
Índice
Introdução
Quando começámos a planear esta viagem, não fazíamos ideia de que ela ia durar 46 dias. A primeira conversa foi simples, queríamos finalmente conhecer o Sudeste Asiático e tínhamos falado em dividir o tempo entre Vietnam e Tailândia, 15 dias para cada país, num total de um mês. Nada de extraordinário, nada de ambicioso. Apenas uma viagem longa o suficiente para sentir culturas diferentes e regressar com uma boa coleção de memórias.
Mas, como acontece sempre que começamos a olhar para o mapa com demasiada curiosidade, o plano foi crescendo. Primeiro o Tiago lembra-se que ali perto está o Angkor Wat e diz “já que estamos tão perto, não faz sentido deixarmos passar um dos templos mais impressionantes do mundo.” E de repente, sem nos apercebermos, o Camboja entrou no itinerário. Depois fui eu com uma pesquisa rápida, daquelas em que me perco feliz da vida, para perceber que Singapura ficava mesmo ali, à distância de um voo curto. E antes que dessemos por isso, já estávamos a perguntar: “E se fizéssemos um stopover no Dubai também?”
Foi assim, ideia após ideia, que um plano de 30 dias passou a 46. E só depois de termos fechado o número de dias e os países é que começámos a organizar a ordem da viagem, porque aí sim, era preciso pensar com mais calma.
O objetivo era simples, acabar na Tailândia antes dos Emirados, para termos uns dias de praias e descanso antes de entrar na etapa final no Dubai e Abu Dhabi. Não queríamos chegar e sair pelo mesmo sítio, por isso a entrada seria por Singapura e a saída pela Tailândia. A partir daí, tudo encaixou naturalmente. De Singapura seguiríamos para Hanói e faríamos o Vietnam de norte para sul, terminando em Ho Chi Minh City que ficava muito mais perto de Siem Reap, o que seguir para o Camboja tornava-se lógico e fácil e de seguida entraríamos na Tailândia para explorar o país até ao fim da viagem, deixando o descanso para o final. Só então voaríamos para os Emirados para os últimos dias desta aventura.
E como se tudo isto não fosse suficientemente desafiante, decidimos desde o primeiro minuto, mesmo quando o plano ainda era só Vietnam + Tailândia, que iríamos viajar apenas com uma mochila às costas. 7 quilos permitidos pela Emirates na cabine. 7 quilos para cada um durante 46 dias, 5 países, dezenas de cidades, calor tropical, templos, praias, montanhas, mercados, barcos, tuk tuks, desertos e arranha-céus. Se era uma loucura? Completamente. Mas talvez tenha sido precisamente essa loucura que tornou tudo tão leve, literalmente e no espírito.
E foi assim que esta viagem começou com uma ideia simples que se tornou um plano grande, com um mapa a ganhar vida sem pedirmos licença e com duas mochilas ridiculamente leves para aquilo que estávamos prestes a viver.

