas
- Localização: ul. Lipowa 4, bairro de Zabłocie, 30-702 Cracóvia.
- Bilhetes: a entrada custa cerca de 112 PLN (cerca de 26 €). Os bilhetes devem ser comprados com antecedência, pois a lotação diária é limitada.
- Horários:
Abril a Outubro – segundas-feiras das 10h às 16h; terça a domingo das 9h às 20h.
Novembro a Março – segundas-feiras das 10h às 14h; terça a domingo das 10h às 18h. - Duração da visita: reserve pelo menos 2 horas para ver a exposição com calma.
- Dica: ver A Lista de Schindler antes da visita dá uma perspetiva muito mais intensa.

A Lista de Schindler
O filme de Steven Spielberg, lançado em 1993, baseia-se na história verídica de Oskar Schindler, um empresário alemão que durante a Segunda Guerra Mundial conseguiu salvar mais de mil judeus ao empregá-los na sua fábrica de utensílios de metal em Cracóvia. Filmado em grande parte nas ruas da cidade, o filme tornou-se um clássico do cinema e um dos retratos mais poderosos do Holocausto. Ver o filme antes da viagem deu-nos uma perceção ainda mais forte da importância de visitar o local onde tudo aconteceu.

Sabias que?
Steven Spielberg filmou partes de A Lista de Schindler na própria fábrica original, em Cracóvia. Essa escolha deu ao filme uma autenticidade única e aproximou ainda mais a ficção da realidade. Tornou-se um dos mais marcantes retratos do Holocausto e foi reconhecido com sete Óscares, incluindo Melhor Filme e Melhor Realizador. O impacto foi tão grande que após a estreia cresceu o interesse em preservar a memória do local e transformar a fábrica em museu, o que viria a acontecer anos depois.

A história da fábrica
A fábrica que viria a ser conhecida como a de Oskar Schindler tinha sido fundada originalmente por três empresários judeus-polacos e dedicava-se à produção de esmaltes e utensílios de cozinha. Com a invasão da Polónia em 1939, a política nazi confiscou o edifício e entregou-o a Schindler, membro do Partido Nazi e homem de negócios oportunista.

Durante a guerra, Schindler adaptou a produção e chegou a fabricar cartuchos de munição, de modo a manter a fábrica essencial para o esforço de guerra alemão. Isso permitiu-lhe continuar a empregar centenas de judeus que, de outra forma, teriam sido deportados para campos de concentração. Schindler chegou mesmo a estabelecer um subcampo de Płaszów dentro da própria fábrica, sob o argumento de que os trabalhadores não perderiam tempo a percorrer os dez quilómetros entre o campo e o trabalho, o que aumentaria a produção. Na prática, essa manobra deu-lhes proteção contra a deportação.

Mais tarde, quando os nazis começaram a encerrar fábricas em Cracóvia e a transferir os trabalhadores para Auschwitz, Schindler conseguiu intervir e transferir a sua produção e os seus operários para Brünnlitz, na atual República Checa, salvando-os da morte quase certa.

O campo de Płaszów
Para compreender a história da fábrica, é preciso também olhar para o campo de Płaszów, que muitas vezes é confundido com Auschwitz mas que era independente. Criado em 1942, também nos arredores de Cracóvia, sobre os terrenos de dois antigos cemitérios judaicos, começou como campo de trabalhos forçados e rapidamente se transformou em campo de concentração.

Era comandado por Amon Göth, um oficial SS que se tornou tristemente famoso pela brutalidade contra os prisioneiros e cuja figura aparece de forma marcante em A Lista de Schindler. Muitos dos judeus que trabalhavam na fábrica de Schindler estavam presos em Płaszów e foi graças a subornos e contactos que Schindler conseguiu mantê-los sob a sua proteção. Mais tarde, garantiu ainda que fossem transferidos para a sua nova fábrica em Brünnlitz, escapando à deportação para Auschwitz.
Hoje, ao contrário de Auschwitz, Płaszów não está preservado como museu. O local é um descampado, marcado apenas por alguns memoriais e cruzes que recordam o que ali aconteceu. Entre os poucos edifícios que restam destaca-se a chamada Grey House, que durante a guerra funcionou como sede administrativa do campo e tinha no porão uma prisão temida, com celas onde os prisioneiros eram castigados de forma brutal. Atualmente, integra o futuro Museu KL Płaszów e será transformada em espaço expositivo e de reflexão.


A experiência da visita
A antiga fábrica, localizada no bairro de Zabłocie, transformou-se em museu em 2010. Quem a visita não encontra uma linha de produção intacta, mas sim um espaço de exposição impressionante dedicado à ocupação nazi em Cracóvia e à vida sob o regime.
A exposição permanente mostra como a cidade mudou entre 1939 e 1945, com fotografias, documentos, recriações de espaços e testemunhos de sobreviventes. Há salas que recriam o gueto judeu, ruas de Cracóvia ocupada, escritórios nazis e até um pequeno espaço da antiga fábrica. Um dos momentos mais marcantes são as paredes com as fotografias e nomes dos trabalhadores de Schindler, os que ficaram conhecidos como a sua lista.

Mais do que uma “fábrica”, a visita é uma viagem pela História da Polónia durante a ocupação. É pesada, intensa e cheia de detalhes. O que nos impressionou foi perceber que a fábrica não era apenas o cenário de uma história individual, mas parte de um contexto muito maior: Cracóvia transformada, os guetos destruídos, os comboios a partir para Auschwitz, o medo que se respirava no dia a dia. Oskar Schindler conseguiu salvar cerca de 1.200 pessoas, um número extraordinário, mas que ao mesmo tempo nos lembra os milhões que não tiveram a mesma sorte.






Fábrica de Schindler
Sabias que?
Oskar Schindler conseguiu salvar cerca de 1.200 judeus durante a Segunda Guerra Mundial, mas após a guerra perdeu a fortuna e morreu pobre em 1974, em Frankfurt. Os sobreviventes que lhe deviam a vida garantiram que fosse enterrado em Jerusalém, no Monte Sião, tornando-se o único membro do Partido Nazi ali sepultado em sinal de gratidão eterna. Hoje, na exposição da antiga fábrica é possível ver uma recriação do seu escritório, com a secretária original onde tantas decisões de vida ou morte foram tomadas.

Conclusão
Visitar a fábrica de Schindler não é apenas visitar o cenário de um filme famoso. É compreender como era viver em Cracóvia durante a ocupação nazi e como uma única pessoa, com todos os seus defeitos e contradições, conseguiu salvar tantas vidas. É também perceber como a história da cidade se cruza com locais como o gueto de Cracóvia e o campo de Płaszów. Para quem visita Auschwitz, a fábrica é um complemento essencial: dois lugares, duas perspetivas da mesma tragédia.
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