Singapura – O Futuro Arrumado em Forma de Cidade
A primeira paragem foi Singapura, onde tudo parece funcionar com uma perfeição quase impossível. Para nós, que vínhamos da Europa, o choque foi imediato: ruas impecáveis, arranha-céus brilhantes, jardins futuristas e um metro que chega sempre antes do minuto prometido. O espetáculo de luz nos Gardens by the Bay abriu a viagem com um daqueles momentos que ficam para sempre, como se a cidade nos quisesse avisar que o que vinha aí seria tão intenso quanto bonito.
Entre hainanese chicken rice, pineapple fried rice e satay percebemos que esta viagem seria também uma aventura gastronómica e estávamos longe de imaginar o que ainda viria.
Vietnam – Intensidade, Caos, Tradição e Sabores
Se Singapura nos mostrou ordem, o Vietnam mostrou-nos vida em bruto.
Hanói recebeu-nos com buzinas vindas de todos os lados, fios elétricos que desenham teias no céu, vendedores que surgem ainda antes do amanhecer e uma energia que ora confunde, ora encanta. Por detrás do caos, descobrimos uma cidade com uma alma enorme. Banh mi ao pequeno-almoço, café de ovo que não se esquece e mercados onde a rotina diária cabe toda num corredor apertado.
Os dias seguintes levaram-nos para o Norte, até Sa Pa, onde a névoa dança entre os arrozais e aldeias nos mostraram um Vietname de simplicidade e resiliência. Depois veio a Baía de Halong, onde dormimos entre montanhas que parecem flutuar com uma paisagem tão surreal que quase parece inventada.
Em Ninh Binh encontrámos a serenidade que equilibrou o ritmo do país. O silêncio do lago, os remos conduzidos com os pés, os templos escondidos entre falésias e a vista da Mua Cave, conquistada degrau a degrau.
Hoi An foi amor imediato. Lanternas acesas ao anoitecer, ruas que brilham em tons quentes, sabores únicos como o Cao Lầu, e uma atmosfera que nos fez abrandar sem esforço.
Terminámos o Vietname em Ho Chi Minh City, mais moderna, mais frenética, mais quente — uma cidade que parece correr sempre um pouco mais depressa do que nós.
Camboja – O Peso da História e a Leveza do Espírito
Entrar no Camboja foi entrar noutro ritmo. Em Siem Reap, a espiritualidade sente-se antes de se ver e em Angkor Wat o nascer do sol trouxe aquela luz suave que faz silêncio até às pessoas mais faladoras. Ta Prohm impressionou-nos com as raízes gigantes a abraçar paredes centenárias, enquanto os rostos de Bayon nos acompanharam em cada passo, como se a pedra tivesse memória.
A visita à vila flutuante de Kampong Phluk mostrou-nos um lado diferente do país. Famílias que vivem com pouco, mas que recebem com um sorriso grande, uma curiosidade sincera e uma simpatia difícil de esquecer.
Tailândia – Templos, Cidades e Praias de Sonho
A Tailândia recebeu-nos com uma mistura perfeita de caos, espiritualidade e beleza natural. É um país que muda de cenário a cada voo.
Começámos em Banguecoque, onde os templos dourados convivem com ruas frenéticas, mercados sem fim e noites cheias de vida. Depois seguimos para o Norte, onde cidades como Chiang Rai e Chiang Mai revelam um lado mais tranquilo, artístico e espiritual, entre templos surrealmente belos, mercados noturnos e aquela calma que só se encontra ali.
Do Norte saltámos para o Sul, onde a Tailândia muda por completo. Railay trouxe falésias imponentes e praias que parecem pintadas e as Phi Phi mostraram-nos águas transparentes, viewpoints absurdamente bonitos e dias em que tudo abranda sem aviso.
A Tailândia foi isso mesmo. Um país de contrastes, cheio de cor, sabor e energia, onde cada região parece viver numa frequência diferente.
Emirados Árabes Unidos – Entre o Deserto e os Arranha-Céus
Depois de tantas semanas no Sudeste Asiático, Dubai pareceu quase outro planeta. Arranha-céus infinitos, estradas largas, centros comerciais gigantes e um ritmo que não abranda. Mas foi no deserto que sentimos o impacto mais forte com o calor seco, o silêncio absoluto e as casas abandonadas na Ghost Village, uma aldeia que está lentamente a ser engolida pelo deserto, um cenário que nos deixou entre o fascínio e o desconforto.
A seguir, Abu Dhabi trouxe-nos imponência e serenidade, sobretudo na Mesquita Sheikh Zayed, que parece desenhada para fazer o mundo inteiro abrandar por um momento.
E como se a viagem precisasse de mais simbolismo, o regresso a Lisboa aconteceu no meu dia de anos. A despedida perfeita de uma aventura que dificilmente voltaremos a repetir da mesma forma.
Uma Viagem que Fica para Sempre
Foram seis semanas intensas, cheias de contrastes, sabores novos, templos, ruas caóticas, mares transparentes, histórias, pessoas e pequenos instantes que nos moldaram sem darmos conta. Atravessámos culturas, religiões, ritmos e realidades completamente diferentes e cada país deixou-nos uma marca distinta.
Voltámos com a mala cheia de fotografias, memórias que só nós sabemos explicar e a certeza de que esta viagem não foi apenas um conjunto de destinos, mas sim um capítulo inteiro das nossas vidas. Um daqueles capítulos que se guardam com carinho e que nos fazem olhar para o mundo com outros olhos.


Estação Central de Antuérpia
Quando começámos a planear esta viagem, não fazíamos ideia de que ela ia durar 46 dias. A primeira conversa foi simples, queríamos finalmente conhecer o Sudeste Asiático e tínhamos falado em dividir o tempo entre Vietnam e Tailândia, 15 dias para cada país, num total de um mês. Nada de extraordinário, nada de ambicioso. Apenas uma viagem longa o suficiente para sentir culturas diferentes e regressar com uma boa coleção de memórias.
Mas, como acontece sempre que começamos a olhar para o mapa com demasiada curiosidade, o plano foi crescendo. Primeiro o Tiago lembra-se que ali perto está o Angkor Wat e diz “já que estamos tão perto, não faz sentido deixarmos passar um dos templos mais impressionantes do mundo.” E de repente, sem nos apercebermos, o Camboja entrou no itinerário. Depois fui eu com uma pesquisa rápida, daquelas em que me perco feliz da vida, para perceber que Singapura ficava mesmo ali, à distância de um voo curto. E antes que dessemos por isso, já estávamos a perguntar: “E se fizéssemos um stopover no Dubai também?”
Foi assim, ideia após ideia, que um plano de 30 dias passou a 46. E só depois de termos fechado o número de dias e os países é que começámos a organizar a ordem da viagem, porque aí sim, era preciso pensar com cabeça.
O objetivo era simples. Acabar na Tailândia antes dos Emirados, para termos uns dias de praias e descanso antes de entrar na etapa final no Dubai e Abu Dhabi. Não queríamos chegar e sair pelo mesmo sítio, por isso a entrada seria por Singapura e a saída pela Tailândia. A partir daí, tudo encaixou naturalmente. De Singapura seguiríamos para Hanói e faríamos o Vietnam de norte para sul, terminando em Ho Chi Minh City que ficava muito mais perto de Siem Reap, o que seguir para o Camboja tornava-se lógico e fácil e de seguida entraríamos na Tailândia para explorar o país até ao fim da viagem, deixando o descanso para o final. Só então voaríamos para os Emirados para os últimos dias desta aventura.
E como se tudo isto não fosse suficientemente desafiante, decidimos desde o primeiro minuto, mesmo quando o plano ainda era só Vietnam + Tailândia, que iríamos viajar apenas com uma mochila às costas. 7 quilos permitidos pela Emirates. 7 quilos para cada um durante 46 dias, 5 países, dezenas de cidades, calor tropical, templos, praias, montanhas, mercados, barcos, tuk tuks, desertos e arranha-céus. Se era uma loucura? Completamente. Mas talvez tenha sido precisamente essa loucura que tornou tudo tão leve, literalmente e no espírito.
E foi assim que esta viagem começou com uma ideia simples que se tornou um plano grande, com um mapa a ganhar vida sem pedirmos licença e com duas mochilas ridiculamente leves para aquilo que estávamos prestes a viver.
Singapura – O Futuro Arrumado em Forma de Cidade
A primeira paragem foi Singapura, onde tudo parece funcionar com uma perfeição quase impossível. Para nós, que vínhamos da Europa, o choque foi imediato: ruas impecáveis, arranha-céus brilhantes, jardins futuristas e um metro que chega sempre antes do minuto prometido. O espetáculo de luz nos Gardens by the Bay abriu a viagem com um daqueles momentos que ficam para sempre, como se a cidade nos quisesse avisar que o que vinha aí seria tão intenso quanto bonito.
Entre hainanese chicken rice, pineapple fried rice e satay percebemos que esta viagem seria também uma aventura gastronómica e estávamos longe de imaginar o que ainda viria.
Vietnam – Intensidade, Caos, Tradição e Sabores
Se Singapura nos mostrou ordem, o Vietnam mostrou-nos vida em bruto.
Hanói recebeu-nos com buzinas vindas de todos os lados, fios elétricos que desenham teias no céu, vendedores que surgem ainda antes do amanhecer e uma energia que ora confunde, ora encanta. Por detrás do caos, descobrimos uma cidade com uma alma enorme. Banh mi ao pequeno-almoço, café de ovo que não se esquece e mercados onde a rotina diária cabe toda num corredor apertado.
Os dias seguintes levaram-nos para o Norte, até Sa Pa, onde a névoa dança entre os arrozais e aldeias nos mostraram um Vietname de simplicidade e resiliência. Depois veio a Baía de Halong, onde dormimos entre montanhas que parecem flutuar com uma paisagem tão surreal que quase parece inventada.
Em Ninh Binh encontrámos a serenidade que equilibrou o ritmo do país. O silêncio do lago, os remos conduzidos com os pés, os templos escondidos entre falésias e a vista da Mua Cave, conquistada degrau a degrau.
Hoi An foi amor imediato. Lanternas acesas ao anoitecer, ruas que brilham em tons quentes, sabores únicos como o Cao Lầu, e uma atmosfera que nos fez abrandar sem esforço.
Terminámos o Vietname em Ho Chi Minh City, mais moderna, mais frenética, mais quente — uma cidade que parece correr sempre um pouco mais depressa do que nós.
Camboja – O Peso da História e a Leveza do Espírito
Entrar no Camboja foi entrar noutro ritmo. Em Siem Reap, a espiritualidade sente-se antes de se ver e em Angkor Wat o nascer do sol trouxe aquela luz suave que faz silêncio até às pessoas mais faladoras. Ta Prohm impressionou-nos com as raízes gigantes a abraçar paredes centenárias, enquanto os rostos de Bayon nos acompanharam em cada passo, como se a pedra tivesse memória.
A visita à vila flutuante de Kampong Phluk mostrou-nos um lado diferente do país. Famílias que vivem com pouco, mas que recebem com um sorriso grande, uma curiosidade sincera e uma simpatia difícil de esquecer.
Tailândia – Templos, Cidades e Praias de Sonho
A Tailândia recebeu-nos com uma mistura perfeita de caos, espiritualidade e beleza natural. É um país que muda de cenário a cada voo.
Começámos em Banguecoque, onde os templos dourados convivem com ruas frenéticas, mercados sem fim e noites cheias de vida. Depois seguimos para o Norte, onde cidades como Chiang Rai e Chiang Mai revelam um lado mais tranquilo, artístico e espiritual, entre templos surrealmente belos, mercados noturnos e aquela calma que só se encontra ali.
Do Norte saltámos para o Sul, onde a Tailândia muda por completo. Railay trouxe falésias imponentes e praias que parecem pintadas e as Phi Phi mostraram-nos águas transparentes, viewpoints absurdamente bonitos e dias em que tudo abranda sem aviso.
A Tailândia foi isso mesmo. Um país de contrastes, cheio de cor, sabor e energia, onde cada região parece viver numa frequência diferente.
Emirados Árabes Unidos – Entre o Deserto e os Arranha-Céus
Depois de tantas semanas no Sudeste Asiático, Dubai pareceu quase outro planeta. Arranha-céus infinitos, estradas largas, centros comerciais gigantes e um ritmo que não abranda. Mas foi no deserto que sentimos o impacto mais forte com o calor seco, o silêncio absoluto e as casas abandonadas na Ghost Village, uma aldeia que está lentamente a ser engolida pelo deserto, um cenário que nos deixou entre o fascínio e o desconforto.
A seguir, Abu Dhabi trouxe-nos imponência e serenidade, sobretudo na Mesquita Sheikh Zayed, que parece desenhada para fazer o mundo inteiro abrandar por um momento.
E como se a viagem precisasse de mais simbolismo, o regresso a Lisboa aconteceu no meu dia de anos. A despedida perfeita de uma aventura que dificilmente voltaremos a repetir da mesma forma.
Uma Viagem que Fica para Sempre
Foram seis semanas intensas, cheias de contrastes, sabores novos, templos, ruas caóticas, mares transparentes, histórias, pessoas e pequenos instantes que nos moldaram sem darmos conta. Atravessámos culturas, religiões, ritmos e realidades completamente diferentes e cada país deixou-nos uma marca distinta.
Voltámos com a mala cheia de fotografias, memórias que só nós sabemos explicar e a certeza de que esta viagem não foi apenas um conjunto de destinos, mas sim um capítulo inteiro das nossas vidas. Um daqueles capítulos que se guardam com carinho e que nos fazem olhar para o mundo com outros olhos.


Entrada da estação
Durante a Segunda Guerra Mundial, a estação foi alvo de bombardeamentos que provocaram danos sérios. Apesar disso, a estrutura principal resistiu, preservando a imponência da cúpula e da fachada. Após a guerra, foi restaurada e mais tarde profundamente renovada, ganhando túneis e plataformas em várias camadas que hoje acolhem também comboios de alta velocidade.

Interior da estação
Atualmente, para além de ponto de passagem, é também um monumento histórico e arquitetónico de Antuérpia. O interior, com lojas, cafés e uma escadaria monumental, convida a entrar e a contemplar, mesmo para quem não tem viagem marcada.

Estação Central de Antuérpia

Catedral de Nossa Senhora
No coração histórico da cidade ergue-se a Catedral de Nossa Senhora, considerada a maior da Bélgica e um dos ícones de Antuérpia. A sua construção começou em 1352 e prolongou-se por mais de 150 anos, resultando numa impressionante obra-prima do gótico brabantino. A torre principal, com 123 metros de altura, domina a praça e é visível de vários pontos da cidade, destacando-se pela elegância e imponência.
Classificada como Património Mundial da UNESCO, é um dos símbolos incontornáveis de Antuérpia. Nós não entrámos, já que o tempo era limitado e a entrada custa cerca de 12 € por pessoa, mas mesmo por fora a catedral impressiona e é impossível passar pela cidade sem reparar nela.

Catedral de Nossa Senhora

Grote Markt e Casas das Guildas
A Grote Markt é a praça central de Antuérpia e o coração medieval da cidade. Rodeada por edifícios históricos, é aqui que se concentram alguns dos símbolos mais emblemáticos. De um lado encontra-se a imponente Câmara Municipal (Stadhuis), construída no século XVI em estilo renascentista flamengo. A sua fachada está sempre coberta de dezenas de bandeiras que representam a diversidade da cidade e as os países com quem Antuérpia tem ligações comerciais. No interior funcionam ainda serviços administrativos e exposições temporárias, incluindo mostras sobre o futuro urbanístico de Antuérpia.

Stadhuis
À volta da praça destacam-se as casas das guildas, sedes das antigas corporações de ofícios que marcaram a vida económica e social da cidade durante séculos. Uma guilda era uma associação que reunia artesãos ou comerciantes do mesmo ofício, como carpinteiros, ourives, pescadores ou padeiros. Estas corporações regulavam a profissão, definiam preços, protegiam os interesses dos seus membros e tinham também um papel social e religioso, financiando igrejas, festas e ajudando os mais pobres.

Casas das Guildas
As fachadas das casas das guildas foram reconstruídas no século XIX, mas mantêm o estilo renascentista flamengo. São estreitas, altas, com telhados escalonados e rematadas por esculturas douradas no topo. Eram, e continuam a ser, símbolos de prestígio e poder económico. Quanto mais elaborada a decoração, maior a influência da guilda que a representava.
No centro da praça está ainda a Fonte de Brabo, que recorda a lenda do gigante derrotado junto ao rio Escalda e explica a origem do nome “Antwerpen”.

Fonte de Brabo
Sabias que?
O nome Antuérpia tem origem numa lenda. Segundo a tradição, um gigante chamado Druon Antigoon cobrava taxas injustas a todos os que atravessavam o rio Escalda. Quem se recusasse a pagar tinha a mão cortada e atirada ao rio. O herói Brabo enfrentou o gigante, derrotou-o e, em retaliação, cortou-lhe a mão e lançou-a às águas. Daí surgiu a expressão neerlandesa hand werpen, que significa “atirar a mão”, e que com o tempo evoluiu para Antwerpen, o nome original da cidade.

Castelo Het Steen
Às margens do rio Escalda ergue-se o Castelo Het Steen, a fortaleza mais antiga de Antuérpia, construída no início do século XIII. Originalmente fazia parte das muralhas medievais da cidade e servia como ponto de defesa junto ao rio. O nome “Het Steen” significa literalmente “A Pedra”, uma referência ao facto de ter sido uma das primeiras construções em pedra numa época em que a maioria dos edifícios ainda era em madeira.
Ao longo dos séculos, o castelo teve várias funções: residência senhorial, prisão e até armazém. No século XIX chegou a abrigar um museu naval e, mais recentemente, foi renovado para acolher o centro de visitantes de Antuérpia. Hoje funciona como porta de entrada turística da cidade, com exposições, informações práticas e uma vista privilegiada sobre o Escalda e o movimento dos barcos.

Castelo Het Steen
À entrada do castelo encontra-se a estátua de Lange Wapper, uma figura lendária do folclore local. Segundo a tradição, era um gigante travesso capaz de aumentar de tamanho para assustar os habitantes, em especial bêbados e crianças malcomportadas. A escultura mostra-o em pose ameaçadora, rodeado de figuras pequenas a seus pés, como símbolo dessa personagem mítica que faz parte da identidade popular da cidade.

Museu Plantin-Moretus
Entre as ruas históricas de Antuérpia encontra-se um lugar verdadeiramente único: o Museu Plantin-Moretus. Não é apenas um museu, é uma cápsula do tempo que transporta o visitante para o século XVI, ao período em que a palavra impressa começava a transformar a Europa.

Museu Plantin-Moretus
O edifício foi a casa e oficina de Christophe Plantin, um tipógrafo francês que se instalou em Antuérpia e fundou uma das editoras mais influentes do continente. Depois da sua morte, o negócio passou para o seu genro Jan Moretus, que tinha começado como aprendiz e acabou por casar com a filha de Plantin. Daí surgiu o nome composto Plantin-Moretus, que ficou associado a uma verdadeira dinastia de impressores responsáveis por difundir livros religiosos, científicos, literários e até atlas que circularam por toda a Europa.




Museu Plantin-Moretus
Este percurso só foi possível graças à invenção de Johannes Gutenberg, em meados do século XV. Gutenberg, alemão de Mainz, criou o sistema de impressão com tipos móveis, que consistia em pequenas peças metálicas com letras em relevo que podiam ser reutilizadas e combinadas. Com a ajuda de uma prensa adaptada, esse processo revolucionou a difusão do conhecimento, permitindo produzir livros de forma muito mais rápida e acessível do que as cópias manuais feitas pelos monges copistas.


Prensas
No museu, classificado como Património Mundial da UNESCO, conservam-se as prensas tipográficas mais antigas do mundo, ainda em funcionamento, que permitem perceber como se produziam livros há mais de quatro séculos. O cheiro da tinta, os tipos móveis alinhados em caixas e a demonstração das prensas recriam o ambiente dessa primeira revolução mediática.
Para além das prensas, o espaço preserva a antiga biblioteca e milhares de volumes raros, incluindo o célebre Atlas de Ortelius, considerado o primeiro atlas moderno do mundo, também impresso nesta oficina. As salas estão decoradas com mobiliário original, tapeçarias e retratos, permitindo imaginar como vivia a família que ali trabalhou e habitou.

Homem a ler

Atlas
A visita é uma verdadeira viagem ao coração da revolução do conhecimento. O bilhete custa 12 € por pessoa e dá direito a uma pulseira que permite entrar e sair várias vezes no mesmo dia, o que é prático para quem queira intercalar a visita com outros passeios pela cidade.

MAS – Museum aan de Stroom
No antigo bairro portuário de Eilandje ergue-se o MAS – Museum aan de Stroom, um dos ícones arquitetónicos contemporâneos de Antuérpia. Inaugurado em 2011, o edifício parece uma pilha de “caixas” de pedra vermelha e vidro curvo que sobem em espiral. A própria fachada tem milhares de pequenas mãos em metal, uma referência direta ao brasão da cidade e à lenda da sua origem.

MAS – Museum aan de Stroom
Por dentro, a visita faz-se através de uma galeria envidraçada com escadas rolantes que sobem em ziguezague, abrindo vistas cada vez mais amplas sobre a cidade e mesmo que não se visite nenhuma exposição, vale a pena subir até ao terraço panorâmico no topo, acessível de forma totalmente gratuita. A vista de 360 graus permite apreciar o rio Escalda, o centro histórico e a imensidão do porto, um dos maiores da Europa.
Para quem quiser explorar mais a fundo, o bilhete dá acesso às exposições do museu. A entrada custa 10 € para as permanentes e 12 € se incluir também a exposição temporária. As exposições estão distribuídas por pisos, cada um dedicado a um tema diferente, o que permite estruturar a visita como uma verdadeira subida pela história e identidade de Antuérpia.
Visible Storage – Um vislumbre da coleção
Antes de mergulhar nas exposições, o museu oferece um espaço onde se pode espreitar os bastidores. O acervo do MAS ultrapassa as 600 mil peças, mas apenas uma parte está em exibição. No chamado “depósito visível”, é possível ver como os objetos são guardados e organizados, com pequenas mostras que vão sendo renovadas. É como entrar numa reserva aberta ao público e perceber a dimensão do tesouro escondido do museu.

Visible Storage
Temporary Exhibition – Exposição temporária
No 2.º piso encontra-se sempre uma exposição temporária, que muda ao longo do ano. Pode ser dedicada a arte contemporânea, a temas sociais ou a aspetos ligados à cidade e ao porto. Nós optámos por comprar o bilhete apenas para as exposições permanentes.
City at War – A cidade em guerra
Um dos andares mais intensos está dedicado a Antuérpia durante a Segunda Guerra Mundial. A exposição retrata os anos de 1940 a 1945, quando a cidade viveu sob ocupação nazi, com perseguições, deportações e violência militar. Objetos do quotidiano e testemunhos pessoais dão rosto a uma época de medo e resistência, tornando a história palpável e profundamente humana.


City at War
Antwerp à la Carte – Antuérpia à mesa
Outro piso revela a relação entre a cidade e a comida, desde o século XVI até ao futuro. Mostra como os hábitos alimentares moldaram não só a cultura como também o espaço urbano. Mapas, objetos e documentos ajudam a perceber como aquilo que se come influencia a própria geografia da cidade e reflete transformações sociais ao longo dos séculos.


Antwerp à la Carte
Freight – Carga e comércio
A exposição “Freight” recorda a ligação profunda entre Antuérpia e o comércio mundial. Cada “doca” da mostra revela um aspeto da atividade portuária, mercadorias, trabalhadores, rotas comerciais e a forma como o porto fez da cidade um centro económico global. É uma viagem pela história marítima que explica por que razão Antuérpia cresceu sempre voltada para o rio e para o mundo.


Freight
Anybody Home? – Alguém em casa?
Mais leve e interativa, esta exposição é pensada para famílias e crianças. Através de jogos, histórias e objetos curiosos, reflete sobre o que significa “lar”. Aqui é possível procurar o lendário crocodilo do esgoto, ouvir talheres que falam ou até desenhar nas paredes. Uma abordagem divertida para mostrar que a ideia de casa pode ser diferente para cada pessoa.

Anybody Home
Art from Pre-Columbian America – Arte da América Pré-Colombiana
No topo da visita encontra-se uma das coleções mais prestigiadas do museu, a de Paul & Dora Janssen-Arts. São cerca de 400 peças provenientes de 50 culturas distintas da América Pré-Colombiana, incluindo esculturas, cerâmicas e objetos rituais. Uma viagem a mundos distantes que acrescenta uma dimensão global ao museu, lembrando que a história de Antuérpia sempre esteve ligada a outros continentes.

Art from Pre-Columbian America
Visitar o MAS é, no fundo, conhecer Antuérpia de várias perspetivas… a cidade portuária, a cidade da guerra, a cidade da mesa, a cidade do comércio, mas também a cidade aberta ao mundo. E mesmo para quem não entra nas exposições, a subida gratuita ao terraço faz do edifício uma paragem obrigatória em qualquer roteiro pela cidade.

Antuérpia

O Porto de Antuérpia
Antuérpia deve muito do seu crescimento e importância ao seu porto, considerado o segundo maior da Europa e um dos mais movimentados do mundo. Desde a Idade Média que o rio Escalda liga a cidade ao comércio internacional, transformando-a num centro de mercadorias, ideias e culturas. Ainda hoje, o porto é motor económico da região, com terminais modernos que recebem navios de todos os continentes.
Nós fomos até à Port House (Havenhuis Antwerpen), um edifício que chama à atenção pela sua arquitetura. É a atual sede da Autoridade Portuária, foi projetada pela arquiteta Zaha Hadid e combina uma antiga estação de bombeiros com uma estrutura futurista em vidro facetado, que lembra um diamante pousado sobre o telhado. O design simboliza duas das grandes identidades de Antuérpia, o porto e o comércio de diamantes, e, tornou-se um dos marcos arquitetónicos mais impressionantes da cidade.

Port House

Red Light District
Tal como Amesterdão, Antuérpia também tem a sua zona de luz vermelha, onde a prostituição é legalizada e regulamentada. As ruas com vitrines iluminadas fazem parte da realidade da cidade, embora seja estritamente proibido fotografar. É um tema sensível, mas ao mesmo tempo revela uma faceta da cultura urbana belga, onde este trabalho é encarado com regras de segurança e direitos para as trabalhadoras. Para além das vitrines, encontram-se também lojas eróticas e sex shops, que complementam a atmosfera particular desta área.

Loja erótica

Conclusão
Visitar Antuérpia num só dia é apenas um aperitivo do que a cidade tem para oferecer. Entre a herança medieval refletida nas praças e igrejas, a imponência da Catedral, a modernidade do MAS, a memória preservada no Museu Plantin-Moretus e a dimensão do porto, fica a certeza de que esta é uma das cidades mais interessantes da Bélgica.
E se os diamantes lhe deram fama internacional, para nós foram as cervejas belgas que se tornaram um argumento irresistível: provar algumas das centenas de variedades produzidas no país é, por si só, motivo suficiente para regressar.

Cervejas

Como se deslocar
Antuérpia é uma cidade simples de explorar. O centro histórico é compacto e pode ser percorrido confortavelmente a pé, já que as principais atrações — como a Catedral, a Grote Markt ou o MAS — estão muito próximas umas das outras.
Para distâncias maiores, existe a rede de elétricos, autocarros e até um pequeno pré-metro (um metro ligeiro subterrâneo) operados pela De Lijn. O pagamento é feito diretamente em dispositivos próprios dentro dos veículos, bastando aproximar o cartão contactless ou o telemóvel — não é preciso comprar bilhete ao motorista nem em máquinas.

Outra alternativa bastante prática é a bicicleta. Antuérpia tem ciclovias e um sistema público de partilha, o Velo Antwerpen, com várias estações espalhadas pelo centro.
Ainda assim, a melhor forma de sentir a cidade é a mais simples: caminhar sem pressa, atravessando as praças históricas e descobrindo recantos ao ritmo próprio.
![]()
